Renault aposta tudo em América Latina e países emergentes para não virar “presa fácil” de BYD e Chery na Europa

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A Renault quer parar de depender tanto da Europa justamente quando o continente vira território de caça para BYD, Chery e outras chinesas com EVs e híbridos baratos.

Sob o comando do novo CEO François Provost, a montadora francesa pretende elevar as vendas anuais da marca Renault para mais de 2 milhões de veículos, acima dos 1,6 milhão do ano passado.

O objetivo é que, até 2030, metade das vendas esteja fora da Europa, reduzindo uma exposição que hoje é alta e incomoda investidores.

Em 2025, a empresa gerou 62% das vendas na Europa, onde marcas chinesas vêm ganhando participação rapidamente com eletrificados acessíveis.

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“Nos últimos cinco anos provamos que podemos vencer, agora precisamos provar que podemos durar”, afirmou Provost ao apresentar o novo plano.

Para ampliar presença internacional, a Renault planeja lançar 36 novos modelos entre agora e o fim da década, sendo 14 fora da Europa.

O foco inclui Marrocos, Turquia, América Latina, Coreia do Sul e Índia, em uma tentativa clara de diversificar geografias.

A empresa também pretende construir um SUV na Índia para venda local e para outros mercados, com ciclo de desenvolvimento acelerado que diz ser comparável à velocidade e ao custo chineses.

Segundo o plano, EVs e híbridos responderão por todas as vendas na Europa até 2030 e por 50% das vendas fora da região.

No pacote industrial, a Renault declarou que vai implantar 350 robôs humanoides em suas fábricas até o ano que vem e reduzir ainda mais o custo por veículo em €400 por ano (equivalente a R$ 2.412).

Após a divulgação da estratégia, as ações da Renault subiram quase 3%, indicando alívio inicial do mercado com a sinalização de rumo.

Para Philippe Houchois, analista da Jefferies, a Renault precisa provar que existe um futuro independente para a companhia, com uma “jogada de produtividade”.

Ele também disse que a empresa tenta mostrar que é “a maior aluna dos métodos chineses” para replicar o sucesso chinês na Europa.

Depois de ser empurrada perto do limite por eventos como a detenção de Carlos Ghosn no Japão em 2018 e a saída da Rússia em 2022, a Renault busca se reposicionar como pequena, mas ágil.

O ex-CEO Luca de Meo devolveu brilho à marca com virada financeira e sucessos como a versão elétrica do R5, inspirado no modelo dos anos 1970.

Mas a saída abrupta dele em junho passado para o grupo de luxo Kering, seguida por um alerta de lucros, voltou a aumentar a pressão sobre a montadora.

Analistas alertam que a Renault é uma das mais expostas ao avanço chinês tanto na Europa quanto em emergentes como a Índia.

Sem presença relevante nos EUA ou na China, o grupo fica obrigado a buscar outras geografias para crescer e reduzir risco concentrado.

Na Europa, ainda pesa a pressão regulatória da União Europeia para acelerar a transição do setor para EVs.

Patrick Hummel, analista do UBS, afirma que a Renault tem a maior exposição europeia e não é uma montadora global, ficando mais vulnerável a essa ameaça estrutural.

Ele também aponta a sobreposição com rivais chineses não só na geografia, mas no segmento de massa e mais acessível, onde a disputa é mais feroz.

No médio prazo, a Renault mira margens operacionais de 5% a 7% das vendas, abaixo do recorde de 7,6% registrado em 2024.

Para compensar falta de escala, a Renault reforça alianças com Nissan e Mitsubishi e amplia parcerias com empresas como Ford e a fabricante de caminhões Volvo na Europa.

Ela também se apoia na chinesa Geely em projetos na Coreia do Sul e no Brasil, buscando dividir investimento e acelerar execução em mercados-chave.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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