
A Renault e a Geely avançam em uma proposta incomum para sistemas híbridos ao desenvolver um motor a gasolina capaz de continuar funcionando mesmo sob 1,1 m de água.
O projeto nasceu dentro da Horse Powertrain, joint venture das duas fabricantes, e utiliza um quatro-cilindros 2.0 turbo identificado internamente pelo código B20.
A unidade recebeu classificação IPX8 e foi concebida para manter operação estável em condições que normalmente representam um limite importante para conjuntos convencionais.
Segundo a Horse, o motor também consegue trabalhar em situações severas fora de estrada, incluindo aclives de até 100% sem comprometer a entrega de potência.
O B20 foi desenvolvido desde o início para aplicações eletrificadas e pode integrar sistemas híbridos convencionais, híbridos plug-in e EVs com extensor de autonomia.
Dependendo da configuração, o 2.0 turbo entrega entre aproximadamente 191 cv e 252 cv, acompanhado por torque de 30,6 kgfm a 38,7 kgfm.
A capacidade de operar submerso exigiu vedação específica na estrutura do motor e também na região de ligação entre propulsor e transmissão.
Componentes elétricos e sensores igualmente foram preparados para padrão IPX8, permitindo que continuem funcionando quando expostos às condições previstas pelo projeto.
Sensores monitoram o ambiente ao redor e, ao detectar submersão, o sistema de controle pode ajustar automaticamente potência e resposta do acelerador.
A Horse também desenvolveu um sistema de arrefecimento duplo totalmente ativo para manter temperaturas sob controle durante uso prolongado sob carga elevada.
Esse recurso ganha importância em situações como subidas longas e exigentes, nas quais o motor permanece operando próximo de seus limites por mais tempo.
Outra solução é a bom ba de óleo de deslocamento variável, que ajusta fluxo e pressão de acordo com as condições de funcionamento encontradas pelo conjunto.
Enquete
Qual atributo mais distingue o B20: vedação IPX8, eficiência térmica de 48,4% ou integração híbrida?
Vote e veja o resultado em tempo real.
29 votos
O bloco é fabricado em alumínio e incorpora o coletor de escape, enquanto um sistema simplificado de eixo de balanceamento busca melhorar vibração, ruído e durabilidade.
Mesmo com essas soluções, o motor pesa 130 kg, valor relativamente baixo diante da proposta de robustez e das aplicações previstas.
A eficiência também ocupa papel central, com injeção direta, ciclo Miller e rendimento térmico declarado de 48,4% pela Horse Powertrain.
Injetores de alta pressão, dutos de admissão com elevado movimento do ar e pistões específicos foram desenvolvidos para otimizar a combustão.
O objetivo é reduzir consumo sem transformar o B20 em um motor tradicional de fora de estrada, já que seu funcionamento depende da integração com motores elétricos e bateria.
A proposta, portanto, não é apenas resistir ao contato com água, mas operar normalmente em travessias profundas como parte do uso previsto para o veículo.
A tecnologia já saiu da fase puramente experimental e aparece em um modelo de produção comercializado atualmente no mercado chinês.
O Geely Galaxy Cruiser 700 utiliza o B20 dentro de seu sistema híbrido plug-in, combinando a nova unidade com uma arquitetura eletrificada voltada ao uso fora de estrada.
Isso diferencia o projeto de conceitos desenvolvidos apenas para demonstração, pois a Horse já integrou o motor a um veículo destinado efetivamente aos consumidores.
A capacidade de operar em até 1,1 m de água, enfrentar aclives de 100% e atingir 48,4% de eficiência térmica mostra como a eletrificação também está mudando os motores a combustão.
No caso do B20, Renault e Geely usam essa evolução para criar um propulsor que combina eficiência, integração híbrida e resistência a condições pouco comuns no uso cotidiano.




