Renault insiste em manter botões e comandos giratórios mesmo com custo maior, enquanto o Euro NCAP passa a valorizar controles físicos

renault boreal ionic avaliação na (36)
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Botões e comandos giratórios continuam ocupando espaço importante nos interiores da Renault, mesmo diante da preferência crescente da indústria por concentrar funções em grandes telas sensíveis ao toque.

A fabricante francesa sustenta que determinados recursos precisam permanecer acessíveis por comandos físicos, ainda que essa escolha torne o desenvolvimento e a produção dos veículos mais caros.

Glen Sealey, gerente-geral da Renault Austrália, afirmou à revista GoAuto que esse tipo de interface representa um dos princípios fundamentais adotados atualmente pela marca.

Segundo o executivo, funções usadas com frequência podem ser acionadas de maneira mais segura por um botão dedicado do que pela navegação entre diferentes menus digitais.

A lógica vale para tarefas simples do cotidiano, como mudar a estação do rádio, ajustar o volume e acessar rapidamente recursos utilizados repetidamente durante a condução.

renault boreal ionic avaliação na (32)
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Sealey explica que a filosofia da Renault é preservar o máximo possível de atalhos físicos e, paralelamente, aproveitar recursos digitais para manter a utilização simples e familiar.

O próprio executivo reconhece que essa estratégia custa mais, pois interruptores, botões e comandos independentes exigem componentes adicionais em comparação com uma interface concentrada na tela.

Mesmo assim, a Renault considera que o investimento faz sentido ao evitar que determinadas ações rotineiras dependam de várias etapas dentro de um sistema multimídia.

A posição da fabricante também encontra respaldo no Euro NCAP, que atualizou seus protocolos de segurança para 2026 e passou a valorizar controles físicos para funções comuns.

Segundo a organização europeia, avaliações feitas com consumidores indicam que a disponibilidade desses comandos pode contribuir para reduzir distrações durante o uso dos recursos internos do veículo.

avaliacao renault kardian techno 2026 (10)
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Essa discussão ganha força após vários fabricantes passarem anos reduzindo a quantidade de botões, buscando painéis visualmente mais limpos e interfaces fortemente dependentes de telas.

A tendência, porém, começa a mudar em algumas marcas, à medida que fabricantes reconhecem que motoristas nem sempre querem controlar todas as funções por superfícies digitais.

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A Audi, por exemplo, promete recuperar o chamado “Audi click”, expressão usada para destacar a sensação característica oferecida pelos comandos físicos presentes em seus veículos.

A Volkswagen também reconheceu que avançou demais na adoção de telas e teclas sensíveis ao toque, depois de receber críticas relacionadas à facilidade de utilização.

A Mercedes seguiu caminho semelhante ao admitir que exagerou ao eliminar botões, enquanto a Toyota avalia devolver interruptores físicos a determinadas funções do RAV4.

A Mazda, por outro lado, historicamente defendia uma abordagem mais tradicional, mas recentemente passou a afirmar que telas grandes não necessariamente distraem mais do que botões.

Dentro desse cenário, a Renault tenta dividir responsabilidades entre os dois tipos de interface, reservando o sistema digital para tarefas que realmente se beneficiam de maior área gráfica.

Navegação, entretenimento e configurações mais complexas podem permanecer nas telas, enquanto ações imediatas continuam associadas a controles que exigem apenas um movimento para serem acionados.

A estratégia também aparece na Dacia, marca de baixo custo do grupo, que mantém botões e comandos físicos em diferentes pontos de seus interiores apesar da simplificação geral.

Para a Renault, portanto, modernizar uma cabine não significa necessariamente retirar todos os interruptores, mas escolher qual interface funciona melhor para cada tarefa disponível ao motorista.

Essa visão coloca a fabricante em sintonia com uma revisão mais ampla da indústria, que começa a reconsiderar interiores excessivamente dependentes de telas após anos de forte expansão desse conceito.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook