
A Renault prepara uma nova rodada bilionária de investimentos na França para ampliar sua produção de EVs e, ao mesmo tempo, tentar reduzir o preço de seus carros.
O grupo pretende aplicar mais de € 10 bilhões (R$ 58,7 bilhões) no país durante os próximos cinco anos, segundo o CEO François Provost.
O executivo revelou o plano em entrevista à rádio France Inter no dia 3 de outubro, destacando que a estratégia dependerá também das condições sociais e políticas francesas.
A nova etapa vem depois de outros € 13 bilhões (R$ 76,3 bilhões) investidos pela Renault na França ao longo dos últimos cinco anos.
Segundo Provost, esse dinheiro foi usado para transformar profundamente a estrutura industrial da empresa e preparar suas fábricas francesas para a expansão dos veículos elétricos.

Agora, a Renault pretende continuar acelerando sua estratégia elétrica, mas adicionando outro objetivo considerado fundamental: tornar seus automóveis mais acessíveis aos consumidores.
O anúncio surge justamente em um momento de crescimento acelerado dos EVs no mercado francês, impulsionado também pela recente alta nos preços dos combustíveis.
Os carros elétricos alcançaram um recorde de 42% dos registros de veículos novos na França durante setembro, participação inédita dentro do mercado local.
Parte desse avanço na demanda aconteceu depois da elevação dos preços dos combustíveis registrada desde o início da guerra envolvendo o Irã.
Provost também destacou que a produção francesa da Renault já está crescendo, contrariando a percepção de que a eletrificação necessariamente reduziria a atividade das fábricas locais.

A empresa produziu aproximadamente 500.000 automóveis na França durante 2025, número que deverá aumentar de maneira significativa ao longo deste ano.
Segundo o CEO, a produção francesa crescerá pelo menos 25% em 2026, resultado atribuído principalmente ao aumento da fabricação de modelos elétricos.
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Além de comandar essa expansão industrial, Provost tem defendido publicamente mudanças nas regras europeias para favorecer EVs menores e produzidos dentro do próprio continente.
O pacote automotivo apresentado pela Comissão Europeia em dezembro passado prevê vantagens para veículos elétricos produzidos na Europa com até 4,2 metros de comprimento.

Essa proposta está alinhada à estratégia da Renault, que tem apostado em modelos compactos como uma forma de ampliar a adoção dos EVs sem elevar excessivamente os preços.
Provost também defende um congelamento de dez anos na criação de novas regulamentações específicas para automóveis pequenos comercializados dentro da União Europeia.
Na avaliação do executivo, esse período permitiria que os engenheiros se concentrassem em reduzir custos, sem precisar redesenvolver continuamente os veículos para atender novas exigências.
A combinação entre investimentos industriais, modelos menores e maior estabilidade regulatória é vista pela Renault como um caminho para tornar os EVs mais competitivos.
Os próximos cinco anos serão, portanto, decisivos para transformar os investimentos franceses da companhia em maior produção e em veículos capazes de atingir uma faixa mais ampla de consumidores.




