
A briga entre telas, botões e comandos de voz ganha força à medida que as montadoras tentam decidir como será a cabine dos EVs.
Algumas fabricantes já cederam à pressão dos consumidores e começaram a recuperar comandos físicos em seus carros mais recentes.
Volkswagen, Audi, Mercedes-Benz e Hyundai estão entre as marcas que voltam a valorizar botões depois de críticas ao excesso de funções nas telas.
A Rivian, porém, segue em direção oposta e não demonstra interesse em abandonar sua aposta em uma cabine quase totalmente digital.
Para a marca americana, um assistente de voz avançado, movido por IA, pode ser uma forma melhor de controlar as principais funções do veículo.
A visão foi defendida por Wassym Bensaid, chefe de software da Rivian e co-CEO da joint venture entre Rivian e Volkswagen.
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Durante entrevista ao The Verge, Bensaid explicou a lógica por trás do novo Rivian Assistant, lançado para modelos R1 existentes em meados de maio.
O sistema usa uma base compartilhada e multimodal de IA, com capacidade de controlar funções centrais do veículo, incluindo o ar-condicionado.
Os atuais Rivian R1 e o novo R2 praticamente não usam botões físicos, e a chegada do assistente indica que isso dificilmente mudará.
Bensaid afirmou acreditar profundamente que a voz tem chance de se tornar a principal interface dentro do carro.
Ele também reconheceu que botões podem existir, mas disse que eles não deveriam ser a forma principal de interação com o veículo.
Segundo o executivo, a voz permite executar mais de uma função sem obrigar o motorista a mexer em vários comandos diferentes.
A promessa é reduzir a dependência da tela central, evitando que o usuário precise navegar por menus para encontrar recursos específicos.
Para Bensaid, uma boa experiência de voz permitiria conversar com o carro de forma natural, elevando o uso diário a outro nível.
No R2, por exemplo, não há botões tradicionais para o ar-condicionado, mas grandes roletes no volante ajudam a ajustar funções rapidamente.
Esses controles podem alterar itens como a velocidade do ventilador, solução que parece mais prática do que tocar em pequenos ícones na tela.
Ainda assim, eles não chegam a ser botões convencionais, mas funcionam como um meio-termo entre comando físico e interface digital.
A Rivian afirma que os motoristas só não usam mais comandos de voz porque, até agora, a tecnologia simplesmente funcionou mal.
A diferença, segundo a empresa, está no fato de seu assistente trabalhar integrado ao sistema multimídia próprio, baseado em Android.
Como a Rivian não oferece suporte a Android Auto nem Apple CarPlay, o assistente opera de forma contínua, independentemente da tela exibida.
A marca também promete uma interação mais conversacional do que a oferecida por sistemas tradicionais de comando por voz.
Em vez de dizer “abra o porta-malas dianteiro”, por exemplo, o motorista poderia dizer que tem uma bolsa na frente do carro.
Nesse caso, o sistema entenderia o contexto e abriria automaticamente o frunk, nome usado para o compartimento dianteiro em EVs.
A estratégia combina com outros recursos digitais da marca, como a opção de US$ 50 (R$ 260) por mês para ampliar funções automatizadas.
A proposta soa avançada, mas também reacende uma dúvida simples: tecnologia inteligente é suficiente para substituir a confiança imediata de um botão físico.
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