Rivian R2 nasce cortando excessos do R1 e mostra como um EV mais barato pode ser melhor e mais inteligente

Rivian R2 Lancamento 3
Rivian R2 Lancamento 3

Menos peças, menos fios e menos complexidade viram a base do Rivian R2, que tenta fazer mais sentido sem parecer uma versão empobrecida.

Jeff Hammoud, Chief Design Officer da Rivian, disse ao The Drive que o R1 foi desenhado por adição, enquanto o R2 nasceu por subtração.

A ideia inicial era passar o R1 por uma espécie de raio encolhedor, mas a equipe percebeu que anos de aprendizado mudariam o projeto.

Com feedback acumulado dos clientes, o R2 acabou se tornando um produto mais refinado que o irmão maior e mais caro.

Rivian R2 Lancamento 4
Rivian R2 Lancamento 4

As ausências mais evidentes estão na suspensão, já que o R2 abandona o controle ativo de rolagem hidráulico e a pesada suspensão a ar.

Hammoud afirma que a meta era reduzir custos sem transformar essa economia em punição para o consumidor.

Um exemplo aparece nas portas traseiras, projetadas para permitir que o vidro desça totalmente, algo raro em veículos desse segmento.

Segundo Hammoud, muitos modelos usam vidro parcialmente rebaixável ou uma barra divisória, como ocorre também no R1 por causa de seu porte.

Rivian R2 Lancamento 1
Rivian R2 Lancamento 1

Ao ajustar entre-eixos, coluna B e coluna C, a Rivian removeu peças extras, manteve boa visibilidade e simplificou a fabricação.

Essa solução elimina molduras e componentes adicionais, reduzindo custo sem tirar uma função importante para um veículo de proposta aventureira.

A mesma lógica aparece nos repetidores de seta, que no R1 ficam espalhados entre espelhos, portas e molduras dianteiras.

No R2, três elementos foram reunidos em uma única peça integrada no para-lama, logo acima da entrada de ar mantida do R1.

As molduras ao redor das janelas também desapareceram, criando aparência mais limpa, menor arrasto aerodinâmico e economia em material e produção.

A Rivian, porém, não cortou dinheiro onde isso prejudicaria diretamente o usuário, segundo Hammoud.

A tampa traseira mantém o vidro rebatível para baixo, como no Toyota 4Runner, em todas as versões exceto a Standard.

Essa decisão exigiu trabalho complexo na linha do teto, no spoiler e na integração do limpador traseiro dentro da própria tampa.

Por dentro, a simplificação segue sem tentar parecer barata, com bancos menos ornamentados e acabamento mais direto que o usado no R1.

Hammoud cita a retirada de faixas metálicas, molduras de encosto de cabeça e peças adicionais no painel, preservando uma sensação visual cuidadosa.

A madeira, que no R1 contorna boa parte da cabine e custa mais para produzir, foi reduzida no R2.

Mesmo assim, a Rivian manteve o encosto traseiro bipartido em 40:20:40, configuração incomum entre SUVs compactos.

Segundo Hammoud, a marca poderia ter usado 60:40, mas preferiu preservar a flexibilidade para o cliente.

Outro corte calculado está no capô, que no R1 abre e fecha eletricamente, enquanto no R2 apenas destrava por comando elétrico.

Para a Rivian, o essencial era permitir a abertura elétrica; o fechamento manual foi aceito como uma troca razoável.

A porta de recarga saiu do para-choque dianteiro esquerdo do R1 e foi para a lateral traseira esquerda no R2.

A mudança reduz risco de danos, melhora o acesso a carregadores da Tesla e encurta o caminho até os sistemas eletrônicos de potência.

Esse caminho menor diminui peso e custo, dois pontos centrais para tornar o veículo mais eficiente de fabricar.

Mudanças invisíveis também importam, como a transferência dos alto-falantes dianteiros das portas para um painel central sob o painel.

Hammoud afirma que isso reduz chicotes elétricos e também ajuda a evitar ruídos nas portas ao longo do uso.

Vidya Rajagopalan, Senior Vice President of Electronic Hardware da Rivian, disse que a segunda geração do R1 já havia encurtado o chicote em 1,6 milha.

Esse salto também reduziu a arquitetura de 17 ECUs para apenas 7 ECUs em distribuição zonal.

No R2, a marca cortou mais 2,3 milhas de fiação e combinou eletrônica de potência em um sistema ainda mais integrado.

Cinco componentes do R1 viraram uma unidade que reúne carregador de bordo, conversor DC-DC, conversor DC-AC, controlador de zona das células e gerenciamento da bateria.

Rajagopalan chama esse conjunto de “uma potência”, mas a consequência prática é mais simples: montar, reparar e manter o R2 deve ser menos caro.

O resultado é um SUV elétrico que antecipa a próxima fase da Rivian, mais disciplinada, menos complexa e focada em escala real.

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