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Rota 2030: Brasil começa 2018 sem regime automotivo, que deve sair apenas em fevereiro

Volkswagen-Virtus-fábrica-São-Bernardo-do-Campo-8 Rota 2030: Brasil começa 2018 sem regime automotivo, que deve sair apenas em fevereiro

O ano de 2018 começou. A expectativa para o setor automotivo é boa, já que indicadores econômicos revelam uma recuperação do poder de compra do consumidor e melhor confiança quanto ao futuro. No ano que se encerrou, as vendas subiram 9,4%, de acordo com a agência Auto Informe, contabilizando 2.172.448 emplacamentos de automóveis e comerciais leves.



Esse é o melhor resultado do setor após quatro anos em baixa. Diante do aumento dos emplacamentos, a Anfavea chegou a comemorar um “erro” de previsão para 2018, que era de 7,3%. Agora a expectativa é que este novo ano feche com dois dígitos, algo superior ao resultado de 2017.

Mas não é apenas isso. As montadoras também estão projetando um aumento ainda maior nas exportações, que chegaram a bater recordes em 2017. A promessa para 2018 é crescer ainda mais no mercado exterior e reduzir a ociosidade nas plantas de produção do País, que possuem capacidade total de 5 milhões de veículos, mas que trabalha com menos da metade no momento.

Volkswagen-Virtus-fábrica-São-Bernardo-do-Campo-8 Rota 2030: Brasil começa 2018 sem regime automotivo, que deve sair apenas em fevereiro

Da parte dos fabricantes, o momento de investir se tornou decisivo para os principais players, que retomam os lançamentos com projeções até 2020. Agora, não parece mais haver limites para o mercado, sendo que algumas montadoras já até confirmaram oficialmente a chegada de carros elétricos, híbridos plug-in e mais modelos novos. Tudo começa a deslanchar a partir desse ano e isso significa que o consumidor terá mais opções, algumas bem atraentes, o que sem dúvida estimulará até quem não estava pensando em comprar nesse ano.

Na parte política, o Inovar-Auto definitivamente acabou. Questionado por outros países na OMC, esta condenou o regime automotivo anterior, que encerrou ontem (31). Agora, não há mais cotas de importação de 4.800 carros por ano para cada empresa e nem a sobretaxa de IPI de 30% para quem não cumprisse essa cota e outras obrigações.

Dessa forma, quem respira aliviado e promete novidades para 2018 é o setor de importados, liderado pela Abeifa. Espera-se um aumento nas vendas pela primeira vez em anos de queda, mas ainda não será algo expressivo. Só mesmo o fim do Inovar-Auto e suas limitações fizeram com que mudanças importantes ocorressem em algumas marcas desse setor.

Volkswagen-Virtus-fábrica-São-Bernardo-do-Campo-8 Rota 2030: Brasil começa 2018 sem regime automotivo, que deve sair apenas em fevereiro

Mas, se tudo parece convergir para um 2018 bom para o setor automotivo, então o que falta? Um regime automotivo. O ano começou sem regras definidas para os próximos anos. É a primeira vez em décadas que isso ocorre. Sem um rumo a seguir, vale o que estava escrito em 2011. O IPI continua como estava, variando de 7% a 25%. A ausência de uma política automotiva não necessariamente fará com que os preços caiam.

O Rota 2030, promessa de previsibilidade e segurança para o setor nos próximos 15 anos, não saiu do papel por conta das divergências entre as pastas do MDIC e do MF. O motivo era a sobretaxa de 10% de IPI para estimular investimentos por parte dos fabricantes e importadores. Mas, o temor de um novo questionamento da OMC e também de possível desoneração fiscal, fizeram com que a Fazenda barrasse o projeto e a questão fosse levada ao presidente Temer, que recentemente pediu que os dois ministérios encontrem um entendimento para a questão.

Temer quer que as equipes ajustem o Rota 2030 para que não haja mais questionamentos das duas partes e prometeu decidir sobre a nova política apenas em fevereiro. Por ora, não há o que cumprir em termos de investimentos em engenharia, pesquisa e desenvolvimento, eficiência energética, segurança veicular e produção industrial. Sem incentivos, operações pequenas parecem ameaçadas nesse cenário, enquanto os grandes fabricantes acreditam que é hora de mostrar quem pode mais.

[Fonte: G1/Auto Informe]

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  • Paulo Roberto Steindoff

    Temos um mercado consumidor de 207 milhões de brasileiros. Vender dois milhões de veículos (1%) é mixaria.
    O próprio mercado consumidor é um incentivo espetacular, basta o governo não atrapalhar.
    Não há necessidade de incentivo fiscal.

    • invalid_pilot

      Mas é melhor vender 1% com margem gigante que vender 10% com margem apertada, pra atender a demanda de 10% tem que se investir em fábricas e etc

      • Cosi fan Tutti

        Por isso que ter importações é bom e não ha o que temer, pois supre esse restante com carros vindos de países mais produtivos. O problema é quando a preferencia geral vai para os importados, ae as empresas que pagam tributos caros aqui, tem fabricas, pagam as propinas devidas etc.. os tais “amigos do rei” chegam nos politicos e chiam um pouco, ae o protecionismo volta, aguarde 2019, estamos em ano de eleições!!!

        • invalid_pilot

          Sem dúvidas, por mim abriria importação e até poderia rolar algum subsidio pra produção interna, desde que não sobretaxasse os importados.

          • Cosi fan Tutti

            Eu so aprovaria subsidio se a iniciativa fosse nacional, banco público deveria ser proibido de emprestar ou fazer dinheiro com empresa estrangeira. Deviam ser usados apenas pra fomentar a industria nacional, mesmo que seja em parceria com estrangeiros, mas tem de ter mais de 50% de capital nacional, tipo como a China faz.

            • invalid_pilot

              Sim, ai teria que analisar o tipo de subsídio da parada…

          • Marcio Souza

            Aqui o governo pra proteger a industrial nacional, ao invés de desonerar a tributação dos fabricantes nacionais, ele apenas taxa mais os importados e ai fica esse consumo pífio.

    • SK15

      O problema é que segundo os dados mais de 66% da população não tem renda e ganha até R$ 2.000 são quase 150 milhões de pessoas que a nível de economia não conta/não existem, então quem realmente pode comprar carro nesses preços ridículos é a parcela menor da população que tem renda ou seja esse 1%, eu mesmo não consigo comprar um carro acima de 100k.

      Concordo não que não precisa de incentivo e pelo oposto deveria existir algum dispositivo que forçassem os preços a ser mais condizente (menos impostos, melhor tributação) ou forçar as pessoas a ganhar mais, por que do jeito que está é cada um por si e deus por todos e só os políticos que ganham muito estão de boa e não sentem o drama.

  • Luiz Pereira

    O melhor “regime automotivo” é o mercado livre, sem medidas protecionistas absurdas criadas pelo governo. O Inovar-Auto, por exemplo, só serviu para manter os carros brasileiros desatualizados e caros.

  • zekinha71

    Melhor ficar sem nada, do que ter uma lei jabuticaba que só serve pra ferrar consumidor, trabalhadores, comerciantes e beneficiar só o grupinho da Anfavelha.

  • Gran RS 78

    Abaixem os preços, afinal agora vcs não pagam mais ipi mais caro, e deixem que a livre concorrência e os consumidores façam a sua parte. Será que é tão difícil de entender isso?

  • Raul Pereira

    O que me impressiona é como o governo é miseravelmente parasitário e imediatista.
    Redução de impostos (inclua-se IPVA) para carros mais novos, tecnológicos, seguros e eficientes geraria uma maior renovação na frota de veículos nacional, além de incluir aqueles (milhões de brasileiros) que atualmente não contribuem e estão irregulares com os veículos já possuídos. Falar em “desonaração fiscal, o governo vai perder dinheiro, mimimi” é uma desculpa MUITO burra, já que a própria renovação de frota aumentará, juntamente com a inclusão dos veículos que já rodam irregulares. Esses dois fatores por si só já aumentariam e muito a arrecadação.

    • Ainnem Agon

      Mas governo só serve para ser parasitário e imediatista. A “democracia” é exatamente assim. ANCAPismo superior.

      • Raul Pereira

        Anarcocapitalismo? Duvido muito, é uma ideia muito extrema para uma humanidade ainda muito imatura.

        • Cosi fan Tutti

          Ancapismo é outra coisa.

          • Raul Pereira

            Vou dar uma olhada. Desculpe, achei que ele tinha abreviado anarco capitalismo (tinha uma galera falando sobre isso aqui algum tempo atrás).

        • Ainnem Agon

          E quem é você para julgar o que é bom para os outros? Ninguém tem esse poder, naturalmente ou emitido pelo divino. Por isso que a “democracia” é imoral e ineficiente. Não existe nada de “o poder emana do povo”, isso é socialismo aguado.

          • Raul Pereira

            Como disse no outro comentário, achei que você abreviou anarcocapitalismo, ainda não tive tempo de me informar mais sobre ancapismo para dizer sobre.
            Sugiro que você comece a estudar sociologia, história e geopolítica antes de fazer esse tipo de comentário.
            E eu não falei nada do que é certo ou errado, ainda mais para os outros, os quais não dou a mínima desde que não me afete. Idéias extremas em geopolítica é qualquer ideia que não tenha permeabilidade de outras correntes (exemplo: liberalismo puro (Adam Smith), socialismo utópico (Marx), etc), o que exigiria de população e governo uma maior sinergia. Mas como você falou que o princípio democrático é socialismo aguado, pense o que quiser.
            PS: imoral e incorreto em direito são duas coisas muito diferentes e até opostas dependendo do exemplo.

    • Bandeira Branca

      Mudar a cobrança progressiva do IPI de capacidade cúbica para consumo/poluição e por conseguinte colocar os elétricos em taxa mínima ou até zero tbm seria o óbvio, mas dependendo do governo…

  • Vinicius Maciel

    o povo, o consumidor nao quer incentivo fiscal e muito menos protecionismo. queremos é a abertura do mercado e que a concorrencia seja livre para nos atender.

  • Antonio Di Pietro

    Nenhum Governo no mundo, nem mesmo essa bizarrice que temos atualmente, deixaria sua indústria desprotegida.

    • Cosi fan Tutti

      Ja tem 35% de imposto de importação. Acima disso, com cotas e etc.. e tal, so países com viés comunista pesado, tipo Venezuela e Cuba, Coreia do Norte etc.., pq nem a America Latina, ou Africa, a Russia e nem mesmo a China faz isso.

      • Antonio Di Pietro

        Todo governo protege e ajuda sua indústria.
        Lembre-se da falência d aGM e da Chrysler em 2018 e veja quem as ajudou.
        Aliás, dizem que a GM é a maior estatal americana.
        Sem contar dezenas de bancos e empresas de hipoteca que quebraram e foram ‘estatizadas’.

        • Cosi fan Tutti

          Ajudar com empréstimos e uma coisa, fechar mercado pra premiar o atraso da indústria e aumento de preços e outra. O Trump ficou bradando aos 4 cantos que iria fazer isso nos EUA, veja se conseguiu? Não consegue. E lá além de praticamente não ter restrição alguma, o imposto de importação não passa de 2% , com alguns países é zerado. Isso se chama livre concorrência, bem diferente de ajudar empresa em tempo de crise. O que se faz no Brasil é um abuso e só beneficia umas poucas empresas que se instalaram aqui é claro, o governo. O povo sofre com preços altos e carros ruins. Mas se o povo aceita e abaixa a cabeça ne, eles possam e vão continuar fazendo isso.

    • Sergio Quintela

      É isso aí, que se premie os incompetentes, o povo deve pagar pelo salário dos apertadores de parafuso do ABC.

      • Antonio Di Pietro

        Não podemos esquecer que a GM e a Chrysler faliram em 2008 e foram salvas com rios de dinheiro do governo americano.
        Essa história de livre mercado, concorrência e etc. e coisa da carochinha.

        • Sergio Quintela

          Sim, temos os dois extremos, países socialistas ao extremo, vide Venezuela, e países mais livres, tipo Singapura e Hong-Kong. No meio de campo tem muita bizarrice, como essa citada por vc. Tem que deixar falir. A empresa já sabendo que irá ser socorrida, não faz o dever de casa.

        • Roberto

          E a Chrysler foi VENDIDA para a Fiat logo em seguida, tem uma diferença enorme entre o mercado fechado como o brasileiro e o americano que qualquer empresa vende e um Corolla (japonês) custa 15.000 dólares.

  • SK15

    Bem não acho que nada mudará os preços no Brasil são apenas cumulativos sempre foi em tudo, não é interesse do governo, nem das montadoras nem de quem vende carros usado que ocorresse uma reviravolta no mercado e os preços abaixassem então vejo tudo na mesma.

    • Cosi fan Tutti

      Pode não alterar significativamente, mas alta concorrencia significa mais opções, e consequentemente melhor pra escolher na hora de comprar, com certeza alguns modelos vão mudar de posição ou ganhar alguns equipamentos pra ficar mais atraente.

  • Cosi fan Tutti

    Aproveitem pra comprar carro esse ano pq dependendo do resultado das eleições, em 1 de janeiro de 2019 já terá outro projeto protecionista nos moldes do Inovar Auto ou até pior, para “desenvolver a industria brasileira” (tentam nos fazer acreditar nisso, mas na verdade e´apenas uma forma de proteger mercado para algumas empresas que topam produzir carroças aqui e venderem a preços exorbitantes, pra que elas e o governo lucrem em cima do lombo do brasileiro).

  • Alvarenga

    Não precisa de regime algum, as regras e leis ja existem, e acredite se quiser, a industria automotiva é uma das menos cartelizadas atualmente, com tantas empresas realmente concorrentes aqui no mercado. Compare bancos por exemplo, tem apenas 4 ou 5 grandes. Empresas aéreas pior ainda. Alimentação idem. Correio e combustiveis então é um desavergonhado monopolio mesmo. Ou seja, ja vai longe o tempo das “4 grandes”. Se o governo não atrapalhar proibindo importações, aumentando impostos, criando obrigatoriedades inúteis, etc, o mercado automotivo se vira.

  • André

    Estão negociando ainda com as montadoras as malas de dinheiro de propina. Como hoje não são mais só 4 grandes e nem todas tem os mesmos interesses, fica mais difícil levar propina gorda de todas. Calma, já já sai esse acordo.

  • Nicolas97

    Os importadores vão demorar para reconstruir a rede, ameaça só a medio prazo e se as regras não mudarem. Qualquer plano para restringir a importação vai ser rejeitado pela OMC e as sanções seriam imediatas pois já houve a condenação. Um acordo com a Europa evitaria as sanções. Atrasando qualquer plano de redução de impostos, a arrecadação aumenta. A indústria automobilística representa quase 20% do PIB, muito imposto envolvido.

  • Schack Bauer

    Esse rota 2030 podia sair mesmo… Sair e nunca mais voltar hahahaha

  • fabricioaguirre

    A CBA deveria participar das discussões do Rota 2030.

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