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Rural Willys: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Rural Willys: história, anos, versões, motores (e detalhes)
Rural Willys

O Rural Willys é, sem dúvidas, um dos utilitários mais icônicos já comercializados no mercado brasileiro. Ele foi praticamente o precursor dos utilitários vendidos atualmente, sendo considerado por muitos como o primeiro SUV à venda por aqui.

O modelo fez sua estreia em terras tupiniquins em 1956 e começou a ser produzido nacionalmente em 1958.


Willys na Segunda Guerra Mundial

Antes de falarmos a respeito do Rural Willys, vamos conhecer um pouco da história do modelo. Ele foi projetado e fabricado pela Willys-Overland, uma montadora de automóveis de origem norte-americana fundada em 1908 e que durou até 1975.

Antes disso, ela era a Standard Wheel Company, que produzia carros de um ou dois cilindros em 1902, e depois passou a ser a Overland Co, em 1905.


Ela se tornou a Willys-Olverland Co. após ser adquirida por um representante comercial, chamado John Willys. Seu primeiro modelo foi um veículo de dimensões compactos com motor de quatro cilindros.

Posteriormente, lançou também outros dois carros mais luxuosos com motor de seis cilindros. Todavia, o que deu certo no mercado foi o primeiro modelo com motor quadricilíndrico.

No entanto, o grande marco na “vida” da fabricante veio após a Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos apresentou a demanda por um carro de reconhecimento terrestre, com algumas especificações, como tração nas quatro rodas, espaço interno para três soladas, para-brisa dobrável, carga útil de pelo menos 299 kg, motor com ao menos 11,7 kgfm, peso final de menos de 590, entre-eixos de no máximo 2.032 mm e bitolas de até 1.194 mm.

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E o pior: o prazo para que as marcas apresentassem seus protótipos era de só 49 dias. Após isso, elas tinham 75 dias para a produção de 70 veículos funcionais para testes.

Das 135 fabricantes que receberam a proposta, apenas três delas aceitaram: a American Bantam, a Ford e a Willys-Overland.

A Bantam foi a primeira marca a apresentar um protótipo. Porém, a marca acabou não conseguindo atender a demanda para entregar os carros dentro do prazo. Então, a Willys apresentou o Willys Quad e a Ford, o Ford Pygmy.

Esses modelos foram testados e, em 1941 (um ano depois), o exército norte-americano anunciou que precisaria de 16 mil veículos, sendo que todos eles deveriam ser fornecidos por uma mesma marca.

O Willys Quad foi o escolhido, visto que tinha um motor mais potente, um 2.2 litros quatro cilindros de 60 cv e 14,5 kgfm, e também era mais barato de fabricar.

Só que no fim de 1941, a Willys demonstrou não dar conta da demanda. Aí a Ford entrou em ação para ajudar na produção dos utilitários, utilizando o projeto, especificações e patentes da Willys.

O modelo da Ford foi batizado de “Ford GPW”, com o “W” fazendo referência ao projeto e motor da Willys.

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Durante a Segunda Guerra Mundial, a Willys entregou 363 mil veículos, enquanto a Ford produziu cerca de 280 mil exemplares.

Passado tudo isso, a Willys-Overland aproveitou o Willys para oferece-lo aos consumidores finais. Em 1946, a marca anunciou versões voltadas ao mercado civil, como o Station Wagon, que mais tarde seria lançado no Brasil como Rural Willys, e também uma variante picape.

Outra configuração foi anunciada, a “Agri-Jeep”, para substituir os tratores nas fazendas, mas acabou sendo descartada por ser leve demais para o trabalho pesado.

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Lançamento do Rural Willys

Nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial, a Willys começou a anunciar aos consumidores locais que iria oferecer um carro de passeio com as mesmas características do Jeep utilizado durante a guerra.

Ele foi intitulado como “Victory Car”, ou “Carro da Vitória”. Porém, devido a problemas de ordem administrativa de produção e de interesses particulares, esse veículo acabou não sendo fabricado.

Porém, o idealizador do Victory Car, Brooks Stevens, encontrou uma nova solução para viabilizar o projeto. O modelo chegaria ao mercado como uma perua produzida totalmente em chapas de aço.

Até então, esse tipo de veículo feito de aço era inexistente – o mercado era recheado de modelos com chapas de madeira para fazer que utilitários comuns se tornassem carros de passeio.

E foi aí que surgiu o novo Willys Station Wagon em 1946. O modelo utilizou como base o mesmo chassi do jipão utilizado na guerra, seguindo a mesma linha do utilitário militar até no visual, com para-choques robustos e a grade frontal mais reta.

Ele contava com capô, teto e para-lamas na cor vinho e laterais em creme com painéis em marrom claro para imitar a madeira (padrão na época).

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Seu interior foi adaptado para acomodar até seis passageiros. Com os bancos traseiros rebatidos, o compartimento contava com capacidade para até 2.700 litros para a acomodação de bagagens.

Todavia, a adição da carroceria familiar rendeu um aumento de peso de 300 kg frente ao jipe de guerra.

Por conta disso, o motor do utilitário (um 2.2 litros de quatro cilindros, com válvulas de admissão no cabeçote e de escape no bloco, capaz de gerar 64 cv e 14,5 kgfm) acabou sendo fraco demais, tornando o modelo uma decepção em termos de desempenho.

Este propulsor estava acoplado a um câmbio de três marchas, com a opção de uma quarta marcha como Overdrive. Esse recurso, porém, logo se tornou opcional devido à necessidade de uma quarta marcha para melhorar o desempenho da perua.

A tração era sempre traseira – a opção de tração 4×4 chegou em 1949.

Tal problema foi solucionado em partes em 1948 com a adição do motor de seis cilindros com 75 cv.

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Outro modelo baseado no jipão da Willys foi o Willys Sedan Delivery, uma perua furgão destinada ao trabalho, que estreou em 1947.

Em relação ao Willys Station Wagon, este modelo se diferenciava pela ausência das janelas laterais traseiras e também por contar com duas portas traseiras com abertura para os lados. Além disso, no interior havia somente o banco do motorista para aumentar o espaço de carga.

No ano seguinte, em 1948, a marca passou a oferecer o Willys Station Sedan, considerado o modelo de luxo da linha. Ele tinha um visual mais refinado que o do Station Wagon, com novas opções de cores (como uma pintura em padrão xadrez) e um acabamento interno mais esmerado.

A marca vendeu também o Willys Pick-up, que chegou um pouco antes, em 1946. Ele foi o primeiro veículo comercial destinado ao transporte de carga usando a base da Station Wagon, compartilhando ainda a dianteira e a cabine com o modelo familiar.

O utilitário tinha capacidade de carga para 500 kg.

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Chegada do Rural Willys ao Brasil

Antes da estreia da Rural Willys no mercado brasileiro, a Willys já fabricava seus modelos em solo nacional.

A Willys-Overland do Brasil S.A foi fundada por aqui em 26 de abril de 1952 e iniciou a produção do Jeep Willys CJ-5, conhecido por aqui como “Universal”, dois anos depois em sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP). Antes disso, ele era montado em regime CKD pela concessionária Gastal, no Rio de Janeiro.

Com o início a produção do Willys em 1954, o modelo foi considerado pela Associação de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) como o primeiro utilitário nacional.

E já que o jipe era produzido por aqui, a marca viu a oportunidade de lançar uma versão perua para oferecer um carro realmente robusto para encarar as vias precárias do nosso País, mas capaz de transportar toda a família.

Em 28 de junho de 195., a Rural Willys começou a ser produzida em São Bernardo do Campo. Os primeiros exemplares eram fabricados também em regime CKD, com peças importadas e dotados do mesmo visual do modelo comercializado no mercado americano.

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O novo SUV tinha a característica carroceria com pintura “saia-e-blusa”, com as opções de cores azul e branco, verde e branco ou vermelho e branco.

Um ano após seu lançamento, a Rural Willys passou a ter um índice de nacionalização de 100%, com todas as suas peças produzidas localmente.

Fora isso, ela adotou um novo motor nacional fundido, produzido em Taubaté, no interior de São Paulo. Tal motor 2.6 litros de seis cilindros a gasolina gerava 90 cavalos de potência e 18,6 kgfm de torque, com direito a câmbio de três marchas tração 4×4.

De acordo com a Willys, o novo Rural Willys com motor nacional podia atingir velocidade máxima de 130 km/h. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita em torno de 34 segundos.

Em 1960, o SUV brasileiro recebeu seus primeiros retoques visuais. Incorporou a nova carroceria projetada pelo designer americano Brooks Stevens, com uma nova dianteira bem mais moderna e harmoniosa, além de para-lamas mais encorpados.

Muitos dizem que a nova frente lembra o Palácio da Alvorada, em Brasília, se vista invertida.

O Willys adotou também um para-brisa e vidro traseiro inteiriços.

Rural Willys: história, anos, versões, motores (e detalhes)

A próxima grande novidade da Rural Willys foi a versão com tração 4×2, destinada para quem não precisava encarar trechos muito acidentados. Este modelo contava com a alavanca de câmbio na coluna de direção.

Posteriormente, passou a vim também com suspensão independente e molas helicoidais na dianteira no lugar do eixo rígido com feixe de molas.

Em 1965, ganhou limpador de para-brisa elétrico ao invés do sistema a vácuo, grade exclusiva para o modelo 4×2 e câmbio de três marchas com a primeira marcha sincronizada. Já em 1966, trouxe carburador recalibrado, roda-livre no Willys 4×4 e alternador.

No ano de 1967, a Rural Willys incorporava novas mudanças, como um novo painel de instrumentos posicionado na frente do motorista, coluna de direção com trava, novos pedais, câmbio de quatro marchas e um novo volante.

Em 1968, a Willys Overland do Brasil foi adquirida pela Ford. Porém, a linha de jipes foi mantida por um bom tempo. Por outro lado, os sedãs Aero-Willys e Itamaraty foram descontinuados pouco tempo depois.

Uma das primeiras mudanças do Rural Willys (que passou a ser chamado de “Ford Rural” em 1972), foi a introdução do motor 3.0 litros com carburador de corpo duplo herdado do Itamaraty.

Ele conseguia gerar 140 cavalos de potência. Junto a ele, um câmbio de quatro marchas.

Rural Willys: história, anos, versões, motores (e detalhes)

Além disso, o SUV passou a ser vendido em duas versões de acabamento: básica e Luxo.

Com a crise do petróleo, em 1973, o Ford Rural ganhou o motor 2.3 litros de quatro cilindros do Maverick para ficar mais econômico. Este propulsor era mais leve e entrega um bom desempenho mesmo com só 90 cavalos de potência.

Entretanto, com mais de 30 anos de mercado, o Rural já estava velho demais. O SUV deixou de ser produzido localmente em 1977 e, desde então, se posiciona como um dos carros mais desejados pelos entusiastas.

Além do Brasil e dos Estados Unidos, o Rural Willys foi fabricado em outros mercados, como no Japão, onde foi construído pela Mitsubishi com o nome de J37, e também na Argentina, onde foi produzido pela Kaiser e é conhecido como Estanciera.

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Leonardo Andrade

Leonardo Andrade

Leonardo atua no segmento automotivo há quase nove anos. Tem experiência/formação em administração de empresas, marketing digital e inbound marketing. Já foi colaborador em mais de sete portais do Brasil. Fissurado por carros, em especial pelo mercado e por essa transformação que o mundo automotivo está vivendo.

  • Cincinato

    Nunca mais vi esse carro, mas na rua o de cresci tinha um desse, só que não funcionava.

    • Domenico Monteleone

      Foi extinto, como um legítimo dinossauro.

    • MauroRF

      Meu tio teve uma 71, ficou bastante tempo com ela, e ele se arrepende de ter vendido justamente porque poderia ter colecionado, pois a Rural dele estava em ótimas condições.

  • Domenico Monteleone

    Mais raiz que isso é impossível.

    • zekinha71

      Land Rover Defender.

  • Ricardo Blume

    A bichona é bruta. Fez história no Brasil.

  • Mr Tony

    Pra variar, a FORD esteve na vanguarda do mercado e perdeu a mão, kkkkkk

  • Cesar

    0 a 100 em 34 segundos e nego ainda reclama do Renegade

    • zekinha71

      Naquele tempo nem existia asfalto onde esses carros circulavam, velocidade só servia pra chegar mais rápido no próximo buraco.

      • Cesar

        E hoje existe?

        • zekinha71

          Os governos estão fazendo esforços hérculos pra igualar as coisas, estão conseguindo acabar com o pouco asfalto que existe.

    • Verdades sobre o mercado

      Cada um a seu tempo… Renegade Flex é o pior desempenho e maior consumo entre os concorrentes diretos. Tirando este motor inadequado para o veículo e o porta-malas pequeno, todo o resto é muito bom, e ficará ótimo quando chegarem os motores Firefly Turbo.

  • Rafael Santos

    Mais SUV que mtos “SUV” de hoje em dia…. depois que nossas terras tupiniquins chamaram aquele Kwid de SUV…..

  • tvglobonãotemjapa

    Toyota Bandeirantes tb ,feliz pascoa

  • afonso200

    meu pai sempre fala que é um carro de 2 prazeres,,,, mesmo 0km ele era ruim, kkkkkkkk

    • zekinha71

      A Rural é uma sinfonia, a cada esquina é um conserto, os Jeeps são a mesma coisa, sofri bastante com um Overland 63 em 3 anos que fiquei com ele, foram 2,5 quebrado ou consertando.

  • Bruno Jefferson

    meu avô materno tinha uma Rural, adorávamos o carro, ele sempre passeava comigo. Meu avô costumava fazer frete nas cidades do agreste pernambucano, lá no começo dos anos 80, muitas histórias bacanas nesse carro, uma vez meu irmão ,brincando, desengatou a marcha e lá se foi a Rural descendo a ladeira da rua da casa dos meus avós, bons tempos! Teve uma época que a gente brincava de dirigir carro, hoje em dia as crianças nem ligam.

  • Osni Duarte

    Quando mudei ainda criança para Blumenau morei perto do Sr. Grassmann, que tinha uma verde e branca que era muitíssimo bem cuidada. E parecia mover-se em câmera lenta!

  • Baetatrip

    Belo Rural….!
    Que tudo começou atraves dele…
    No interior e nas trilhas veem muito rural praparadas …!

  • Freaky Boss

    Não chame isso de SUV plmdds

    • Saulo Bezerra

      vdd, esse carro merece mais respeito… Meu avô teve uma, pelo que ouvi foram muitos anos. Até hoje meu pai conta como era lubrificar ela com graxa as sextas feiras.

      Aposto que ele tem saudades dessa época :P

  • Luiz Prior

    Tenho uma Rural 4×4 ano 1971.
    Existem milhares rodando ainda!
    No Face temos o grupo Rural e F-75.

  • Luiz Prior

    Nunca foi extinta. Temos milhares rodando pelo Brasil. Tenho uma Rural 4×4 ano 1971. Temos um grupo fechado no Facebook “Rural e F-75”.

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