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São Paulo terá aumento na velocidade máxima nas marginais e outras vias

 

 

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Polêmica, a redução de velocidade nas ruas, avenidas e marginais de São Paulo agora ganha um novo capítulo. Com a eleição de João Doria Jr, o limite de velocidade nas vias da capital paulista deverá mudar já na primeira semana de mandato em 2017.

O candidato eleito prometeu rever a redução imposta pela atual administração municipal, gerenciada por Fernando Haddad. Doria prometeu retomar os limites anteriores, o que significa que as marginais voltarão a ter velocidades máximas permitidas de 60, 70 e 90 km/h, dependendo das pistas (locais, centrais e expressas).

O novo prefeito diz que a mudança só ocorrerá após a alteração da sinalização das vias, conforme estipulado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Nas demais vias de São Paulo, Doria Jr pretende rever caso a caso os limites impostos pelo atual administrador da cidade.

Alvo de polêmica e protestos contra a atual gestão, a redução de velocidade foi imposta para reduzir o número de mortes no trânsito da metrópole. Doria, no entanto, nega que possa haver um aumento no número de vítimas fatais nas vias da capital, pois “com sinalização, fiscalização, com campanhas educativas não haverá aumentos, haverá decréscimo de acidentes”, disse.

Outro ponto polêmico da atual gestão é o uso da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na fiscalização de trânsito. Doria promete retirar a corporação desse serviço, que ficará apenas relegado à CET e também ao policiamento militar. Por fim, manterá os radares já instalados.

Com 970 câmeras instaladas, São Paulo manterá a vigilância, reforçada com o compartilhamento de imagens com o Copom (Centro de Operações) da Polícia Militar. O objetivo é aumentar a segurança na cidade.

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Mortes

De acordo com a atual gestão da prefeitura de São Paulo, a redução nas velocidades limites nas ruas, avenidas e vias expressas da cidade proporcionou redução nas mortes provocadas por acidentes e atropelamentos no trânsito.

De janeiro a agosto, a redução foi de 16,7%, caindo de 775 em 2015 para 645 ocorrências no período desse ano. No estado, a redução foi de 5,5%, três vezes menos que na capital. O número de mortes caiu de 4.093 para 3.867.

Para especialistas, a redução nas fatalidades é resultado direto da velocidade menor nas vias de São Paulo. Para a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Trânsito), se o carro está a 32 km/h, o impacto pode produzir óbito em 5% dos casos. Em 45 km/h, o percentual sobe drasticamente para 48%. Já em 64 km/h, a possibilidade aumenta para 85%.

Em agosto, foram 103 vítimas fatais no trânsito da capital paulista, de acordo com o site Infosiga, que monitora os acidentes na cidade. Desse total, 74 eram homens e 29, mulheres. Os números registram mostram que 31 eram motociclistas, 18 eram ocupantes de veículos e 53 eram pedestres. Foram 19 batidas em objetos fixos e 21 colisões entre veículos.

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Redução no mundo

Várias das cidades mais importantes do mundo tiveram redução de velocidade em suas vias. Nova Iorque, por exemplo, ela é de 40 km/h. Londres, o limite baixou para 32 km/h. Santiago do Chile reduziu de 60 para 50 km/h. Paris, Roma e Barcelona, por exemplo, também fixaram seus limites em 50 km/h.

Nova Iorque e Londres apresentaram queda nas mortes no trânsito, mas Santiago teve alta, mesmo com a redução. Para a ONU, o limite de 50 km/h é o recomendável para as cidades. A entidade recomenda o limite de 30 km/h para áreas com grande concentração de pessoas.

Em São Paulo, a CET apontou queda de 20,6% nos acidentes fatais no primeiro semestre de 2016, caindo de 608 para 380 ocorrências. Foi a primeira vez em dez anos que o número de acidentes fatais na capital ficou abaixo de 1.000. Nas marginais, foram nove fatais em 2016 ante 27 do período anterior.

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Multas

Efeito imediato da redução de velocidade, que gerou ainda mais protestos de motoristas, foi a ampliação da aplicação de multas. De agosto a dezembro de 2015, quando a redução foi implantada, foram aplicadas 2,8 milhões de autuações por excesso de velocidade. No mesmo período de 2014, o volume foi de 1,18 milhão.

Em uma pesquisa do Ibope, divulgada no último dia 19, 53% dos munícipes não eram favoráveis à redução, enquanto 43% aprovaram. Esses números são de 2015. Já em 2016, a pesquisa apontou 50% contra a redução e 47% a favor.

[Fonte: Folha/El País/UOL]

Agradecimentos ao André Lunkes. 







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