Seat pode virar uma Dacia da Volkswagen

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Na península ibérica, a Seat está sendo vista com preocupação pelos espanhóis. O motivo é a declarada atenção do grupo Volkswagen à submarca Cupra, que está ficando cada vez mais forte no mercado europeu.


Antes uma versão esportiva da Seat, agora a Cupra tem seu próprio portfólio, incluindo um crossover bem agressivo, o Formentor, assim como o elétrico Born, versão mais radical do VW ID.3.

Claro, ainda existem Ateca e León vendidos sob o logotipo triangular da Cupra, mas estes são produtos da Seat. O futuro compacto elétrico da Seat poderá ser também um Cupra.

No entanto, conceitos como Tavascan e UrbanRebel mostram que a Cupra irá em direção à Alfa Romeo, como um competidor determinado.

Com foco também na eletrificação, a Cupra terá mais produtos elétricos, mas a tradicional Seat só tem o atual Mii (e-Up) e sem perspectivas para novos produtos elétricos.

Isto está chamando atenção para um caminho que parece lógico, ainda que seja indigesto para a Seat, ou seja, ser uma Dacia da Volkswagen.

A Stellantis, por exemplo, decidiu fazer isso com Citroën e Fiat, mas estas duas já estavam na mira de suas antigas controladoras PSA e FCA.

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Como se sabe, a Dacia é a galinha dos ovos de ouro da Renault e seu baixo custo se reflete estranhamente em altas margens de lucro.

Sendo um contrassenso no cenário atual do mercado automotivo, onde as marcas buscam vender menos e lucrar mais com carros de maior valor agregado, a Dacia prova que não.

As finanças não são totalmente conhecidas e é mais fácil saber a margem de um Renault Clio que de um Dacia Sandero…

Para a VW ter sua Dacia na forma da Seat, o atual portfólio tem que ser mudado.

Em realidade, a VW tem duas opções que podem trabalhar juntas. Uma é a liderança da Skoda em MQB-A0 para emergentes e a outra é a fórmula usada pela Jetta na China.

Lá, os modelos VS5 e VS7 são respectivamente os Seat Ateca e Tarraco, porém, custando muito menos que na Europa.

As duas receitas podem criar rivais de peso para Sandero, Logan, Jogger e Duster, só resta saber se a Seat fecharia a conta no final.

[Fonte: Diário Motor]

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.