Sem motor e sem bateria: Este carro da Audi “a ar comprimido” tem rodas traseiras que se movem como um skatista

Audi Rodas Ar Comprimido 2
Audi Rodas Ar Comprimido 2

Brinquedo de carrinho de mola é divertido justamente porque ninguém precisa explicar de onde vem a energia, mas a Rosmar H decidiu tentar levar essa fantasia para a vida real.

O protagonista do caso é um protótipo com cara de Audi, defendido por Adrian Roșca, que substitui a ideia de “mola” por um sistema baseado em ar comprimido.

A empresa afirma ter registrado uma patente para um método de mover o veículo quando ele está travado em lama, neve, gelo ou areia, e também em rampas acima de 45°.

A proposta aparece como uma alternativa à tração integral, partindo de um raciocínio incomum: se o maior problema no piso escorregadio é o pneu girando, então não gire o pneu.

Em vez disso, o conceito tenta “mover o carro”, usando pistões pneumáticos grandes e longitudinais que atuam em sequência e, na prática, parecem puxar a estrutura adiante.

Audi Rodas Ar Comprimido 1
Audi Rodas Ar Comprimido 1

Na descrição, o ar é liberado em etapas para gerar deslocamento, como se o conjunto inteiro estivesse sendo tracionado por um mecanismo linear em vez de rodas motrizes.

Para completar o pacote, a Rosmar H sugere que a inércia do carro poderia ajudar a recuperar energia no retorno dos pistões, numa analogia com frenagem regenerativa.

O problema é que, sempre que o sistema usa o movimento do veículo para “recarregar” o tanque principal, ele necessariamente rouba parte da velocidade do próprio carro.

Quem já ouviu falar de perdas parasitas entende a armadilha: cada conversão de energia cobra pedágio, e esse pedágio vira calor, ruído e ineficiência.

A grande pergunta, então, é de onde vem a energia inicial, já que o protótipo não cita motor, não cita bateria e não oferece um “combustível” alternativo além do ar.

O que existe é um reservatório pressurizado que funciona como estoque de energia, e a ideia seria completar esse tanque em casa com um compressor adequado.

Em uma demonstração, a empresa chega a sugerir que um carro em escala real faria 0–96 km/h em 0,3 s, um número que soa mais como provocação do que meta plausível.

Mesmo tratando como hipótese, o limite físico aparece quando se estima quanta energia cabe em um tanque de ar, porque pressão não cria energia, só armazena.

Em conta de guardanapo, um tanque de 25 galões com ar a 2.000 psi guardaria algo entre 0,65 e 1,3 kWh de energia potencial, dependendo de como o ar é liberado.

Para comparar a escala, um EV grande como o Hummer EV trabalha com cerca de 170 kWh de bateria utilizável, mostrando o abismo entre “andar um pouco” e “andar de verdade”.

No fim, o protótipo até pode se mover e até pode ajudar em situações muito específicas de atolamento, mas transformar isso em propulsão eficiente ainda parece uma aposta contra a termodinâmica.

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