
A pressão sobre marcas de luxo cresce quando fábricas, empregos e alianças industriais entram na mesma equação, e a Maserati agora aparece exatamente no centro desse tipo de disputa dentro da Stellantis.
Antonio Filosa, diretor-presidente da Stellantis NV, afirmou que o grupo negocia com dois potenciais parceiros para a Maserati, movimento que pode afetar diretamente as unidades italianas ligadas à produção da marca.
A declaração foi feita na quarta-feira, durante uma audiência parlamentar em Roma, quando o executivo respondeu a perguntas sobre o futuro da Maserati e da fábrica de Cassino.
Segundo Filosa, as conversas envolvem duas empresas importantes capazes de aportar tecnologias e uma série de ideias consideradas excelentes, embora ele não tenha revelado os nomes.
O executivo disse ainda que a companhia avalia com qual dessas parceiras pretende trabalhar no futuro, sem detalhar cronograma, escopo industrial ou áreas específicas dessa possível colaboração.

Um ano após assumir o comando da Stellantis, Filosa tenta reduzir a apreensão de interlocutores decisivos, entre eles o governo italiano, sobre o destino dos investimentos do grupo.
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Essas preocupações cresceram porque a Stellantis vem indicando a possibilidade de concentrar parte relevante dos próximos aportes fora da Europa, tema sensível para sindicatos e autoridades políticas.
Ao mesmo tempo, a empresa acumulou uma sequência de acordos com montadoras chinesas, o que ampliou o desconforto entre representantes trabalhistas e membros do ambiente político italiano.
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Negociação de parceria para a Maserati e novo plano em dezembro: isso tranquiliza sobre Cassino?
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Filosa procurou afastar esse temor ao afirmar que não existe plano para vender a Maserati nem a fábrica de Cassino, localizada nas proximidades de Roma.
Ele declarou que o futuro de Cassino estará estreitamente ligado ao da Maserati, reforçando que a fabricante de luxo seguirá como um ícone do estilo italiano.

Para sustentar essa mensagem, o CEO adiantou que o novo plano estratégico da Maserati será apresentado em dezembro e terá caráter ambicioso dentro da reorganização pretendida.
De acordo com Filosa, esse projeto incluirá dois novos modelos-chave, peça central para redefinir o posicionamento da marca e recuperar tração num momento de fragilidade operacional.
Ao falar aos parlamentares, ele repetiu de forma categórica que nem a Maserati nem Cassino estão à venda, tentando encerrar uma das especulações mais sensíveis do debate.
Ainda assim, o executivo reconheceu que parcerias de colaboração podem acontecer em Cassino, como também em outras unidades, tanto no desenvolvimento quanto na fabricação de veículos.
Esse ponto é relevante porque a planta de Cassino monta automóveis da Maserati e também da Alfa Romeo, o que amplia o peso estratégico de qualquer decisão ali.
Filosa acrescentou que a parceria em discussão para a Maserati também teria implicações para a unidade de Modena, onde outros modelos da marca são produzidos.
Uma terceira fábrica entrou no radar das possibilidades levantadas pelo executivo: Pomigliano, perto de Nápoles, onde a Stellantis quer concentrar EVs acessíveis de alto volume.
Segundo Filosa, essa instalação também pode se tornar candidata a uma futura cooperação industrial, dependendo do desenho final das tratativas que o grupo mantém em andamento.
Ele explicou que todas as parcerias estruturadas na Itália devem seguir o mesmo modelo adotado com a Zhejiang Leapmotor Technology Co. e com a Dongfeng Motor Corp.
Nesse formato, a Stellantis preserva o controle por meio de joint ventures nas quais detém 51% de participação, fórmula que indica abertura a alianças sem abrir mão do comando.
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