
Nove marchas no papel podem virar sete na estrada, e essa diferença agora alimenta uma nova disputa judicial contra a Stellantis nos Estados Unidos.
A ação coletiva, divulgada pelo Top Class Actions, foi apresentada por Victor Gonzalez e Stuart Glick contra a fabricante das vans Ram ProMaster 2022 e 2023.
O ponto central não é a existência física da transmissão automática de 9 marchas, já que o câmbio realmente traz nove relações internas distintas.
A acusação afirma que, na prática, as ProMaster seriam lentas demais para acionar a oitava e a nona marchas em condições reais de uso.
Isso transformaria o conjunto, segundo os autores da ação, em uma transmissão efetivamente de 7 marchas, apesar da publicidade feita pela Stellantis.

A mudança havia substituído o câmbio automático de 6 marchas usado até 2021, apresentada como uma evolução técnica para a linha comercial da Ram.
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Segundo o processo, as marchas superiores prometiam reduzir as rotações do motor em comparação ao conjunto antigo, algo verdadeiro apenas se elas forem usadas.
A tese dos autores é que, se a van não chega às duas relações mais longas, o benefício anunciado deixa de existir na condução cotidiana.
A Stellantis também é acusada de saber, ou ao menos dever saber, dessa limitação antes de vender os modelos como veículos com câmbio de 9 marchas.
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A Ram ProMaster 2022/2023 deveria usar de fato todas as 9 marchas anunciadas para entregar o prometido?
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A defesa possível passa justamente pelo detalhe técnico: a transmissão tem nove relações, mesmo que a programação eletrônica não explore todas em qualquer situação.

A discussão lembra um episódio inverso envolvendo a DaimlerChrysler, que no passado vendeu um câmbio de 6 marchas com apenas quatro ou cinco habilitadas.
Todas as versões da ProMaster usam o conhecido motor Pentastar V6 de 3,6 litros, aplicado pela Stellantis em uma ampla variedade de modelos.
Na ProMaster 2022, esse V6 entrega 284 cv e 35,9 kgfm, números que também aparecem próximos aos de carros de passeio da marca.
O mesmo motor era a opção básica do Dodge Charger naquele ano, mas a Car and Driver avaliou que ele não tinha o fôlego de rivais de tração dianteira como o Nissan Maxima.
Colocado em uma van grande, alta e com formato de caixa, o V6 passa a trabalhar em um cenário bem mais exigente do que em um sedã.
O processo usa justamente essa combinação de peso, aerodinâmica e desempenho para sustentar que o conjunto dificilmente alcançaria as marchas mais longas.
A comparação com o Ford Transit, porém, mostra que uma van grande não está automaticamente condenada a ignorar as relações superiores do câmbio.
Um Transit 2021 na versão mais longa e mais alta usa motor V6 de 3,5 litros sem EcoBoost, com 279 cv e 36,2 kgfm.
Apesar da proposta semelhante e da potência próxima à do Pentastar, esse Ford trabalha com uma transmissão automática de 10 marchas.
Após cerca de 20.000 milhas, aproximadamente 32.000 km, rodadas por diferentes regiões dos Estados Unidos, o relato indica uso real de todas as marchas.
Rebocando um trailer fechado para motocicleta no modo Tow/Haul, o Transit raramente chega à décima, pois o programa privilegia força em marchas baixas.
Ainda assim, em rodovias planas e abertas, a décima aparece, enquanto no modo Normal e sem reboque as marchas altas dominam em velocidade de cruzeiro.
A diferença pode estar nas relações escolhidas pela Ram, na calibração eletrônica da transmissão ou em outro fator específico da ProMaster.
Nada disso, porém, está definido fora da corte, e a acusação ainda precisa provar que as vans realmente se comportam como modelos de 7 marchas.
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