
As vendas abaixo do esperado de Fiat Titano e Ram Dakota levaram a Stellantis a reduzir o ritmo de produção das duas picapes em Córdoba, na Argentina.
A fabricante confirmou à imprensa argentina que está ajustando sua operação conforme a evolução da demanda nos mercados interno e de exportação.
Fontes sindicais ouvidas na Argentina relacionam diretamente a mudança à procura menor que a projetada pelos dois modelos, peças centrais da recente estratégia regional da Stellantis.
A decisão chama atenção porque Córdoba recebeu investimento de US$ 385 milhões (R$ 1,97 bilhão) anunciado em setembro de 2024 para se tornar um polo regional de picapes.
Segundo números citados pelo UOL a partir do site argentino A Rodar Post, o planejamento original previa 18 mil Dakota e nove mil Titano neste ano.

A nova projeção teria recuado para aproximadamente 12 mil Dakota e 4,5 mil Titano, totalizando 16,5 mil unidades e representando redução próxima de 39%.
Esses volumes específicos não foram confirmados pela Stellantis, mas ajudam a dimensionar a diferença entre a expectativa criada para Córdoba e o desempenho comercial observado até agora.
A Titano chegou ao Brasil em março de 2024 tentando aproveitar a experiência da Fiat, marca que domina as compactas com Strada e ganhou espaço entre intermediárias com Toro.
Seu preço inicial era de R$ 219.990, acompanhado por motor 2.2 turbodiesel, tração 4×4 com reduzida, bloqueio traseiro e capacidade superior a uma tonelada.
A origem do projeto, entretanto, era diferente daquela dos outros sucessos da Fiat, pois a Titano deriva da Peugeot Landtrek desenvolvida junto da chinesa Changan.

A primeira versão brasileira vinha do Uruguai com conjuntos importados da China e apresentava alterações relativamente limitadas para assumir a identidade visual da Fiat.
Preço competitivo ajudava, mas suspensão bastante firme, movimentos de carroceria sem carga e acabamento menos refinado dificultaram sua disputa contra concorrentes já bem estabelecidas.
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O cenário também era exigente porque a nova Ford Ranger havia elevado o padrão do segmento, enquanto Toyota Hilux e Chevrolet S10 mantinham reputação construída ao longo de décadas.
A transferência da produção para Córdoba em 2025 trouxe mudanças relevantes, incluindo motor 2.2 Multijet de 200 cv e 45,5 kgfm no lugar da unidade anterior de 180 cv.
A transmissão automática passou de seis para oito marchas, a direção tornou-se elétrica e a suspensão recebeu novo acerto, enquanto a versão Ranch ganhou mais assistências eletrônicas.

Mesmo atualizada e com preços a partir de R$ 238.490, a Titano ainda enfrenta um mercado em que tradição, revenda, pós-venda e confiança pesam fortemente.
A Stellantis então ampliou sua aposta com a Ram Dakota, que compartilha a base industrial e o conjunto mecânico da Titano, mas recebe acabamento e calibrações próprios.
A Dakota estreou por R$ 249.990 já equipada com motor de 200 cv, câmbio de oito marchas e recursos de assistência que faltavam à primeira Titano.
O novo produto, porém, também passou a disputar atenção dentro da própria Ram, especialmente contra a Rampage, modelo mais barato em determinadas versões e já consolidado comercialmente.
Essa diferença aparece nos números apresentados pelo UOL: a Dakota soma aproximadamente 3,2 mil unidades neste ano, enquanto a Rampage alcança cerca de 16,8 mil.

Até agosto, a Titano acumulava aproximadamente 3,5 mil unidades, diante de mais de 30 mil da Hilux, quase 24 mil da Ranger e mais de 20 mil da S10.
A Mitsubishi Triton registrava 8,6 mil unidades, enquanto a GWM Poer já superava 4,5 mil, deixando Titano e Dakota abaixo de várias concorrentes diretas.
Dentro da própria Stellantis, a distância também é expressiva, com Strada acima de 113 mil unidades, Toro próxima de 38 mil e Rampage perto de 17 mil.
Na Argentina, onde Titano e Dakota são fabricadas, Hilux, Ranger e Amarok continuam concentrando grande parte da procura, reforçando a necessidade de rever o ritmo da fábrica.




