
A Stellantis reorganiza sua liderança europeia justamente quando a região acumula perda de participação, resultado negativo e pressão crescente das marcas chinesas sobre suas operações.
Arnaud Belloni, até então responsável pelo marketing do Renault Group, assume como CEO de Fiat, Abarth e Lancia e também como diretor de marketing da região.
A mudança transfere a Belloni grande parte das atribuições de Olivier Francois, atual responsável pela Fiat Europe e pelo marketing europeu da Stellantis.
Francois ajudará na transição até meados de outubro e depois passará a atuar como conselheiro estratégico dentro da estrutura do grupo automotivo.
Na Renault, Belloni participou dos lançamentos de Twingo, Renault 4 e Renault 5 elétricos e da renovação de modelos como o SUV compacto Austral.

Anteriormente, na Citroën, o executivo também foi responsável pelas áreas de vendas e marketing do Ami, pequeno quadriciclo elétrico da marca francesa.
Últimas notícias
Xavier Peugeot, atual CEO da DS Automobiles, passa a comandar a Jeep na Europa em uma função criada especificamente para fortalecer a marca na região.
Fabio Catone, responsável pelas operações comerciais europeias de Jeep, Ram e Dodge, ficará subordinado a Peugeot nessa nova estrutura de administração.
Xavier Peugeot pertence à família fundadora da marca Peugeot, importante acionista da Stellantis, e já comandou estratégia de produto da Citroën e comerciais leves da PSA.
Xavier Chardon continuará como CEO da Citroën e acumulará também o comando da DS Automobiles, aproximando novamente a marca premium de suas origens.

Roberta Zerbi, anteriormente responsável pela Lancia, seguirá concentrada em experiência do cliente e desenvolvimento da rede europeia, função que assumiu em maio.
Antonio Filosa, CEO da Stellantis, afirmou que as nomeações aceleram o plano Fastlane 2030 e devem reforçar Jeep e reposicionar Lancia e DS como marcas especializadas.
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A estratégia prevê integrar Lancia mais estreitamente à Fiat e DS à Citroën, reduzindo a independência operacional de marcas com alcance comercial mais limitado.
Globalmente, Stephanie Hartgrove, com passagens por Johnson & Johnson e GE, torna-se diretora de comunicação e responderá diretamente a Antonio Filosa.
Hartgrove substitui Clara Ingen-Housz, que passa a liderar as áreas de políticas públicas e estratégia regulatória do grupo em nível internacional.

A Stellantis mantém nove marcas baseadas na região: Abarth, Alfa Romeo, Citroën, DS, Fiat, Lancia, Maserati, Opel/Vauxhall e Peugeot.
Jeep também possui presença relevante, com modelos específicos como Avenger e Compass, enquanto o grupo produz ampla gama de comerciais leves, inclusive para a Toyota.
Parcerias com fabricantes chinesas avançam paralelamente, incluindo a Leapmotor, que começará produção em fábricas espanholas da Stellantis ainda neste ano.
Um arranjo semelhante com a Dongfeng está planejado para uma fábrica da Citroën em Rennes, na França, ampliando a integração industrial com empresas chinesas.
A necessidade de mudanças fica evidente nos resultados europeus, pois a região registrou prejuízo de €94 milhões (R$ 565,4 milhões) no segundo trimestre.
Foi a única região da Stellantis com resultado negativo no período, reforçando a diferença de rentabilidade em relação às demais operações globais.
A participação da Stellantis na União Europeia, Reino Unido e países da EFTA caiu 6,4 pontos percentuais desde 2021, de 21,7% para 15,3%.
Esse foi o maior recuo entre fabricantes tradicionais da região, enquanto marcas chinesas conquistaram quase 10% do mercado no mesmo intervalo.
As vendas da Jeep também diminuíram 6,5% nos primeiros sete meses, segundo números da empresa de pesquisa de mercado Dataforce.
Sob Filosa, a Stellantis reduziu suas ambições europeias e passou a priorizar a América do Norte, historicamente responsável por uma parcela bem maior dos lucros.
O Fastlane 2030 prevê reposicionamento de marcas, forte redução da capacidade industrial, novas alianças chinesas e metas de margem significativamente menores na Europa.
Peugeot, Fiat, Jeep, Ram e a divisão Pro One receberão juntas 70% dos investimentos destinados a novos modelos dentro da nova estratégia.
Alfa Romeo, Citroën e Opel/Vauxhall formam um segundo grupo com enfoque regional, enquanto Lancia e DS passam para uma terceira categoria de marcas especializadas.
Lancia ficará concentrada principalmente na Itália sob gestão da Fiat, enquanto DS terá atuação prioritariamente francesa e ficará subordinada à Citroën.
Para a DS, a decisão representa uma aproximação às origens depois de a marca premium ter sido separada formalmente da Citroën em 2014.
A Maserati permanece em situação delicada e já foi associada a especulações sobre uma possível venda, inclusive com interesse atribuído à BYD em marcas europeias tradicionais.
Belloni começou sua carreira automotiva na Renault em 1993, passou pela Skoda em 1999 e ingressou na Fiat Chrysler em 2004.
Ele retornou à França em 2015 como diretor global de marketing, comunicação e esporte da Citroën e voltou ao Renault Group em 2020.
As mudanças anunciadas em 31 de agosto complementam outra reorganização feita no início de agosto, envolvendo operações asiáticas, custos, Jeep e Ram.
Tianshu Xin assumiu China e Ásia-Pacífico em 3 de agosto, mantendo também o cargo de CEO da Leapmotor International e respondendo diretamente a Filosa.
Na mesma data, Pablo Di Si, ex-presidente e CEO do Volkswagen Group North America, tornou-se diretor de desempenho para executar o programa de redução de custos.
Gregoire Olivier passou a atuar como conselheiro estratégico de Tianshu Xin, enquanto Matt VanDyke assumiu a Ram em 20 de julho.
Branden Cote tornou-se CEO da Jeep em 3 de agosto, substituindo temporariamente Bob Broderdorf, afastado por motivos médicos.
