Coreia do Norte: Suécia ainda cobra os Volvo não pagos

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Os anos 70 e 80 produziram vários negócios interessantes e até intrigantes envolvendo automóveis, empresas de outros setores e governos, especialmente entre países capitalistas e comunistas.


Carros trocados por bens e insumos não era nada estranho, como VW Passat brasileiro em troca de petróleo do Iraque ou a Coca-Cola trocando refrigerante gasoso por automóveis da Lada, por exemplo.

Até a Nova Zelândia queria carros brasileiros em troca de leito em pó. Todavia, nem todas as operações internacionais envolvendo automóveis foram mero escambo.

Na Suécia, por exemplo, o negócio envolvia dinheiro e, nesse caso, Estocolmo pode ter desejado receber algum produto da Coreia do Norte.

Pois é, foi exatamente lá que um dos piores negócios já feitos foi realizado. Tudo envolveu um emblemático modelo da Volvo, o sedã P144.

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Nos anos 70, a Coreia do Norte comprava muitos produtos da Suécia e aparentemente pagava por eles.

Como já tinha uma relação comercial boa com Pyongyang, chegando mesmo a abrir uma embaixada no país asiático, sendo inclusive o primeiro país alinhado a fazê-lo, a Suécia não viu problemas em vender carros.

Num acordo realizado entre os dois governos e a Volvo, os dirigentes comunistas da Coreia do Norte deveriam receber 1.000 exemplares do modelo P144.

Pyongyang poderia ter pedido carros à URSS ou China, seus aliados políticos e ideológicos, porém, observou a fama de confiabilidade dos carros da Volvo, em especial do P144, como atrativo para durar mais que os correspondentes chineses e soviéticos.

Eles também queriam o estilo europeu da Volvo e isso fez com que a montadora produzisse 1.000 exemplares específicos para a Coreia do Norte em um ano.

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Após produzir o lote, a Volvo os enviou à Coreia do Norte. Contudo, o dinheiro dos coreanos não chegou. Só em 1976 é que a Suécia, após indenizar a montadora pelo negócio, começou a cobrar o país asiático.

A partir daí, a cada dois anos, Estocolmo lembra Pyongyang que a dívida continua a existir, hoje em US$ 314 milhões ante os US$ 124 milhões originais, que os coreanos do norte jamais pagaram.

Com quase 50 anos de dívida, dificilmente o país (ainda comunista) pagará, exceto se a chinesa Geely, dona da Volvo, buscar alguma ajuda em Pequim, aliada da Coreia do Norte. Será?

De qualquer forma, o P144 é pouco visto no país asiático, dada a falta de manutenção natural, afinal, como oferecer pós-venda para carros não pagos?

Sobre o P144, tinha duas e quatro portas, além da bela perua. Ele fez muito sucesso no Ocidente, tanto na América do Norte quanto em toda a Europa.

Infelizmente, ao chegar ao Brasil, a Volvo não trouxe seus bons automóveis…

[Fonte: Auto Evolution/Fotos: Roman Harak, Jonas Gratzer e Tanya L. Procyshyn]

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.