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Fiat Tempra: história, versões, motores, equipamentos (e detalhes)

O Fiat Tempra foi um sedan moderno e revolucionário que chegou ao Brasil em 1991.

O Tempra também foi o primeiro carro com 16 válvulas por aqui, em 1993, e no ano seguinte foi o primeiro sedan com turbo em nossas ruas.


Fiat Tempra: história, versões, motores, equipamentos (e detalhes)

Hoje o lançamento do Tempra está chegando perto dos seus 30 anos, e muitos de nós ainda se lembram dele como o modelo que deu o início da Fiat no segmento dos sedans médios no Brasil.

Vamos ler primeiro sobre a história do Tempra lá na Europa e depois falar sobre a trajetória dele aqui no Brasil.


Fiat Tempra 1990 – 1996 na Europa

A primeira geração do Fiat Tempra apareceu na Europa em fevereiro de 1990 como uma derivação do hatch Tipo.

O nome Tempra, vem do italiano temperamento, algo que o modelo tinha e de sobra. No quesito design, o Fiat Tempra tinha um visual bem equilibrado e bastante moderno.

Diferente do seu antecessor Regata, que era mais clássico e tradicional, o Tempra tinha uma linha de cintura mais alta, o que significava que o modelo teria um espaço interno melhor que o modelo que acabara de sair de linha.

Perante os concorrentes o Tempra se sairia melhor para acomodar os passageiros e suas bagagens.

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O modelo tinha bons números também a seu favor, com entre eixos de 2.54 metros, 1.69 metros de largura e 4,35 metros de comprimento, faziam dele um sedan com proporções generosas para um sedan de seu segmento.

O espaço interno era o suficiente para cinco adultos viajarem com certo conforto e o porta malas carregava bons 550 litros, mesmo que ainda levasse também o estepe por de baixo do assoalho do porta malas.

Fiat Tempra: história, versões, motores, equipamentos (e detalhes)

O desenho interno também era moderno com destaque para itens como o teto solar elétrico, e quadro de instrumentos e ar condicionado digitais – um item ainda pouco explorado para modelos médios tão populares como o Tempra viria a ser.

No quesito motorização o Tempra europeu dividia as mesmas opções disponíveis com o irmão Tipo, sendo que as versões básicas vinham com motor 1.4 litro a gasolina com 76 cavalos de potência e iam até um 2.0 litros de 115 cavalos.

Com o diesel as opções ficavam restritas inicialmente ao motor 1.9 litro que poderia vir aspirado e render 65 cavalos ou com o auxílio de turbo e render 90 cavalos.

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Em abril do mesmo ano os europeus conheciam a perua que atendia pelo nome de Tempra SW, que tinham os mesmos itens de série do Tempra sedan, com a diferença de ter mais porta malas a disposição.

Para 1991 a Fiat passa a oferecer na linha Tempra a opção de câmbio automático de 4 marchas e uma inédita versão com tração nas quatro rodas para a Tempra SW.

No ano seguinte as melhorias agora se concentravam no motor, que ganhavam injeção eletrônica e catalisador que não visavam exatamente o ganho de potência, mas sim a eficiência energética dos novos componentes.

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O câmbio automático de 4 velocidades foi um dos primeiros disponíveis em um modelo médio da marca.

De início o Tempra foi oferecido apenas com a opção de motor 1.6 litro e o câmbio automático e posteriormente a versão SX com motor 2.0 litros passava a receber o câmbio de 4 velocidades.

Da mesma forma que o Fiat Tipo foi utilizado para dividir suas tecnologias e sua plataforma com outros modelos do Grupo Fiat, com o Tempra não foi diferente.

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O modelo deu origem a versão sedan do Lancia Dedra e do Alfa Romeo 155, que dividiam basicamente tudo, desde plataforma a componentes elétricos, mas de resto cada marca aplicava seu design e suas carrocerias com aspecto próprio.

Em abril de 1993 a linha Tempra recebe um facelift que basicamente se concentrava na grade dianteira, novos faróis e alguns novos detalhes no interior também.

O modelo seguiu em linha com essas alterações no velho continente até agosto de 1996, quando foi substituído pelo Fiat Marea, um sedan derivado do Brava/Bravo, que tinha uma plataforma mais moderna e desenho mais esportivo que o Tempra.

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O Marea também ganhou uma versão turbo no mercado europeu e uma versão perua que tanto por lá como aqui ficou conhecido como Marea Weekend.

Fiat Tempra 1991 – 1998 no Brasil

O Tempra foi apresentado no mercado nacional em novembro de 1991, com a promessa de ser um sedan médio que iria marcar a Fiat por aqui.

Como ele tinha acabado de ser lançado na Europa, o nosso Tempra estava fresquinho, em pé de igualdade com o modelo europeu, exceto por alguns detalhes como o motor a diesel e outras pequenas alterações cosméticas como a ausência dos piscas nas laterais da carroceria.

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Tempra Ouro e “Prata” com carburador

De início o modelo veio em duas versões disponíveis, o Tempra Ouro, mais completo, e uma versão básica que depois acabou por ser chamada no mercado de “Prata”.

O modelo estava sendo fabricado na planta em Betim, Minas Gerais, e vinha no começo com um motor 2.0 litros com 99 cavalos de potência.

O lado ruim é que o Tempra ainda era equipado com carburador, ao passo que o Monza, por exemplo, na época já tinha injeção eletrônica. O Omega, que seria lançado em 1992, também tinha injeção e muitos outros itens superiores.

Diferentemente de outros modelos o Tempra era um projeto único, com plataforma e componentes apenas divididos com o hatch Tipo.

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No lado bom, o Tempra nacional tinha um acabamento refinado perante a concorrência, aliado com um desenho elegante que estava em pé de igualdade com o mercado europeu.

Por aqui seus maiores concorrentes eram o já citado Chevrolet Monza e também a dupla VW Santana e Ford Versailles, que nada mais era que uma versão de duas portas do Santana.

Mas em relação a estes concorrentes, o Tempra trazia alguns equipamentos inéditos dentro da gama Fiat, como ajustes de altura e profundidade do volante e também ajuste de altura do banco do motorista.

Antes de ser aprovado para ser vendido no mercado nacional, o Tempra italiano recebeu alguns ajustes mecânicos e estruturais para aguentar melhor a situação das nossas ruas lunares.

Por aqui ele recebeu novos pontos de solda nos chassis para ser mais resistente e alguns ajustes na suspensão para não sofrer tanto.

Outro ponto um pouco mais curioso era que o modelo foi reposicionado na questão de grau de importância.

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Na Europa o Tempra ficava abaixo do Fiat Croma, que era considerado médio grande, e como por aqui não existia um modelo acima do Tempra, ele acabou por se tornar o sedan topo de linha da marca.

Para se adequar melhor a nossas ruas e estradas, a solução encontrada para baratear o custo com as novas suspensões e outras melhorias foi pegar soluções já existentes nas prateleiras da marca.

A nova suspensão traseira do tipo McPherson era a mesma usada em modelos como o Alfa Romeo 164, Lancia Thema e do sueco Saab 9000.

Outro ponto alterado foi a carroceria de monobloco que recebia novos reforços estruturais assim como novos pneus mais altos. A Fiat optou por utilizar um motor importado, que no caso era o argentino 2.0 litros, que vinha dos primos Fiat Regatta e Ritmo.

Com uma concepção mais antiga que outros motores da época, o Fiat Tempra acabava por ficar para trás por não ter algumas soluções simples e modernas como a injeção eletrônica.

Com isso o modelo passou a ter problemas de perda de potência em relação aos demais concorrentes e ter problemas com os gases do escapamento que as vezes eram sentidos no interior do veículo, e fizeram o modelo ser apelidado nada carinhosamente de “ovo podre.”

O motor argentino rendia apenas 99 cavalos e tinha torque de 16,4 kgfm, o que não era ruim caso o sedan não pesasse um pouco mais de 1.250 kg.

Mas a solução para esse problema seria resolvida com a vinda da versão Turbo.

Tempra “Coupé” 2 portas

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Mas antes do modelo receber a variante com motor mais potente, ele recebeu em setembro de 1992 uma versão de duas portas que era muito aclamada pelo público, pois outros modelos já ofereciam tal versão como o Volkswagen Santana e o Chevrolet Monza.

Junto com ela o câmbio teve suas relações reduzidas, para amenizar o problema do desempenho.

O Tempra de duas portas era chamado em comerciais de Tempra Coupé.

Mesmo que o modelo tivesse um apelo mais esportivo, a versão de duas portas não demorou muito para sair do mercado, pois nessa ocasião o mercado começava a dar mais importância às quatro portas em carros mais caros.

Tempra 16v

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Apenas em março de 1993 o Tempra perdia o estigma de fraco, com a chegada da versão 2.0 litros com 16 válvulas que agora atingia 127 cavalos, com velocidade máxima de 202 km/h e fazia o 0a100 em 9,8 segundos, muito melhor que os 12,28 segundos da versão 8 válvulas.

A imprensa afirmava que o modelo tinha uma potência bem maior, acima dos 140 cavalos, mas a Fiat divulgava que ele tinha 127 cavalos para pagar menos impostos.

O IPI era bem reduzido para carros de motor até 1.000 cm3, ficava em apenas 5%. Para carros com motores maiores e até 127 cavalos, o imposto era de 17%. E acima disso subia para 35%.

O torque do Tempra 16v era de 18,4 kgfm, cerca de 2 kgfm a mais que a versão com 8 válvulas, mas ainda assim o suficiente para fazer o modelo perder o estigma de fraco.

O motor era oferecido apenas na versão Ouro nas carrocerias de duas ou quatro portas.

Tempra Turbo / Tempra Stile

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Mas ainda existiam pessoas que achavam que o fato de ter 16 válvulas e ter 127 cavalos era pouco, e para esses clientes a Fiat apresentou em 1995 o Tempra Turbo.

O sedan agora rendia ótimos 165 cavalos de potência (a mesma potência do Omega 3.0, por exemplo) e torque de 26,5 kgfm.

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A velocidade máxima agora era de 210 km/h e fazia o 0a100 em 8,2 segundos.

Além do novo motor, o Tempra Turbo tinha algumas diferenças estéticas, como grade dianteira diferente, novas rodas, nova saia lateral e um aerofólio na traseira.

O painel agora também ganhava uma atenção especial, onde recebia um novo desenho e um novo volante, ar condicionado com controle automático, alarme, vidros e travas elétricos além de computador de bordo e novas rodas de 14 polegadas.

E o Tempra Stile?

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Bem, se tratava da versão mais comportada, com quatro portas, mas sem aerofólio traseiro e com o motor turbo do Tempra Turbo. Ela supria uma lacuna de clientes que desejavam um sedan clássico e familiar mas com uma potência elevada.

Tempra SW

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Já para o final de 1995, a Fiat apresenta a versão perua do Tempra, a Tempra SW que já tinha 5 anos de vida no mercado europeu.

A demora se deve a taxa de alíquota de importados que só veio ter uma redução a partir de 1995.

O visual da Tempra SW não agradava muito, pois era muito retilíneo e considerado por muitos bastante desarmônico. Mas o bom espaço interno e a boa capacidade do porta malas eram os seus maiores motes de venda.

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A principio a Tempra SW vinha com um motor 2.0 litros de 8 válvulas que rendia 115 cavalos, que era significativamente mais potente que o nosso, devido a alterações e o fato de que a versão europeia usava injeção multiponto.

Ela também tinha um detalhe exclusivo: um painel digital que não existia no Tempra sedan.

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A suspensão da SW era idêntica à do Tempra italiano, sendo diferente do nosso modelo que recebia uma série de alterações para se adequar ao nosso piso danificado, o que acabou por se tornar melhor do que a versão adaptada para nosso piso depois de alguns testes.

Tempra atualizado em 1996 e depois em 1998

Para 1996 a Fiat apresenta uma reformulação na estética do Tempra, com faróis de perfil baixo e novas lanternas traseiras com um desenho interno arredondado.

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Sua variante europeia já tinha se despedido em 1996, quando deu lugar ao Bravo/Brava e Marea nas versões sedan e Weekend – perua.

O Tempra então se despediu do mercado nacional em novembro de 1998, depois de ter ganhado outra atualização visual, desta vez com uma grade dianteira de gosto duvidoso.

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Nesta ocasião ele tinha visto o Marea chegar ao mercado alguns meses antes.

O modelo, apesar de alguns problemas que teve ao longo de sua jornada conseguiu mostrar para o mercado nacional que a Fiat sabia fazer um sedan médio de qualidade e com motores modernos e tecnologias atuais.

Ao longo de sete anos de vendas o modelo teve 204.795 unidades vendidas, o que significa que conquistou milhares de consumidores que estavam ávidos por um sedan da marca italiana.

Ficha Técnica

Fiat Tempra 1993 2.0 16v

Motor: transversal, 4 cilindros, refrigerado a água, 1 995 cm3, 16 válvulas, duplo comando, injeção multiponto, gasolina; Diâmetro x curso: 84 x 90 mm; Taxa de compressão: 9,5:1;

Potência: 127 cavalos a 5 750 rpm; Torque: 18,4 kgfm a 4 750 rpm

Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira

Carroceria: sedan, 4 portas

Dimensões: comprimento, 435 cm; largura, 170 cm; altura, 146 cm; entre eixos, 254 cm

Peso: 1.260 kg

Suspensão: Dianteira: McPherson, com braços inferiores transversais e amortecedores pressurizados. Traseira: McPherson, com braços inferiores transversais, tensores longitudinais e amortecedores pressurizados

Freios: discos ventilados (dianteiros) e disco rígido (traseiros), Servo freio e ABS

Direção:  pinhão e cremalheira

Fiat Tempra SW 1995 2.0 8v

Motor: transversal, 4 cilindros em linha, 1.995 cm3, comando de válvulas duplo no cabeçote, injeção eletrônica multiponto, 109 cavalos a 5.750 rpm, 16 kgfm a 2.750 rpm

Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira

Dimensões: comprimento, 445 cm; largura, 167 cm; altura, 160 cm; entre eixos, 254 cm; peso, 1.390 kg

Pneus: 185/65 R14

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Kleber Silva

  • Acho o design desse carro muito icônico. A Fiat pareceu sempre ter inovado bastante em design.

  • T1000

    Um dos maiores sucessos da Fiat, não entendo o porque dele ser descontinuado.

    • Marcelo Henrique

      Já estava ficando velho no mercado que já tinha Vectra B, Ford Escort e aí lançaram o Marea.

  • Phantasma

    Hoje em dia é dificil achar um Tempra decente a venda, gosto muito do Style Turbo.

    • Marcelo Henrique

      Em Brasília tem muitos.

  • Max Peixoto

    não colocaram nem uma foto do interior na matéria, a que tem e é só uma mesmo é da sw, nem uma foto, nem uma, nem uma, nem uma, nem uma, N.A. , está cada dia pior, quase que uma Folha de São Paulo, nunca pensei que iria dizer isso, mas até o carblog tem se mostrado bem melhor!!!!!

  • Marcelo Henrique

    Viajei muito em estrada de terra.
    A suspensão das versões intermediárias era bem acertada para andar em pisos irregulares.
    Nunca andei nas versões Turbo ou Stile, só escutei que era um pouco mais rígido.

  • Paulo Lustosa

    Versailles tinha duas e quatro portas desde a época de lançamento em 1992, e por ser clone do Santana, nunca fez sucesso por não ter o carisma que o Del Rey tinha, que era mais que uma versão 4 portas do Corcel II.

    • Gustavo Praes

      Verdade, mas era incrivelmente bonito!

  • Ainda lembro de um moleque na escola falando que o pai dele ia comprar um Tempra 16 volts kkkkkkkk

  • Diego Sampaio Vieira

    Faltou mencionar que a Fiat desenvolveu o Tempra Coupe exclusivamente para o mercado brasileiro.

  • wilsonrcioffi

    FALARAM

  • wilsonrcioffi

    EM NENHUM momento falaram em consumo

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