Tesla libera aos seus clientes função especial que custa R$ 130 mil se for usada; e ainda não se sabe quem vai pagar

Sedã branco da Tesla estacionado ao lado de carregadores Supercharger em uma área pavimentada e arborizada.
A função Emergency Drive Away permite sair com o cabo conectado; a Tesla estima que os danos ao Supercharger podem chegar a US$ 25 mil, mas não definiu quem pagará.

Uma nova função de segurança da Tesla permite sair rapidamente de um Supercharger ainda conectado, mas seu uso pode gerar até US$ 25.000 (R$ 130.500) em danos.

Batizado de Emergency Drive Away, o recurso libera o veículo para engatar a posição Drive e arrancar mesmo que o cabo de recarga continue conectado.

A solução chegou dois meses depois de um episódio em Twin Falls, Idaho, no qual três pessoas dentro de veículos Tesla foram atingidas durante uma ação no local.

Desde a apresentação da função, proprietários começaram a questionar a fabricante sobre as consequências práticas e financeiras de utilizar o sistema em uma situação real.

A própria Tesla já havia alertado que a manobra danificaria tanto o veículo quanto o Supercharger, mas inicialmente não havia detalhado o tamanho do prejuízo.

SUV branco estacionado junto a carregadores Tesla sob uma cobertura de painéis solares.
A Tesla confirmou que o Emergency Drive Away funciona nos carregadores V2, V3 e V4 da rede, mas ainda não esclareceu quem será responsável pelos custos de reparo.

Depois de ser questionada por um proprietário, a equipe responsável pela rede de recarga informou que os reparos podem chegar a US$ 25.000 (R$ 130.500).

Segundo a empresa, o valor máximo depende do tipo de Supercharger envolvido e pode incluir intervenções elétricas e trabalhos relacionados à infraestrutura do local.

O automóvel também não fica livre de manutenção, pois a Tesla determina uma visita obrigatória à assistência para verificar e reparar a porta de recarga.

A fabricante não informou quanto esse serviço no veículo pode custar, deixando outra despesa potencial sem um valor definido para o proprietário.

Também existe uma etapa de limpeza porque o cabo refrigerado pode liberar glicol, líquido utilizado no sistema de controle térmico dos carregadores rápidos.

A Tesla afirmou que fará essa limpeza durante uma visita obrigatória de manutenção ao próprio Supercharger depois que o Emergency Drive Away for acionado.

Para colocar o valor em perspectiva, o configurador Supercharger for Business da empresa cobra US$ 500.000 (R$ 2,61 milhões) pelo equipamento de uma instalação V4 com oito pontos.

Isso representa US$ 62.500 (R$ 326.300) em equipamentos por ponto antes da instalação, fazendo o reparo máximo equivaler a aproximadamente 40% desse valor.

O custo também supera em mais de 80 vezes os US$ 299 (R$ 1.600) cobrados pelo EVject, adaptador destacável sugerido novamente por alguns proprietários.

A Tesla entrou com uma ação contra a EVject em 2024 envolvendo alegações relacionadas ao superaquecimento do acessório utilizado durante sessões de recarga.

Apesar de detalhar os possíveis danos, a empresa ainda não esclareceu quem será responsável pela conta quando o recurso for usado corretamente em uma emergência.

Vários proprietários perguntaram diretamente se o motorista deverá pagar pelo conserto do Supercharger, mas a Tesla não respondeu especificamente a essa questão.

A companhia continuou respondendo outras dúvidas e confirmou que o Emergency Drive Away funciona em carregadores V2, V3 e V4 da rede Supercharger.

O recurso, entretanto, não pode ser utilizado em carregadores domésticos, segundo as informações divulgadas pela própria equipe de recarga da Tesla.

Questionada sobre uso indevido, a fabricante confirmou que existem penalidades e afirmou anteriormente que utilizações deliberadamente impróprias podem gerar cobranças adicionais.

A Tesla ainda não explicou quais serão essas penalidades nem quais critérios usará para determinar se determinado acionamento foi realmente inadequado.

A cobrança seria tecnicamente simples porque cada sessão de Supercharger está vinculada a uma conta Tesla com uma forma de pagamento cadastrada.

Esse mesmo sistema já permite à empresa cobrar taxas adicionais, incluindo valores relacionados à permanência prolongada e à utilização da infraestrutura em períodos congestionados.

O reparo máximo também ultrapassa a cobertura mínima obrigatória para danos materiais exigida em diversos estados americanos, aumentando as dúvidas sobre eventual responsabilidade financeira.

Em Idaho, por exemplo, a cobertura mínima é de US$ 15.000 (R$ 78.300), enquanto Nova York exige US$ 10.000 (R$ 52.200).

Na Pensilvânia, o mínimo cai para apenas US$ 5.000 (R$ 26.100), quantia equivalente a somente um quinto do possível reparo máximo informado pela Tesla.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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