
Uma nova função de segurança da Tesla permite sair rapidamente de um Supercharger ainda conectado, mas seu uso pode gerar até US$ 25.000 (R$ 130.500) em danos.
Batizado de Emergency Drive Away, o recurso libera o veículo para engatar a posição Drive e arrancar mesmo que o cabo de recarga continue conectado.
A solução chegou dois meses depois de um episódio em Twin Falls, Idaho, no qual três pessoas dentro de veículos Tesla foram atingidas durante uma ação no local.
Desde a apresentação da função, proprietários começaram a questionar a fabricante sobre as consequências práticas e financeiras de utilizar o sistema em uma situação real.
A própria Tesla já havia alertado que a manobra danificaria tanto o veículo quanto o Supercharger, mas inicialmente não havia detalhado o tamanho do prejuízo.

Depois de ser questionada por um proprietário, a equipe responsável pela rede de recarga informou que os reparos podem chegar a US$ 25.000 (R$ 130.500).
Segundo a empresa, o valor máximo depende do tipo de Supercharger envolvido e pode incluir intervenções elétricas e trabalhos relacionados à infraestrutura do local.
O automóvel também não fica livre de manutenção, pois a Tesla determina uma visita obrigatória à assistência para verificar e reparar a porta de recarga.
A fabricante não informou quanto esse serviço no veículo pode custar, deixando outra despesa potencial sem um valor definido para o proprietário.
Também existe uma etapa de limpeza porque o cabo refrigerado pode liberar glicol, líquido utilizado no sistema de controle térmico dos carregadores rápidos.
Emergency Drive Away lets you shift into Drive while still plugged into a Supercharger pic.twitter.com/40GSzyP4lG
— Tesla Charging (@TeslaCharging) October 1, 2026
A Tesla afirmou que fará essa limpeza durante uma visita obrigatória de manutenção ao próprio Supercharger depois que o Emergency Drive Away for acionado.
Para colocar o valor em perspectiva, o configurador Supercharger for Business da empresa cobra US$ 500.000 (R$ 2,61 milhões) pelo equipamento de uma instalação V4 com oito pontos.
Isso representa US$ 62.500 (R$ 326.300) em equipamentos por ponto antes da instalação, fazendo o reparo máximo equivaler a aproximadamente 40% desse valor.
O custo também supera em mais de 80 vezes os US$ 299 (R$ 1.600) cobrados pelo EVject, adaptador destacável sugerido novamente por alguns proprietários.
A Tesla entrou com uma ação contra a EVject em 2024 envolvendo alegações relacionadas ao superaquecimento do acessório utilizado durante sessões de recarga.
Apesar de detalhar os possíveis danos, a empresa ainda não esclareceu quem será responsável pela conta quando o recurso for usado corretamente em uma emergência.
Vários proprietários perguntaram diretamente se o motorista deverá pagar pelo conserto do Supercharger, mas a Tesla não respondeu especificamente a essa questão.
A companhia continuou respondendo outras dúvidas e confirmou que o Emergency Drive Away funciona em carregadores V2, V3 e V4 da rede Supercharger.
O recurso, entretanto, não pode ser utilizado em carregadores domésticos, segundo as informações divulgadas pela própria equipe de recarga da Tesla.
Questionada sobre uso indevido, a fabricante confirmou que existem penalidades e afirmou anteriormente que utilizações deliberadamente impróprias podem gerar cobranças adicionais.
A Tesla ainda não explicou quais serão essas penalidades nem quais critérios usará para determinar se determinado acionamento foi realmente inadequado.
A cobrança seria tecnicamente simples porque cada sessão de Supercharger está vinculada a uma conta Tesla com uma forma de pagamento cadastrada.
Esse mesmo sistema já permite à empresa cobrar taxas adicionais, incluindo valores relacionados à permanência prolongada e à utilização da infraestrutura em períodos congestionados.
O reparo máximo também ultrapassa a cobertura mínima obrigatória para danos materiais exigida em diversos estados americanos, aumentando as dúvidas sobre eventual responsabilidade financeira.
Em Idaho, por exemplo, a cobertura mínima é de US$ 15.000 (R$ 78.300), enquanto Nova York exige US$ 10.000 (R$ 52.200).
Na Pensilvânia, o mínimo cai para apenas US$ 5.000 (R$ 26.100), quantia equivalente a somente um quinto do possível reparo máximo informado pela Tesla.




