Todos os 16 do topo: China expulsa carros a gasolina do topo e mostra uma mudança rápida que incomoda montadoras ocidentais

Gasolina Vs Eletrico
Gasolina Vs Eletrico

Dezesseis posições consecutivas no ranking chinês de maio mostram que o motor a combustão perde espaço justamente onde a indústria automotiva mais importa.

Segundo dados da China Passenger Car Association, todos os 16 carros mais vendidos no país durante maio foram NEVs.

A China usa a sigla NEV para reunir BEVs e PHEVs na mesma categoria, o que inclui elétricos puros e híbridos plug-in.

O mercado chinês atingiu em maio um novo recorde de 62,9% de participação para NEVs, acima dos 61,4% registrados em abril.

Esse avanço foi suficiente para retirar todos os carros movidos apenas a gasolina da lista mensal dos dez modelos mais vendidos.

Em abril, ainda restava um representante a combustão no top 10, o Geely Coolray, mas ele desapareceu do grupo em maio.

O primeiro lugar ficou com o Geely EX2, que registrou 38.751 unidades vendidas no maior mercado automotivo do mundo.

Na sequência aparecem Tesla Model Y, com 28.911 unidades, Xiaomi SU7, com 24.023, e Leapmotor A10, com 22.306 unidades.

O Li Auto Li i6 somou 20.878 unidades, enquanto o Tesla Model 3 fechou maio com 18.370 unidades vendidas.

O Wuling Hongguang Mini aparece logo depois, com 18.308 unidades, seguido pelo Aito M6, com 18.148 unidades entre BEV e EREV.

O BYD Yuan Up registrou 17.043 unidades, e o Fang Cheng Bao Bao 7, classificado como PHEV, alcançou 16.247 unidades.

A ausência de carros a gasolina não se limita ao top 10, porque toda a lista dos 16 primeiros colocados é composta por NEVs.

O Geely Coolray, modelo somente a combustão mais vendido do país, caiu do oitavo lugar em abril para a 17ª posição em maio.

A principal explicação não foi exatamente uma explosão dos EVs, mas uma queda profunda nas vendas de modelos não elétricos.

As vendas de carros apenas com motor a combustão despencaram 39% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A retração foi ligeiramente maior que a queda de 37% registrada no mês anterior, reforçando uma tendência estrutural no mercado chinês.

O recuo também atingiu praticamente qualquer veículo com motor a combustão, incluindo PHEVs, EREVs e híbridos convencionais.

As vendas de PHEVs caíram 24% na comparação anual, enquanto os EREVs recuaram 28% e os híbridos perderam 24,4%.

Por causa da queda em PHEVs e EREVs, as vendas totais de NEVs caíram 7,5%, mesmo com ganho de participação.

A fatia de mercado subiu porque o restante do setor caiu ainda mais, sobretudo os modelos dependentes apenas de combustíveis fósseis.

Separando a categoria NEV por tipo, os BEVs foram os únicos veículos que registraram crescimento de vendas em maio.

Os elétricos puros avançaram 3,9% em relação a maio do ano anterior e chegaram a 637 mil unidades.

Esse resultado veio apesar de uma mudança nos incentivos no começo do ano, que provocou início lento para BEVs nos três primeiros meses.

A leitura da Electrek associa a queda dos carros a gasolina à alta global do petróleo provocada por uma guerra dos Estados Unidos contra o Irã.

Segundo essa interpretação, o choque no fornecimento de petróleo leva países mais atentos a acelerar a redução da dependência de combustíveis fósseis.

A China aproveita esse movimento ao vender mais EVs internamente e também ao ampliar sua presença em outros mercados.

As exportações chinesas de NEVs cresceram 112,6% em relação ao ano anterior, com 424 mil unidades enviadas ao exterior em maio.

Mais da metade das exportações de carros da China, precisamente 54%, foi composta por NEVs, estabelecendo outro recorde.

A China segue como o maior país exportador de automóveis do mundo, posição assumida em 2024 após cinco décadas de domínio alemão e japonês.

O comentário mais curtido citado pela Electrek veio de Johnny Vector, com 15 curtidas, destacando como EVs podem mudar a percepção do motorista.

Ele afirmou que preços altos de gasolina ajudam a transição, mas que a experiência com EVs mostra por que poucos querem voltar ao motor a combustão.

A conclusão é dura para fabricantes fora da China, especialmente aqueles que seguem apostando na parte decadente do mercado.

Enquanto montadoras ocidentais reforçam compromissos com carros a combustão, a China investe na fatia que cresce e transforma escala em vantagem.

A tendência aparece em números públicos há uma década, com queda dos modelos a combustão e avanço contínuo dos EVs.

Para governos e fabricantes que flexibilizam regras de poluição, o recado é competir no mercado real, não em uma fantasia confortável sobre queda dos EVs.

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