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Toyota Corolla XRS: a última volta

Toyota Corolla XRS: a última volta

Encarei esta avaliação como a última. Saideira. Quero dizer, a última nesta décima geração do Corolla. Em seis meses, o novo Corolla deverá estar entre nós. Portanto, esta volta tem jeitão de despedida. O interessante é que, apesar de estar às portas da aposentadoria, o Corolla continua vendendo como poucos.


Melhor, como nenhum. O sedã da Toyota é o carro mais vendido da história. Já está próximo de completar 40 milhões de unidades no mundo todo, em seus 47 anos de vida (o modelo nasceu em 1966). No Brasil, em sua categoria, só perde para o Civic, mas continua vendendo bem mais que o terceiro colocado, o Cruze.

Toyota Corolla XRS: a última volta

Para entender o fenômeno, basta andar nele. O sedã da Toyota é confortável, bem equipado, silencioso. Você anda em trechos de paralelepípedos como se estivesse no asfalto. Anda no asfalto como se estivesse nas nuvens. Não há barulhos. A suspensão não passa vibração para o interior. O motor faz seu trabalho quietinho, o porta-malas (470 litros) é espaçoso…


As linhas já deram o que tinham que dar, e o câmbio automático de quatro marchas está ultrapassado, mas isso aparentemente não faz tanta diferença para o público cativo do carro, que troca Corolla por Corolla e não quer saber de outra coisa. São mais de 4 mil unidades por mês – às vésperas da aposentadoria, reitero. O Cruze não vende 3 mil.

Toyota Corolla XRS: a última volta

Ponto alto: confiabilidade

A primeira coisa que vem à cabeça quando pensamos em Corolla é na confiabilidade. O carro tem fama de não quebrar. Particularmente, gosto de carros que sejam mais comunicativos, que transmitam as reações. Com suspensão e direção mais firmes e diretas. Se você pensa como eu, o Corolla não é seu carro. Mas experimente perguntar para o seu pai se ele acha tão importante assim saber as reações do veículo. O segredo do Corolla está nos filtros.

Dirigi por uma semana o Corolla XRS. Afora o visual, não há nele nada de esportivo. O modelo vem com aerofólio, saias laterais, extensões nos para-choques (para dar sensação de carro mais baixo), rodas e grade no tom grafite e couro com costuras vermelhas. Mas a carroceria não convence. Está bem envelhecida.

Decididamente, não é um modelo esportivo. Até porque, a despeito do visual, oferece desempenho bem tranquilão. Em um carro com alguma pegada esportiva, você tende a esperar ao menos um ruído um pouco mais nervoso, mas o Corolla é muito certinho, e dali não sai barulho.

Toyota Corolla XRS: a última volta

Motor bom; câmbio ultrapassado

O motor 2.0 VVT-i Flex é muito bom. Rende 153 cavalos, tem 16 válvulas e comandos variáveis na admissão e na exaustão. O torque de 20,7 kgfm também agrada, embora o pico apareça somente a 4.800 rpm. Se não oferece desempenho melhor, a culpa não é dele, e sim do câmbio, que gosta de curtir a vida sem pressa, e não tem nada a ver com as letras XRS na lataria. Mas é um conjunto resistente. Uma vez, um mecânico especializado em transmissões automáticas me disse, ao desmontar a caixa de um Corolla com mais de 80 mil km rodados, que encontrou uma transmissão que parecia ser zero-quilômetro. Outra boa surpresa veio na medição de consumo. No trânsito pesado de São Paulo, o modelo fez média de 7,3 km/l (o que não é nada demais), mas obteve 14,0 km/l na estrada, com etanol. O tanque de 60 litros garante boa autonomia.

As respostas são moderadas, embora as passagens de marcha sejam suaves. Se você quiser um pouco de esportividade, pode usar as borboletas do volante. Elas são de bom tamanho, e o volante de couro tem a base achatada nessa versão, além do revestimento de couro e das costuras vermelhas. A direção eletromecânica agrada, mas o pedal de freio, não. O sistema não oferece progressividade na frenagem. Fica difícil modular a força no pedal. Como não dá para dosar muito bem a pressão, o carro ou não para ou para de uma vez.

Mas é claro que isso está apenas no campo das sensações, do feeling. São discos nas quatro rodas, com ABS. Os pneus são largos (205/55), o que garante bom contato com o solo. Em condições normais, o carro mostra boa estabilidade. No limite da aderência, no entanto, a suspensão traseira com eixo de torção pode não ser suficiente para garantir a melhor estabilidade.

Toyota Corolla XRS: a última volta

Preço nas alturas

Outro ponto que não atrai é o preço. O Corolla XRS é caro. Custa R$ 77.070. Evidentemente, não vale o investimento. Eu não pagaria isso num carro que tem menos de um ano de vida, antes de uma mudança radical (aliás, uma das mais radicais de sua história). Mas, se serve de consolo, ele vem bem equipado – o que sempre foi uma característica do carro. O Corolla nasceu trazendo itens de conforto normalmente encontrados apenas em categorias superiores.

O sedã tem tela de 6,1 polegadas sensível ao toque, com GPS e câmera de ré. O ar-condicionado é digital, e o volante tem comandos de som e computador de bordo. A alavanca do controlador de velocidade também está bem ao alcance da mão. Os retrovisores são rebatíveis eletricamente, e todos os vidros elétricos dispõem de comando um toque.

Toyota Corolla XRS: a última volta

O acabamento é bom. Os materiais são de boa qualidade, e o quadro de instrumentos tem iluminação permanente (Optitron). O modelo ainda vem com porta-luvas duplo, e quatro airbags (frontais e laterais). As lanternas traseiras são de leds.

Mas nem tudo agrada. A chave ainda não é do tipo canivete, e o modelo ainda tem aquelas pequenas alavancas para abrir porta-malas e tanque. Um carro nesse preço teria de ter um pouco mais de sofisticação. Outra coisa que, a meu ver, não ficou muito bem é o revestimento no apoio de braços das portas, onde estão os botões de vidros. A Toyota utilizou ali um material prateado, para dar impressão de alumínio. Mas, como ele é muito liso, não agrada nem à visão nem ao tato. Falta alguma textura, no mínimo.

Toyota Corolla XRS: a última volta

Toyota Corolla XRS: a última volta

Apesar de o entre-eixos não ser muito bom (2,6 metros), o espaço atrás até que é confortável, embora menos do que em concorrentes como o Civic (2,67 m). Além disso, o oponente da Honda ainda tem piso plano, sem o túnel central. Mas tudo isso a essa altura parece crítica póstuma. Vamos esperar pelo próximo. Pelo que se viu até agora, o novo Corolla tem tudo para retomar a coroa (embora eu tenha achado o painel com cara de déjà vu). No mínimo, ele tem as condições para brigar muito por ela. Corolla, em latim, significa “coroa de flores”, e refere-se a glória, triunfo.

Toyota Corolla XRS – Ficha técnica

Motorização

Motor 2.0L Dual VVT-i 16V DOHC Flex
Potência (cv/rpm) 153 / 5.800¹
Torque (kgf.m/rpm) 20,7 / 4.800¹
Combustível Gasolina/ Álcool

Transmissão

Modelo Automática de quatro velocidades com shift gate e Super ECT (Electronic Control Transmission) + shiftronic + paddle shift

Suspensão

Dianteira McPherson com barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção com barra estabilizadora

Direção

Tipo Eletroassistida progressiva (EPS)

Freios

Dianteiros Discos ventilados com ABS (Anti-lock Brake System) e EBD (Electronic Brake Distribution)
Traseiros Discos sólidos com ABS (Anti-lock Brake System) e EBD (Electronic Brake Distribution)

Pneus e Rodas

Pneus 205/55 R16
Rodas Liga leve R16 na cor grafite

Dimensões e Capacidades

Comprimento (mm) 4.540
Largura (mm) 1.760
Altura (mm) 1.480
Distância entre eixos (mm) 2.600
Vão Livre mínimo do solo (mm) 160
Peso em ordem de marcha (kg) manual/automático 1285 (A/T)
Volume do porta-malas (l) 470
Capacidade do tanque (l) 60

Fotos Fabio Aro

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