*Featured Avaliações Hatches Sedãs Toyota

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Nos acostumamos a dizer que o Etios vende abaixo das expectativas no Brasil porque foi desenvolvido para a Índia, e que os gostos entre os dois países são diferentes. Descobri que é uma meia verdade. Afinal, se fosse assim, lá ele seria um sucesso, certo? Não é bem o que vem ocorrendo. Na Índia, o modelo também está longe de ser um grande êxito de público e crítica. Lançado em 2010 (dois anos antes de chegar aqui), o modelo ainda patina em vendas, e mostra um desempenho muito parecido com o verificado no Brasil.


No balanço de vendas da Índia até setembro, a versão sedã aparece na 22° posição, com 25.633 unidades, e 1,4 % do mercado. O Etios Liva (hatch) ocupa o 28° lugar no ano, com 20.684 unidades, e 1.1% do mercado indiano. E isso levando-se em conta que lá a Toyota está entre as quatro grandes do mercado, com 6% da fatia, atrás apenas da Maruti (grande dominadora do mercado, com 43% de participação), Hyundai (15%) e Mahindra (10%).

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

A Maruti produz veículos da Suzuki, como o Swift e Alto, dois entre os mais vendidos do país. A Hyundai está vendendo muito bem o novo i10 Grand. Ele não chega a ter linhas tão agressivas quanto as do HB20, mas é um carro de estilo moderno. A Ford também está fazendo sucesso com o recém-lançado EcoSport, que em setembro foi o 9° mais vendido na Índia. Aparentemente, lá, como aqui, estilo ainda importa.


Vigésima colocação

No Brasil, coincidentemente, a situação do pequeno Toyota se assemelha à da Índia. A maior diferença é que aqui o hatch vende mais do que o sedã, ao contrário de lá. De resto, o volume de vendas e até a posição no mercado são parecidos. No acumulado de vendas até setembro, o Etios hatchback ocupa a 20° colocação (26.938 unidades), enquanto o sedã ficou com a 28° posição (21.226 unidades).

Por lá, como aqui, acabamento e estilo deixam a desejar, como revelam algumas críticas publicadas em blogs e sites. Andamos no sedã top de linha, XLS, que acaba de passar por algumas melhorias, para aplacar parte das críticas. A ênfase do modelo 2014 está no novo revestimento do painel, com o acabamento denominado “total black”. Trata-se de uma cobertura de plástico no tom preto brilhante, que deu uma boa melhorada no aspecto visual do carro. Embora seja a principal mudança, ainda há outras pequenas intervenções, como o volante de base reta revestido de couro sintético na versão top de linha.

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

A mudança pode trazer um alento às vendas, mas, como ela foi tímida, não espere salto muito grande nas lojas. Isso porque a maioria das falhas do carro permanece. Para começar, um veículo de R$ 44.990 deveria ter coisas hoje básicas, com ajuste de altura no cinto de segurança, ou no banco do motorista. Nem o Etios mais caro oferece isso. Além do mais, o carro ainda mantém a alavanca no painel para abertura do capô. Desde o lançamento do modelo, o sistema foi comparado a um puxador de afogador. Não há painel “total black” que disfarce isso. Pior: quando se puxa a alavanca, a parte do painel em volta dela também se movimenta, dando impressão de fragilidade ao carro.

Sem computador

Também não há computador de bordo. O quadro de instrumentos, no centro do painel, tem apenas um pequeno display com hodômetros (um total e dois parciais) e marcador de combustível. Não vou nem entrar no mérito do estilo escolhido pela Toyota para apresentar velocímetro e conta-giros (antes, ele tinha fundo branco, agora, combina preto e azul). Prefiro me atentar ao lado prático. E ele não é bom. Os ponteiros correm por trás da escala, e estão distantes do números. Por isso, há um erro de paralaxe na visualização, pois o motorista vê as informações de lado, e não de frente. Em situações que exigem maior atenção à velocidade – proximidade de radares, por exemplo –, é preciso desviar a atenção para o lado direito do painel, porque a informação não está ao alcance dos olhos.

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Outro efeito colateral aparece à noite. Normalmente, estamos acostumados a ver mostradores iluminados atrás do volante, mas no Etios há uma escuridão na linha de visão do motorista. A sensação é estranha. O Etios é um carro que oferece o básico, embora, ao menos nessa versão top, não custe o básico. O carro vem com som e comandos no volante (outra novidade da linha 2014), mas não há alto-falantes na parte de trás. As teclas de vidros elétricos não dispõem de comando “um toque” para nenhuma janela, e não são iluminadas. Da mesma forma, os espelhos dos quebra-sóis também não contam com iluminação. O encosto do banco traseiro é rebatível na versão XLS, mas não é bipartido. Assim, se for preciso baixá-lo para levar algum objeto mais comprido, ninguém pode ir atrás. Também não há apoio de cabeça central.

As demais mudanças para a linha 2014 se resumem ao novo tecido dos bancos (mais belo, mas que tende a “prender” o cabelo) e espelhos retrovisores redesenhados. A versão hatch XS (intermediária) ganhou motor 1.5.

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

O forte é a máquina

O bom do Etios é a máquina. Uma das coisas louváveis da Toyota foi pular a motorização 1 litro e oferecer o carro com motor 1.3 ou 1.5. Taí uma decisão acertada. Ambos são eficientes, têm 16 válvulas, comando duplo e bloco de alumínio. O hatch pode vir com um dos dois motores, dependendo da versão (básicas com 1.3). No caso do sedã, sempre 1.5.

O desempenho é muito bom, e o câmbio manual (cinco marchas) tem bons engates e relação de marchas bem escalonada. Não há automático. A potência até que é moderada. São 96,5 cv com etanol e 92 cv com gasolina. Só como comparação, o Honda Fit 1.5 tem 116 cv com etanol (115 com gasolina), mas o Etios agrada muito em termos de desempenho, por ser leve. O sedã XLS pesa 980 kg, peso inferior a muito hatch 1.0. Isso resulta em relação peso-potência muito favorável, de apenas 10,1 kg/cv (etanol), o que explica a esperteza nas acelerações, retomadas e subidas.

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Graças à combinação de peso-pena à boa oferta de força, às vezes nem é preciso reduzir marcha. Basta pisar que o carro responde satisfatoriamente. O motor é “alegre”, e sobe de giro fácil. O fato de o torque (13,9 kgfm) aparecer a 3.100 rpm (rotação relativamente baixa, para cabeçote multiválvulas) também colabora para a agilidade. E, como não é preciso pisar fundo para o carro responder, a economia também agrada. O modelo fez 8,9 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada, com etanol.

A direção elétrica está bem calibrada, assim como a suspensão. Achei a dianteira muito leve, mas nada que atrapalhe a satisfação ao volante. Nessa versão, o modelo vem com rodas de liga leve aro 15, e pneus 185/60. As versões inferiores têm roda de ferro aro 14.

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Além da mecânica eficiente, outro ponto positivo do Etios é o espaço, principalmente no sedã. Há acomodação sem apertos tanto para pessoas como para carga. Por ter entre-eixos de 2,55 m (um pouco maior que o do hatch, com 2,46 m), o espaço no banco traseiro é muito bom. Idem para a bagagem. O porta-malas acomoda 562 litros, ou área de sobra para a bagagem familiar.

O problema é que o Logan – inspirador de toda essa turma (Etios, Cobalt…) – também está chegando, e com mudanças bem mais profundas que o modelo Toyota. O emblema na grade é forte, mas não é tudo. Nem aqui nem na Índia.

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia

Toyota Etios 2014 – ficha técnica

Motor 1.3: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.298 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.

Motor 1.5: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.496 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 1.3: 84 cv com gasolina e 90 cv com etanol a 5.600 rpm. 1.5: 92 cv com gasolina e 96,5 cv com etanol a 5.600 rpm.

Aceleração 0-100 km/h: Hatch 1.3: 11,8 segundos. Hatch 1.5: 11,1 segundos. Sedã 1.5: 11,3 segundos

Velocidade máxima: NI.

Torque máximo – Motor 1.3: 11,9 kgfm com gasolina e 12,8 kgfm com etanol a 3.100 rpm. Motor 1.5: 13,9 kgfm com gasolina e etanol a 3.100 rpm.

Diâmetro e curso – Motor 1.3: 75 mm X 73,5 mm. Taxa de compressão: 12,3:1. Motor 1.5: 75 mm X 84,7 mm. Taxa de compressão: 12,5:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira com rodas semi-independentes, com eixo de torção e molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 175/65 R14.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás.

Carroceria – Sedã: monobloco com quatro portas e cinco lugares com 4,26 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,51 m de altura e 2,55 m de entre-eixos. Hatch: monobloco com quatro portas e cinco lugares com 3,78 m de comprimento, 1,69 m de largura, 1,51 m de altura e 2,46 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais.

Peso: 980 kg em ordem de marcha.

Capacidade do porta-malas: Hatch: 270 litros. Sedã: 562 litros.

Tanque de combustível: 45 litros.

Produção: Sorocaba, Brasil.

Lançamento mundial: 2010

Lançamento no Brasil: 2012.

Fotos Fabio Aro

Toyota Etios ainda precisa melhorar, aqui e na Índia
Nota média 4 de 1 votos

Quem somos

O Notícias Automotivas é um dos maiores sites automotivos do Brasil, trazendo todas as novidades sobre carros para mais de 450 milhões de pessoas, por mais de 12 anos. Saiba mais.

Notícias por email