Toyota, Honda, Mazda, Suzuki e Mitsubishi põem a rivalidade de lado para rever certas peças com defeitos invisíveis e reduzir custos na produção

Interior bege de um veículo, com painel e bancos; funcionários com uniformes e bonés da Toyota observam uma peça escura.
Na fábrica da Toyota em Tahara, profissionais examinam o acabamento interno de um veículo durante discussões sobre critérios de qualidade de peças.

Cinco grandes fabricantes japonesas decidiram colocar parte da rivalidade de lado para discutir um tema menos glamouroso, porém decisivo para reduzir custos: padrões de qualidade.

Toyota, Honda, Mazda, Suzuki e Mitsubishi participaram no fim de julho de um encontro realizado na fábrica da Toyota em Tahara, no Japão.

Mais de 100 profissionais da indústria automotiva estiveram presentes, reunindo equipes de controle de qualidade, fornecedores e representantes das áreas de compras das fabricantes.

Em vez de comparar veículos ou tecnologias, os participantes analisaram componentes individualmente e discutiram maneiras de tornar os processos produtivos mais eficientes.

A reunião faz parte do Smart Standard Activity, conhecido pela sigla SSA, programa criado pela Toyota em 2017 para revisar critérios utilizados na fabricação.

Funcionários em uniformes e bonés conversam enquanto seguram e observam uma peça automotiva comprida dentro de um veículo.
Participantes do encontro analisam uma peça de acabamento automotivo, em uma iniciativa para discutir critérios de qualidade entre fabricantes.

A proposta é evitar desperdício de tempo e dinheiro com peças que apresentam pequenas imperfeições estéticas sem impacto real para o consumidor.

Um dos exemplos apresentados foi uma saída de ar-condicionado traseira que possuía pequenas marcas na parte inferior das aletas.

Como essas marcas não comprometiam o funcionamento e sequer podiam ser vistas da posição normal dos ocupantes, a Toyota considerou a peça adequada.

Isoladamente, a economia pode parecer pequena, mas ganha outra dimensão quando aplicada a milhões de componentes produzidos por milhares de fornecedores.

Grupo de funcionários em uniformes e bonés reunido no chão de uma fábrica; alguns seguram papéis e pranchetas.
Mais de 100 profissionais participaram do encontro na fábrica da Toyota em Tahara para discutir padrões de qualidade e processos produtivos.

A fabricante também percebeu que resolver essas diferenças internamente não seria suficiente, porque muitos fornecedores trabalham simultaneamente para diversas empresas automotivas.

Cada montadora pode estabelecer critérios próprios para considerar uma peça aceitável, mesmo quando componentes destinados a diferentes marcas saem da mesma linha produtiva.

A Toyota começou a discutir esse problema com outras fabricantes cerca de quatro anos atrás, ampliando gradualmente o alcance do programa.

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Em abril de 2025, a Japan Automobile Manufacturers Association e a Japan Auto Parts Industries Association criaram conjuntamente um grupo de trabalho dedicado ao SSA.

Dois funcionários com bonés da Toyota e luvas observam uma peça preta, enquanto uma mão aponta para ela.
Funcionários da Toyota examinam uma peça durante o encontro que reuniu fabricantes e fornecedores para debater critérios de qualidade.

Neste ano, as entidades também publicaram uma SSA Promotion Declaration, transformando uma iniciativa inicialmente restrita à Toyota em um movimento mais amplo.

A colaboração, porém, possui limites bem definidos para impedir que informações estratégicas das fabricantes sejam compartilhadas entre empresas que continuam disputando os mesmos consumidores.

Temas como preços, volumes de produção, condições comerciais, tecnologias próprias e outros detalhes considerados sensíveis ficam fora das discussões do grupo.

O foco permanece em áreas sem competição direta, especialmente critérios de aparência das peças e melhorias relacionadas aos processos de fabricação.

Funcionários de diferentes uniformes formam um círculo ao redor de uma mesa com peças e documentos em uma fábrica.
Profissionais da indústria automotiva analisam peças e processos; o programa SSA busca reduzir diferenças de critérios entre fabricantes.

A lógica é evitar que fornecedores precisem desenvolver procedimentos completamente diferentes para problemas semelhantes encontrados por Toyota, Honda, Mazda, Suzuki e Mitsubishi.

Esse tipo de cooperação ganha importância diante da pressão para reduzir custos, melhorar produtividade, diminuir desperdícios e administrar cadeias de fornecimento cada vez mais complexas.

Até o fim de 2025, o programa interno da Toyota já havia acumulado aproximadamente 7.500 casos analisados, com 67% das propostas apresentadas sendo adotadas.

A empresa acredita que levar esse conceito para toda a indústria pode aumentar a competitividade da cadeia automotiva japonesa diante do avanço internacional das fabricantes chinesas.

Isso não significa criar um único padrão obrigatório para todas as marcas, pois cada fabricante continua responsável pelos próprios processos e critérios internos.

A proposta é identificar problemas comuns, compartilhar soluções aplicáveis e reduzir trabalhos duplicados entre empresas que frequentemente dependem dos mesmos fornecedores.

A Toyota também pretende transformar o SSA em um movimento envolvendo toda a indústria automotiva japonesa, setor que emprega aproximadamente 5,5 milhões de pessoas.

O conceito já começou a ultrapassar as fronteiras do Japão, com atividades específicas do SSA na América do Norte e expansão planejada para Europa e Ásia.

Essa filosofia de competir em determinadas áreas e colaborar em outras também aparece no desenvolvimento de motores realizado pela Toyota com Mazda e Subaru.

Em 2024, as três fabricantes anunciaram trabalhos em motores a combustão de nova geração, mantendo tecnologias próprias em vez de compartilhar um único projeto.

A Toyota desenvolve novos motores de quatro cilindros em linha, a Mazda continua trabalhando com sua arquitetura rotativa e a Subaru preserva o tradicional motor boxer.

Mesmo permanecendo concorrentes diretas, as fabricantes japonesas mostram que padronizar critérios pouco relevantes ao consumidor pode liberar recursos para áreas onde realmente querem se diferenciar.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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