
A Toyota está redesenhando sua estratégia com hidrogênio para concentrar esforços em veículos comerciais, segmento que considera mais promissor para viabilizar essa tecnologia em escala.
A mudança ficou evidente na IAA Transportation, na Alemanha, onde a marca apresentou uma Hilux com célula de combustível prevista para chegar à Europa em 2028.
A fabricante também revelou um novo sistema destinado a caminhões pesados, com potência de aproximadamente 408 cv e desempenho comparável ao de um motor diesel.
Segundo a Toyota, essa nova geração oferece durabilidade superior e eficiência cerca de 20% maior que a dos sistemas atualmente utilizados pela empresa.
A estratégia passa a se apoiar principalmente em dois pilares: veículos comerciais e alianças industriais capazes de ampliar produção, infraestrutura e utilização do hidrogênio.

Hiroki Nakajima, vice-presidente executivo da Toyota, afirmou que a empresa pretende avançar gradualmente com parceiros adequados, saindo do desenvolvimento tecnológico para aplicações práticas.
A fabricante japonesa pretende fornecer seu novo sistema de célula de combustível a outras empresas de veículos comerciais e formar uma ampla rede internacional de colaboração.
Até esta semana, a Toyota já havia anunciado parcerias com a sueca Scania e a italiana Iveco, que pretendem utilizar essa nova tecnologia.
Em julho, a empresa também confirmou investimento na Cellcentric, joint venture de células de combustível pertencente à Daimler Truck e ao Volvo Group.
Nos automóveis de passeio, a trajetória começou bem antes, com o Mirai lançado em 2014 como primeiro modelo de célula de combustível produzido em massa.

A Toyota anunciou em 2024 uma parceria com a BMW para desenvolver conjuntamente sistemas destinados a automóveis, com produção de novos modelos prevista para 2028.
Mesmo assim, a prioridade atual migra para comerciais porque o setor ainda enfrenta uma relação difícil entre infraestrutura limitada, preços elevados e baixa adoção.
A associação alemã da indústria automotiva estima que a Europa precisará de cerca de 2.000 postos de abastecimento de hidrogênio para caminhões até 2030.
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Atualmente, porém, existem apenas 216 instalações desse tipo espalhadas pelo continente, uma diferença que limita a utilização cotidiana de caminhões movidos a hidrogênio.
Segundo Shinichi Yasui, diretor de tecnologia das operações europeias da Toyota, será essencial criar polos regionais de oferta e demanda antes de conectá-los progressivamente.

O número de caminhões com célula de combustível em operação mundial ultrapassou 35.000 unidades em 2025, cinco vezes mais que no fim de 2022.
Considerando também automóveis de passeio, a frota global desses veículos chegou a aproximadamente 130.000 unidades em 2025 e poderá quase triplicar até 2030.
A BloombergNEF estima, entretanto, que caminhões com célula de combustível representarão apenas cerca de 5% das vendas globais dessa categoria em 2040.
A Agência Internacional de Energia projeta que caminhões responderão por 60% do consumo de hidrogênio no setor automotivo até 2030, contra 30% dos ônibus.
A Europa mantém papel relevante no desenvolvimento tecnológico, respondendo por 28% dos pedidos de patentes relacionados ao hidrogênio entre 2011 e 2020.
O Japão aparece em seguida com 24%, enquanto os Estados Unidos ficam com 20%, segundo levantamento da Agência Internacional de Energia e do Escritório Europeu de Patentes.
Na própria feira alemã, a Daimler apresentou um caminhão pesado abastecido com hidrogênio líquido e autonomia superior a 1.000 km.
A Volvo, por sua vez, informou que pretende lançar um caminhão movido a hidrogênio até 2030, reforçando a disputa por aplicações comerciais.
Apesar do avanço europeu e japonês, a China concentra atualmente mais de 95% dos veículos desse tipo em circulação no mundo.
Fabricantes chinesas também ocuparam grande espaço na feira, onde a área dedicada ao país cresceu 50% diante da expansão de sua presença industrial.
Para a Toyota, o desafio agora é transformar cooperação técnica, novas aplicações e infraestrutura regional em uma cadeia capaz de reduzir custos e ampliar a demanda.










