
A Toyota quer transformar os 150 milhões de veículos da marca que já circulam pelo mundo em uma fonte de lucro cada vez mais importante.
A estratégia prevê elevar em cerca de 40% o lucro operacional obtido fora da venda de carros novos, chegando a 3 trilhões de ienes (R$ 98,1 bilhões) no ano fiscal de 2030.
Hoje, atividades reunidas pela fabricante sob o conceito de receita da cadeia de valor já geram aproximadamente 2,1 trilhões de ienes (R$ 68,7 bilhões) em lucro operacional.
O plano estabelece crescimento próximo de 150 bilhões de ienes (R$ 4,9 bilhões) por ano até 2030, reduzindo a ligação direta entre resultados e emplacamentos de veículos novos.
Se atingir a meta, esse lucro corresponderá a aproximadamente 80% de todo o resultado operacional consolidado registrado pela Toyota no exercício encerrado em março.
Software, financiamento, leasing, peças, serviços e veículos usados formam os principais pilares dessa estratégia voltada a extrair receita durante uma parcela maior da vida útil do automóvel.
A expansão dos veículos definidos por software, conhecidos como SDVs, amplia essa oportunidade ao permitir que funções sejam adicionadas ou aprimoradas depois da entrega ao proprietário.
A Toyota já oferece um serviço pago que permite alterar pelo smartphone determinadas funções dos esportivos GR Yaris e GR Corolla.
Entre elas está a possibilidade de adicionar uma função de resfriamento para o sistema de controle eletrônico quando sua temperatura ultrapassa os níveis previstos.
O RAV4 lançado no fim do ano passado também recebeu a plataforma proprietária de software Arene, que deverá chegar progressivamente a outros SDVs da fabricante.
Outro braço envolve sistemas de assistência à condução conectados por comunicação sem fio, financiamento de veículos em leasing e comercialização de itens como pneus e sistemas de navegação.
A venda de peças ganhará alcance internacional após a criação de uma estrutura capaz de atender 50 países a partir de 16 centros regionais de distribuição.
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Qual cenário a meta de 550 mil usados por ano pode abrir para a Toyota até 2030?
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A Toyota já abriu um armazém na Bélgica e pretende reforçar essa atividade principalmente na Itália e no leste europeu.
Nessas regiões, o período médio de propriedade de um automóvel chega a 15 anos, ampliando a demanda potencial por componentes durante a vida do veículo.
Carros usados também ganham espaço, inclusive por programas que permitem acrescentar recursos de segurança, como sistemas de detecção de obstáculos, durante a compra.
Concessionárias ligadas à fabricante também deverão reduzir preços ao simplificar a limpeza interna desses automóveis, tentando aumentar a competitividade desse negócio.
A meta é elevar as vendas anuais de usados no Japão das aproximadamente 350.000 unidades atuais para 550.000 veículos até 2030.
A enorme frota construída pela Toyota sustenta essa estratégia, depois de suas vendas globais atingirem 10,53 milhões de unidades no ano passado.
O resultado supera os 8,98 milhões de veículos da Volkswagen e os 7,27 milhões da Hyundai Motor registrados no mesmo período.
A Toyota também comercializa mais que o dobro do volume alcançado por grandes fabricantes de EVs, como a chinesa BYD e a americana Tesla.
O vice-presidente executivo Yoichi Miyazaki afirma que a empresa pretende manter o ritmo atual aumentando a quantidade de veículos em circulação e expandindo regionalmente suas atividades.
Kohei Takahashi, analista da UBS Securities, considera essa abordagem uma diferença importante em relação às fabricantes chinesas, por ampliar os ganhos obtidos depois da venda do carro novo.




