
Uma cabeça de boneco presa perto do retrovisor está virando tática contra a Tesla na China e expondo uma falha que está longe de ser engraçada.
Plataformas chinesas de comércio eletrônico passam a vender pequenas cabeças plásticas de bonecas, anunciadas como “companheiros de viagem” e “decorações de painel”, para enganar a câmera interna da marca.
Esses dispositivos custam entre US$ 20 (R$ 101) e US$ 50 (R$ 253), valor baixo demais para um artifício que pode incentivar comportamento perigoso ao volante.
O funcionamento do truque é simples e absurdo ao mesmo tempo, porque motoristas posicionam miniaturas de celebridades diante da câmera voltada para a cabine.
Esse sistema de monitoramento da Tesla observa a posição da cabeça e o movimento dos olhos para confirmar que o condutor continua atento durante o Autopilot e o FSD (Supervised).
Segundo a Digital Trends, um dono de Tesla Model 3 na China usou uma cabeça falsa parecida com Dwayne Johnson e teria rodado por 30 minutos sem receber um único alerta.
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Durante esse período, o motorista aparecia com uma mão comendo sementes de girassol e a outra filmando vídeo, sem atenção real à estrada.
Trata-se de um condutor operando um veículo de cerca de 1.814 kg em velocidade de rodovia sem supervisão adequada, justamente no cenário em que um sistema de nível 2 exige vigilância constante.
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Os vendedores oferecem de tudo, de bonecos de celebridades a telas que exibem olhos piscando, além de soluções personalizadas acopladas aos apoios de cabeça ou ao painel.
As avaliações dos compradores deixam pouca margem para dúvida, porque o objetivo declarado é ganhar liberdade para olhar o celular, comer ou cochilar enquanto o carro segue em movimento.
Nada disso é exatamente novo, já que donos de Tesla acumulam um histórico longo de tentativas para derrotar os mecanismos de segurança instalados pela própria montadora.
A primeira leva desses artifícios incluía pesos de volante criados para enganar o sensor de torque e simular que alguém estava segurando a direção.
A NHTSA mandou interromper um produto chamado “Autopilot Buddy”, mas as cópias continuaram circulando, enquanto a Tesla ampliava o monitoramento com a câmera interna da cabine.
Agora, o que deveria ser a resposta mais inteligente também mostra fragilidade, porque um brinquedo de US$ 30 (R$ 152) aparentemente já consegue superar essa barreira.
O momento piora tudo, pois a Tesla acaba de lançar o FSD (Supervised) na China e já enfrenta uma ação por fraude movida por 10 proprietários chineses.
A empresa também precisou agir recentemente contra mais de 100.000 veículos que usavam dispositivos hackeados para habilitar o FSD em países onde o software não era aprovado.
O padrão que emerge é preocupante, porque uma parte relevante dos proprietários parece enxergar os sistemas de proteção mais como obstáculo do que como salvaguarda.
As consequências dessa negligência não são abstratas, uma vez que o Autopilot e o FSD (Supervised) não são autônomos e dependem de intervenção humana a qualquer instante.
O histórico citado inclui um Tesla em FSD que atravessa uma cancela ferroviária segundos antes da chegada de um trem, além de outras colisões em demonstrações do sistema.
A NHTSA identificou 80 violações de trânsito envolvendo o FSD, entre elas avanço de sinal vermelho e invasão de faixa contrária, e elevou a investigação para análise de engenharia.
Essa etapa abrange 3,2 milhões de veículos e representa o último passo antes de um possível recall, ampliando o peso de qualquer tentativa deliberada de burlar o monitoramento.
Há quem argumente, inclusive em comentários, que qualquer operador determinado consegue derrotar um mecanismo de segurança, como mostra um acessório de US$ 5 (R$ 25) para enganar cintos.
Ainda assim, a crítica contra a Tesla permanece forte, porque a empresa sabe há anos que alguns motoristas tentarão driblar os alertas e mesmo assim o sistema continua vulnerável.
Se um objeto plástico estático consegue passar pela câmera, a solução claramente precisa evoluir com detecção de vivacidade, correlação de postura corporal, rastreamento de olhar e barreiras anti-fraude.
No fim, o problema maior também é cultural, porque nomes como Autopilot e Full Self-Driving, mesmo com “Supervised”, sugerem uma capacidade que a tecnologia ainda não entrega.
Até o carro realmente dirigir sozinho sem supervisão, o ser humano ao volante continua sendo o principal sistema de segurança, e uma cabeça de plástico jamais substitui isso.
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