
Um Ford GT praticamente intocado acaba de redefinir o patamar de valorização do esportivo norte-americano, depois de alcançar US$ 2.101.000 (R$ 10,7 milhões) em leilão.
O exemplar é um GT Heritage Edition 2006 que percorreu somente 12,7 km em duas décadas, condição que ajudou a estabelecer um novo recorde para o modelo.
A negociação ocorreu na plataforma Bring a Trailer e transformou esse carro no Ford GT mais caro já vendido, superando amplamente os valores normalmente registrados.
Entre os fatores de destaque está a configuração Heritage Edition, limitada a apenas 343 unidades e facilmente reconhecida pela pintura azul e laranja inspirada na Gulf.
Apesar do visual especial, a mecânica permanece igual à das demais versões, combinando motor V8 5.4 sobrealimentado, câmbio manual de seis marchas e tração traseira.

O propulsor instalado em posição central entrega aproximadamente 558 cv e 69,1 kgfm, números acompanhados por uma proposta que praticamente dispensa conveniências e assistências eletrônicas.
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Esse caráter mais analógico ajudou a transformar a primeira geração em uma das interpretações modernas mais celebradas do histórico GT40 dentro da própria trajetória da Ford.
A configuração vendida também inclui rodas BBS forjadas opcionais e sistema de áudio McIntosh, dois itens que complementam uma especificação já bastante incomum.
A Ford produziu pouco mais de 4.000 unidades da primeira geração antes de encerrar sua fabricação em 2006, enquanto a segunda geração estreou somente em 2017.
Os dados atuais da Classic.com colocam o valor médio de negociação da primeira geração em aproximadamente US$ 535.000 (R$ 2,7 milhões).

Já um Heritage Edition costuma alcançar média próxima de US$ 945.000 (R$ 4,8 milhões), fazendo o resultado deste exemplar superar mais que o dobro desse patamar.
O interesse também ficou evidente na própria página do leilão, que acumulou quase 1.800 comentários durante o processo de venda do raro Ford.
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O pacote adquirido pelo comprador ainda incluía uma peça decorativa de parede construída pela Saleen usando metade de um carro e o mesmo número de série.
Mesmo dentro do mercado de esportivos colecionáveis, US$ 2,1 milhões (R$ 10,7 milhões) colocam esse GT em território ocupado por máquinas muito mais recentes e exóticas.
Por valor inferior seria possível encontrar um McLaren Senna GTR, enquanto quantia semelhante também poderia colocar um Bugatti Veyron entre as alternativas consideradas.

A fama do GT também foi alimentada por proprietários conhecidos, incluindo Jeremy Clarkson e Doug DeMuro, ambos ligados publicamente a exemplares do esportivo.
O carro de Clarkson mudou de mãos neste ano, reforçando como exemplares ligados a nomes conhecidos também continuam despertando atenção dentro desse mercado.
Mesmo sem oferecer atualmente uma versão para ruas, a Ford mantém o nome GT associado a desempenho extremo por meio do exclusivo Mk IV destinado às pistas.
Recentemente, o GT Mk IV completou uma volta em Nürburgring em 6:15.977, tornando-se o carro com motor a combustão mais rápido registrado no circuito.
A fabricante também desenvolve um novo Hypercar para disputar as 24 Horas de Le Mans no próximo ano, projeto que deverá compartilhar parte do conceito do GT.

A combinação entre produção limitada, baixo uso e forte apelo histórico ajuda a explicar por que esportivos dos anos 2000 começam a atingir valores antes reservados a modelos mais antigos.
Para quem cresceu vendo o Ford GT em pôsteres, esse Heritage Edition de apenas 12,7 km mostra até onde a nostalgia pode levar o mercado de coleção.
