
Tratores costumam viver longe dos holofotes da velocidade, mas a JCB transformou uma ferramenta rural em uma vitrine radical de engenharia.
A empresa britânica, conhecida por máquinas agrícolas e de construção, tem um histórico curioso de mostrar quão veloz esse tipo de equipamento pode ser.
A maior prova veio em 2019, no Reino Unido, durante a tentativa oficial que levou o JCB Fastrac Two aos livros de recordes.
Pesando cerca de 5 toneladas, o trator atingiu pico de 153,771 mph, equivalente a aproximadamente 247,5 km/h, em sua passagem mais veloz.
Após percorrer o trajeto nos dois sentidos, a média validada pelo Guinness ficou em 135,191 mph, cerca de 217,6 km/h.

Esse resultado tornou o Fastrac Two o trator modificado mais veloz do mundo, unindo pilotagem de Guy Martin e engenharia fora do padrão.
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A base do projeto veio do JCB Fastrac da série 8000, trator de produção que já alcança 43 mph, ou 69,2 km/h.
Antes dele, a JCB havia usado o Fastrac One para cravar 103 mph, cerca de 165,8 km/h, em uma marca nacional.
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O Fastrac Two refinou essa ideia com carroceria mais aerodinâmica, postura mais baixa e soluções inspiradas no universo dos recordes de hipercarros.
A comparação faz sentido diante de fabricantes como Koenigsegg e Bugatti, que também perseguem suas próprias marcas de velocidade.
O motor é um diesel turbo de seis cilindros e 7,2 litros, capaz de entregar 1.030 cv e mais de 255 kgfm.
Apesar do preparo extremo, o conjunto mantém bloco, cabeçote e virabrequim ligados ao motor JCB 672 usado em aplicações convencionais.
A força segue para o diferencial spool do eixo traseiro por uma transmissão manual ZF de seis marchas, derivada de caminhão.
Outro detalhe técnico é o escapamento de Inconel impresso em 3D, projetado para lidar com temperaturas de até 1.000 °C.
A dianteira recebeu um para-choque aerodinâmico exclusivo, desenvolvido com apoio da Williams Advanced Engineering para cortar melhor o ar.
O pacote inclui splitter frontal, difusor traseiro e defletores na cabine, todos pensados para reduzir resistência em alta velocidade.
A cabine também foi remodelada, ficando 200 milímetros mais baixa e 300 milímetros mais estreita que a peça do Fastrac 8000.
O trator inteiro foi rebaixado em 200 milímetros, permitindo coeficiente aerodinâmico de 0,48, número expressivo para uma máquina desse porte.
A redução de massa foi outro ponto central, já que um Fastrac comum pode pesar entre 8,5 e 9 toneladas.
Para chegar perto das 5 toneladas, a equipe retirou itens de produção, como a grande bateria de partida e compressores dos freios pneumáticos.
A frenagem ficou a cargo de tanques de gás pressurizado, combinados a discos nas quatro rodas e um pequeno paraquedas auxiliar.
Os pneus também tiveram papel decisivo, pois a BKT criou um jogo especial testado a 160 mph, ou 257,5 km/h.
Eles usam blocos de banda menores e carcaça mais estreita, buscando estabilidade e eficiência aerodinâmica em velocidades incomuns para tratores.
A ousadia técnica combina com a própria história da JCB, que também detém a marca de veículo diesel terrestre mais veloz do mundo.
Esse outro feito chegou a 350 mph, cerca de 563,3 km/h, reforçando a obsessão da marca por desempenho em máquinas improváveis.
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