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up! em sua primeira aventura – impressões ao dirigir

up! em sua primeira aventura - impressões ao dirigir

Hairton Ponciano Voz
Enviado a Gramado/RS


Até hoje, o up! só havia circulado em ambientes protegidos. Rodou em pistas fechadas, no interior de São Paulo, ou foi mostrado parado, dentro da fábrica, em São Bernardo do Campo. Mas o período de reclusão – e de proteção – acabou. Nesta quarta-feira, o compacto da Volkswagen saiu para enfrentar a vida como ela é. Nas ruas e estradas. Foi a primeira aventura de up!

Nosso encontro foi em Gramado, na serra gaúcha, e pode-se dizer que foi um encontro caliente. Os termômetros estão marcando 35 graus na cidade conhecida pelas temperaturas baixas, e por ser uma estação de férias de inverno. O que significa que dá para curtir um “fondue ecológico” – nem precisa acender o fogo para derreter o queijo.

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E o que o up! tem a ver com isso? Praticamente nada, mas deu para avaliar o funcionamento do ar-condicionado, que tem uma peculiaridade: as saídas centrais são fixas. Elas ficam na parte superior do painel, e estão voltadas para a parte de cima da cabine. Segundo os engenheiros da VW, dessa forma, refrigerando o ar nas partes mais próximas do teto, a temperatura diminui nas regiões mais elevadas do veículo, porque o ar quente sobe, e, portanto, a sensação térmica na cabeça dos ocupantes melhora. E no percurso que fizemos, a cabine foi refrigerada corretamente, sem maiores problemas, mostrando que é mesmo uma solução adequada.

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Andando

Mas vamos pôr o carro em movimento. Inicialmente andamos na versão de entrada, a Take up! Nos primeiros quilômetros do teste – feito entre Gramado e Porto Alegre, num percurso de aproximadamente 140 km –, deu para identificar várias características dos carros da marca alemã. A direção eletromecânica é precisa, tem bom peso e é comunicativa. Leves toques no volante são suficientes para o carro obedecer a vontade do motorista, mostrando que o sistema está bem direto. A suspensão também agradou. No percurso serrano, bastante sinuoso, a carroceria mostrou bom comportamento, e o pequeno hatch transmite muita confiança. Quem já dirigiu o Polo ou o Fox vai perceber um comportamento bem parecido. Carro firme, sem ser desconfortável.

Essa foi a oportunidade também de colocar o up! na vida real. Pistas de teste costumam ter asfalto perfeito. No Rio Grande do Sul, passamos por vários trechos de pavimentação remendada e com ondulações, e mesmo nessas condições o modelo saiu-se bem, sem pular demais, ou sair do controle.

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Da mesma forma, os freios trazem a típica sensação de um VW. Isso significa que basta uma leve pressão no pedal para o carro parar com segurança. Isso se deve não apenas ao ABS (que é de lei), mas também a um conjunto bem dimensionado, principalmente os tambores traseiros. O conjunto tem o mesmo diâmetro do usado no Polo, que é maior e mais pesado. Está, portanto, adequado a um carro que será utilizado no Brasil por famílias, e deve suportar bem as descidas de serra, situação em que as frenagens são constantes.

Serra abaixo

Falei em descidas de serra porque foi exatamente o que fizemos. Conscientemente ou não, a Volkswagen optou por um percurso que não exigiu tanto do motor. Gramado fica no alto da serra. Assim, para descer a Porto Alegre, todos os santos ajudaram.

Mas o motor 1.0 EA211, de três cilindros, mostrou bom serviço. Fizemos o percurso com 75 dos 82 cavalos disponíveis – em outras palavras, o carro estava abastecido com gasolina. Uma das razões – suponho – é o preço. No sul, o etanol custa cerca de R$ 2,40, preço muito próximo do da gasolina (aproximadamente R$ 2,80). O resultado é que na região ninguém abastece com etanol. Outra razão é que com gasolina a autonomia aumenta bastante. Você roda, roda, e o ponteiro do mostrador (ou as barrinhas digitais, conforme a versão) praticamente não se mexe.

A sensação é boa, assim como agrada consultar o computador de bordo e verificar que a autonomia supera os 600 km com um tanque de 50 litros – que a propósito é maior que o do europeu (35 l). Para finalizar o capítulo consumo, cheguei ao final do roteiro com o computador marcando 14,7 km/l, o que pode ser considerada uma boa média, especialmente durante um trajeto em que eu não estava preocupado com economia. A VW divulga 14,3 km/l nessas condições.

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Acelerando normalmente, nota-se uma leve vibração do motor, típica dos propulsores de três cilindros (ou com número ímpar de cilindros). O ruído também é um pouco peculiar. Motores assim costumam emitir um som em falsete, o que resulta em um barulho diferente, mas nada que deponha contra o carro. E também não é todo mundo que percebe. Minha companheira de test drive (a organização previu dois jornalistas por veículo) não notou nem a leve vibração nem o ruído “diferente”. É um indicador de que nem todo mundo vai perceber esses sintomas (ou se incomodar com eles).

As respostas ao acelerador são muito boas (para um 1.0, claro), e o carrinho ganha velocidade como se tivesse motor maior. Tive essa mesma sensação dirigindo o Fox BlueMotion, que inaugurou esse propulsor de três cilindros. O único senão é que, em subidas, a velocidade tende a cair rapidamente, exigindo redução de marchas. Mesmo sendo mais leve que o Fox, o up! “sente” as limitações do motor. Por isso, para preservar suas características de agilidade, o ideal é manter a rotação acima de 3 mil rpm.

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O pequeno conta-giros não equipa a versão básica (Take up!). Por isso, ao menor sinal de apatia nas subidas (e ela não demora a se manifestar), o ideal é reduzir para não perder o ritmo saudável. O mesmo serve para lombadas. O up! não é aquele tipo de carro que permite sair de uma lombada em terceira marcha. Portanto, puxe a segunda e seja feliz.

Câmbio macio

O bom é que a transmissão MQ200 continua aquela manteiga de sempre. As marchas são bem escalonadas, e os engates são precisos. Para concluir, a alavanca está muito bem localizada, facilitando o trabalho do motorista.

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Fiz parte do percurso do lado do passageiro, e ali também não há problemas. O espaço é amplo e confortável. Uma das novidades do modelo é o ajuste do encosto, feito por alavanca, e não por comando giratório, como é tradicional nos carros da marca. O porta-luvas é amplo, e há vários lugares para acomodar garrafas, nas portas dianteiras e à frente do banco traseiro.

Em termos de acabamento, o carro também agrada. Não há emprego de materiais sofisticados. O plástico de laterais e painel é rígido (lembra o do Fox), mas a textura agrada ao tato. O visual interno demonstra a mesma modernidade e jovialidade expressas no lado de fora.

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Se é bom de dirigir e de andar do lado direito, há um pequeno senão, no banco traseiro. Há bom espaço para pernas e cabeça, apesar de as dimensões sugerirem o contrário. Mas o encosto do banco é bem vertical. Foi o artifício encontrado pela VW para não sacrificar muito o porta-malas. São 285 litros, suficientes para bagagens não muito volumosas. Diria que o up! tem espaço suficiente para viagens familiares de finais de semana, com alguma parcimônia no momento de carregar o carro. A prateleira que permite acomodar objetos em dois níveis é uma boa sacada.

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Neste primeiro contato, o pequeno modelo agradou. O balanço mostra muito mais pontos positivos do que negativos, o que justifica plenamente as pretensões da Volkswagen. Ela deposita tanta esperança no modelo que o compara ao Fusca original. Se ele será o verdadeiro “carro do povo”, vamos descobrir em breve. As vendas já estão começando.

Viagem a convite da Volkswagen

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