Usados são a bola da vez diante de preços altos e falta de novos

Usados são a bola da vez diante de preços altos e falta de novos

Os preços dos carros novos não param de subir. Contudo, mesmo quem se dispõe a comprar um automóvel zero km, pode ainda ter que lidar com a falta de produto nas lojas.


Diante disso, os usados e seminovos aparecem como a bola da vez num mercado automotivo irregular em 2021.

Com os preços sendo reajustados mensalmente, os carros novos ainda sofrem com a paralisação da produção em algumas marcas e com players importantes, como o Chevrolet Onix, o carro mais vendido do país há seis anos.

A falta de peças e componentes atinge o setor automotivo, mas ainda não no mesmo nível que Europa e EUA. Em 2020, a produção caiu 31,6%, segundo a Anfavea.

De qualquer forma, isso se reflete na oferta de produtos novos e, naturalmente, nos preços. Ainda que estes problemas existam, o consumidor brasileiro continua muito interessado em comprar carro, apesar da crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus.

Para muita gente, o carro se tornou uma opção segura de transporte diante dos serviços públicos lotados, que aglomeram milhões de pessoas em trens, ônibus e metrôs.

Os carros de aplicativo são a alternativa para quem não pode ou não quer ter um carro, mas precisa de um eventualmente.

Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), as vendas de carros usados e seminovos subiu 2,4% no primeiro bimestre em comparação com 2020.

Usados são a bola da vez diante de preços altos e falta de novos

Deve-se lembrar que no início do ano passado, o Brasil ainda não estava na pandemia. Só em fevereiro a alta foi de 13% em comparação com 2020.

Isso tudo sem contar que o maior mercado consumidor de carros no país, o estado de São Paulo, aumentou o ICMS para a venda de usados e seminovos de 1,80% para 5,53%, a partir de 15 de janeiro.

Outro argumento forte para compra de carros usados e seminovos é o financiamento. Diferente do que alguns possam imaginar, há muita oferta de crédito no mercado para financiamento e se pode até parcelar 100% do valor do carro.

Houve uma alta de 13% na concessão de crédito no começo de 2021, motivada pela queda dos juros. A expectativa é que o crescimento continue ao longo do ano.

Na procura por usados e seminovos, os campeões são os veículos com 13 anos ou mais, que representaram 34,8% dos negócios. De 9 a 12 anos, a participação foi de 27,7% no começo de 2021. Nos seminovos, até três anos, apenas 9% do total das vendas foram registradas.

Já entre 4 e 8 anos, houve decréscimo de 0,2%. Isso indica que o poder de compra caiu muito com a crise, mas mesmo assim, o consumidor busca comprar um carro, mesmo que seja mais velho (e rodado) que o desejado.

Além disso, o comprador quer um modelo simples e popular, com Gol, Palio, Uno, Fiesta e Celta, por exemplo, representando 26,63% das vendas.

Esse indicativo, revela que a busca por um transporte individual na pandemia se intensificou, especialmente para quem não quer enfrentar o transporte público e não pode contar sempre com os aplicativos.

[Fonte: Extra]

 

 

 

 

 

Ricardo de Oliveira
Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

22 comentários em “Usados são a bola da vez diante de preços altos e falta de novos”

  1. Olha, pelo menos aqui onde moro, não tá compensando nem comprar usado. No começo de 2019, comprei um hb20 1.6, 2018 em uma dessas lojas de locadora – e que, apesar de tudo, nunca deu defeito graças a deus – por 39 mil, e hoje o mesmo carro, no modelo novo, tá 4000 reais apenas mais barato que o outro. Onix aqui ta sendo anunciado a preço de carro 0km quase. E se quiser hilux, aceite pagar a fipe ou uns 10% a mais que ela

    • Quando o consumidor vai vender o carro, quer perder pouco. É a tal da “baixa desvalorização”. Comprou por 40 mil, quer vender por 35 depois pra perder pouco dinheiro. Essa pouca diferença do novo e semi-novo é repassada pra quem quer comprar, depois, junto com a margem das revendas.

      No Brasil, vender carro ainda tem aquela mentalidade de “perder pouco”, não é como nos EUA onde é um bem de consumo que vc usa, gasta, e depois simplesmente vende. Essa alta valorização dos usados os deixa mais inacessíveis também, por isso a maior fatia dos carros usados negociados tem mais de 10 anos.

        • É uma reação em cadeia, na real. Como os usados são supervalorizados, os novos tendem a se valorizar mais ainda devido à baixa competição, deixando os usados ainda mais inacessíveis.

          Nós ganhamos tão pouco que queremos vender nossos usados o mais próximo possível do valor que compramos. Isso torna os usados inacessíveis pois o valor não cai.

        • É isso mesmo! Carro no br é um bem muito caro pra comprar e manter. Nos EUA é apenas uma mercadoria de consumo, usa e logo troca, pois a facilidade de comprar é absurda, alguns modelos tem financiamento em 72, 84 vezes sem juros! sem contar o leasing super barato. E modelos mais concorridos, por ex, meu primo comprou com financiamento de 0.89% ao ano, algo surreal de se imaginar no BR e se continuar assim a frota vai envelhecer cada vez mais.

        • Verdade. Sem contar essa patifaria de aumentar os preços todos os meses, e na minha opinião, o pior é quando o carro muda somente o modelo no documento, que a diferença de um ano para outro sobe uns10 mil reais dependendo do carro, mesmo que não tenha mudado absolutamente nada entre eles. É surreal uma coisa dessas.

      • Nos EUA é muito fácil comprar carro 0km, tem muita facilidade, meu primo comprou uma X3 com financiamento de 0,89% Ao ANO!, Isso mesmo, 0.89% de juros por ano! Por isso é muito fácil comprar carro 0km, além de serem baratos, tem muita facilidade.
        No br porém o preço dos novos não param de subir, e a tendencia do mercado de usados é acompanhar o de novos.
        Eu mesmo, já deixei de trocar de carro por não achar justo o valor do 0km e do valor pago ao meu usado na troca, eu valorizo o meu dinheiro, não jogo fora trocando de carro toda hora.

      • E os animais compram rindo! Eu adquiri uma Hilux SRV 2014 no fim de 2019 por 100 mil reais (tem 58 mil km) e hoje em dia já vi piores, com o dobro da km, sendo vendidas a 130, 135 mil reais! E a galera paga mesmo, parcela em 60 vezes, aceita o estupro financeiro do banco, no final gasta o equivalente a dois carros, mas vale tudo pra ser chamado de “patrão”.

  2. Tenho conhecidos que trabalham com semi-novos e todos dizem a mesma coisa: faltam semi-novos no mercado para fazer o giro. E esta falta reflete também no preço (para mais) dos modelos.

  3. Os carros novos estão cada vez mais caros e as opções de veículos básicos, simples e pequenos estão cada vez mais escassas, ao mesmo tempo em que a renda e o poder de compra do brasileiro caem vertiginosamente, essa conta não fecha. A pandemia acelerou os problemas econômicos do Brasil mas não foi a única causa, já tem mais de meia década que a coisa não anda bem. Portanto, já teve bastante tempo pras montadoras analisarem a realidade do mercado consumidor, não cola dizer que foram pegas de surpresa. Qual a resposta elas deram? Mais crossovers “SUV”s…. Me parece uma estratégia suicida.

  4. Gostaria da ajuda de quem interessar. Como sou plantonista, invariavelmente precisarei de um carro. De início havia pensado em um Onix Turbo, mas não tem, então como pretendo que seja meu último carro a combustão, quero algo robusto que dure (logo, baixa km) e não me deixe na mão, com o mínimo de conforto (direção elétrica, vidro elétrico, ar). Depois de duas semanas pesquisando mercado, vi quem nem um Polo TSI de baixa km está viável, então provavelmente pularei para um Honda usado de baixa km. Alguma observação? Desde já agradeço a ajuda.

    • Como é para ser o último carro a combustão e como vai demorar muuuuuuito até ficar realmente viável aqui no BR, sugiro um Etios pela durabilidade, mas um HB20 também atende. Fora o Etios, Honda/Toyota desvalorizam muito pouco eu acho que não valem a pena comprar seminovo.

    • Fui de civic começo do ano passado. 12/12. O carro tá beirando 100.000km (hoje tem 94.000km) e não tive um apontamento ou dor de cabeça. Pelo preço que paguei não vi nada parecido. R$ 39.000,00.

  5. Importante analisar os números: conforme a matéria, o aumento da venda de carros usados foi de míseros 2,4% de 2020 para 2021 e a maior procura é de carros com mais de 13 anos e de modelos simples. Mais um exemplo claro da enorme perda de poder de compra dos brasileiros. Explica também a estratégia de portfólio das montadoras: foco no público com bom poder aquisitivo em detrimento de volume de vendas e mercado.

  6. A matéria só não explica que os areia usados tb aumentaram de preço…a tabela fipe aumenta a cada mês…eu comprei um.mobi no final de 2019. Foi 35900. Vendi no mês passado, por 38 em css…isso pq a Fipe taba 38,6 mil. Ou seja, não tem por onde correr.

    Se pesquisar bem, tem carros zero com descontos em relação ao preço da tabela. A Peugeot tá dando bons descontos. Até a Toyota tava dando desconto, coisa rara. Novo versa tb estava com bom desconto….

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