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Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

Era o final de 1993. Junto com o Vectra GSi temos o Brasil há menos de um ano de se tornar tetracampeão de futebol e Ayrton Senna ainda surpreendendo em seu fraco McLaren Ford V8. Nessa época, a GM iniciou uma nova fase por aqui.


Fazia poucos anos que a importação de carros estava liberada e o consumidor brasileiro não precisava mais sonhar com os carros impossíveis das revistas especializadas. Agora, ele poderia ter um Opel aqui, embora com a gravata Chevrolet.

Um dos muitos alemães que desembarcaram por aqui, oriundos de Rüsselsheim, era o Chevrolet Vectra. O sedã médio europeu chegou para ficar entre o nosso saudoso Monza e outro germânico, já naturalizado, o Omega.

Na ânsia de atender os compradores que queriam entrar na nova era automotiva do Brasil, a GMB trouxe logo de cara três versões do Vectra, sendo que duas eram equipadas com motor 2.0 8V (GLS e CD).

Contudo, o suprassumo ficava para o Vectra GSi, que era a opção de performance do sedã médio alemão e trazia de forma exclusiva o motor Família II 2.0 16V.

Mais potente e rápido que as demais opções, o Vectra GSi foi uma alternativa agradável em um momento de boom do mercado, onde as novidades surgiam aos montes no mercado nacional.

Vectra GSi

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

O Vectra GSi não era um carro relativamente novo no mercado europeu, tendo sido lançado em 1988. Sucessor do Ascona (Monza alemão), o modelo recebera motor V6 apenas alguns meses antes de chegar ao Brasil.

Por aqui, se o GLS era mais racional e o CD tinha proposta mais luxuosa, o GSi era aquele que elevava a emoção ao máximo com a performance de um esportivo.

Não por acaso, a designação na Opel para GSi é de carro esportivo e foi assim até a ascensão da OPC. Então, para corresponder a isso, o Vectra GSi vinha para realmente botar lenha na fogueira.

Além do motor forte, trazia ainda transmissão manual de cinco marchas para que o condutor pudesse “puxar” tudo o que o carro tinha direito, tornando-o um carro realmente gostoso de dirigir, porém, havia alguns pormenores.

Objeto de desejo de muitos consumidores, o Vectra GSi chegou secretamente com prazo de validade. O motivo é que a chegada do sedã importado era o prenúncio de sua nacionalização, já na segunda (e sofisticada) geração.

Raro nos dias de hoje, o Vectra GSi usado e conservado pode custar R$ 30.000 sem muito esforço. Ou seja, ainda é um carro que desperta a paixão pelo saudosismo, purismo e esportividade que hoje não temos mais.

O GSi durou muito pouco pelo que oferecia, sendo exatos 30 meses, em que aqueles que podiam pagar seu alto preço, tiveram a chance de te-lo na garagem, alguns para preservação.

Infelizmente, com a chegada da nova geração, o Vectra GSi não teve espaço no portfólio da Chevrolet e ficou sendo um produto para apreciação apenas dos europeus e outros que podiam compra-lo em outras regiões.

Vectra GSi – Estilo

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

O Vectra GSi era um “sleeper car”, não aparentando visualmente o que realmente podia fazer. Discreto, o modelo chegou sem perfumarias, que os alemães evidentemente não gostam.

Como um Opel, o GSi era um esportivo para chamar atenção apenas quando arrancasse rápido e não por estética, algo que os italianos – mais emocionais – apreciam. Como alemão, ele tinha de ser discreto e funcional.

Parcialmente dotado de linhas arredondadas na frente, o Vectra GSi tinha formas atraentes, mesmo não querendo ir por esse caminho “visual”. O modelo apresentava o logotipo Chevrolet dentro de um círculo, que era da Opel.

Isso facilitava a troca de emblemas para sua comercialização em países onde, infelizmente, a marca alemã não estava presente, como aqui. A grade preta era emoldurada por um acabamento na cor do carro.

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

Os faróis duplos retangulares tinha os piscas separados, além de lentes claras. O Vectra GSi tinha molduras pretas que envolviam toda a carroceria, englobando os para-choques e as laterais do carro.

Na frente, abaixo delas, havia um protetor com linhas fluidas e dois faróis de neblina, que ficavam numa moldura que também servia de grade inferior, tendo esta apenas um friso na cor do carro.

Esse para-choque era exclusivo do Vectra GSi e tinha ainda um spoiler discreto na base. Nas laterais, o sedã esportivo vinha com saias laterais bem proeminentes, bem como badge “2.0 16V” para enaltecer o que havia debaixo do capô.

Os retrovisores eram embutidos nas portas, que tinham ainda maçanetas igualmente integradas à carroceria, reduzindo assim o coeficiente aerodinâmico. Estas eram pretas e se destacavam no visual, assim como as colunas pretas.

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

No Vectra GSi de cor branca, um dos mais desejados – se não for o mais – essas partes em preto se sobressaíam bem mais. Com teto solar elétrico, o sedã não tinha mais nada sobre a cabine.

A antena do sistema de áudio era elétrica e ficava no lado esquerdo do porta-malas. Este vinha com um pequeno defletor de ar na cor do carro, sendo praticamente integrado à tampa.

As lanternas quase quadradas eram escurecidas e cortadas pela tampa do porta-malas, sendo fixadas num fundo preto que dominava a traseira, que era o que mais destacava o Vectra GSi das demais versões.

O para-choque tinha um spoiler estranhamente muito pronunciado, diferente do que se espera em um carro esportivo. Os badges “Vectra GSi” de um lado e “Chevrolet” do outro era adesivados na carroceria.

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

O logo da gravata com fundo preto ficava ao centro, mas estava anos-luz de distância de qualquer proposta “Midnight” de hoje em dia. Já o escapamento do Vectra GSi era discreto em sua ponteira, oculta sob o para-choque traseiro.

Para diferencia-lo das versões GLS e CD, a GM adicionou rodas aro 15 polegadas com liga leve inteiriça, tendo apenas cinco entradas de ar em forma de pétalas e uma capa protetora dos parafusos. Seus pneus eram 195/60 R15.

No interior, o Vectra GSi exibia um ambiente sóbrio, não apresentando qualquer característica que o levasse a ser um esportivo. O volante, no entanto, era o mesmo do Calibra, tendo quatro raios e ajuste em altura.

Com 37 cm de diâmetro, ele tinha acabamento em couro e aparência elegante, porém, longe da proposta do carro. O painel era todo preto, tendo cluster analógico com conta-giros em meia-lua e velocímetro centralizado.

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

Sem airbags, o Vectra GSi tinha um “buraco” no lugar do mesmo para o passageiro, que servia de porta-objetos. O porta-luvas refrigerado e com porta-copos ficava logo abaixo.

Os difusores de ar eram bem elevados, enquanto o ar condicionado ainda mantinha alavancas para ajuste ao lado do computador de bordo de 7 funções, num diminuto display, porém, bem chamativo.

Este vinha com relógio, consumo médio e instantâneo, autonomia, velocidade média, cronômetro e temperatura externa.

No caso do sistema de áudio, chamava atenção dois aparelhos. Um era o rádio toca-fitas 1din na parte inferior do console central, tendo logo abaixo um player de CD com display digital e também num formato 1din.

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

Mais abaixo, um cinzeiro retrátil com acendedor de cigarros embutido, além da alavanca de câmbio em couro.

O freio de mão junto dos botões do computador de bordo. Embora os espelhos retrovisores externos fossem ajustáveis na porta do motorista, os vidros não eram.

Os comandos dos vidros ficavam entre os bancos dianteiros, tendo botões individuais. Entretanto, as portas traseiras vinham com seus acionadores nas portas. Já as travas eram por pinos no topo das mesmas.

O revestimento dos bancos era em veludo e não em couro, algo que pode ser visto em muitos Vectra GSi usados. Os apoios de cabeça tinham elementos vazados, enquanto o banco do motorista tinha ajuste lombar.

As portas tinham acabamento em veludo na parte central e apliques imitando madeira na parte superior. O Vectra GSi ainda oferecia porta-cassetes (5) entre os bancos dianteiros, além de apoio de braço central apenas atrás.

Equipado com direção hidráulica, o Vectra GSi oferecia muito conforto a bordo. No porta-malas, cabiam 388 litros. Tudo isso movido por um propulsor realmente capaz.

Vectra GSi – Motor

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

O Vectra GSi não tinha apenas um motor mais potente colocado simplesmente dentro do cofre, mas uma preparação diferenciada como um todo para que o sedã realmente andasse como os alemães exigem.

Assim, o propulsor C20XE chegava com bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio com 16 válvulas em duplo comando de acionamento por correia dentada.

Ele era parte da Família II da GM e tinha 1998 cm3 de volume, trabalhando com taxa de compressão de 10,5:1. Entregando 150 cavalos a 6.000 rpm e 20 kgfm a 4.600 rpm, ele tinha injeção eletrônica sequencial Bosch Motronic.

O C20XE era bem robusto para atingir altas rotações, tendo virabrequim reforçado, pistões forjados, válvulas de escape refrigeradas à sódio, comandos com árvores ocas para reduzir peso e inércia, catalisador e sensor de oxigênio.

Vectra GSi: o sedã esportivo que abalou nosso mercado nos anos 90

A injeção Bosch Motronic 2.8 tinha dois corpos de borboletas para aspiração em alta e baixa rotação, tendo ainda cárter de alumínio, coletor de escape em aço inox 4:2 e radiador de óleo.

Aqui, o Vectra GSi ia de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e tinha máxima de 210 km/h. Porém, as revistas especializadas chegavam a 215 km/h. Na Europa, o esportivo era mais veloz e atingia 217 km/h.

Com 4,432 m de comprimento, 1,706 m de largura, 1,370 m de altura e 2,600 m de entre eixos, o Vectra GSi pesava 1.235 kg, tendo suspensão dianteira McPherson e traseira por eixo de torção. Os freios eram a disco nas quatro rodas, sem ABS.

O consumo era de 10,6 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada, nada mal para um sedã médio da década de 1990. Para efeito de comparação, hoje o Polo GTS faz 11/13,7 km/l, respectivamente, sendo apenas 0,1 segundo mais rápido.

Com tanque de 57 litros, o Vectra GSi teoricamente podia rodar quase 770 km. Foi um bom carro, mas viveu pouco por aqui. No tempo em que esteve, não recebeu alterações, entrando assim para o rol dos bons carros esportivos dos anos 90.

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Willie Cicci

    Tinha cara de tiozão, era moderno pra nós e defasado pra Europa, mas andava muito.

  • Verdades sobre o mercado

    À época era um excelente sedan médio. Bom nível de segurança(para a época) e motorização excelente(a mesma do Calibra).

  • Lukoh

    Eu tive um 94/95… me diverti muito com ele, a clientela favorita eram os tempra 2.0 16V, hahah

    Diferente do texto, o GSi tinha freios ABS, sim…

    • Eduardo 1981

      Tigra e Calibra tb tinham os ABS e até as versões GLS dos Cosa Sedan e Wagon.

  • Considerando-se apenas o porte, Incrivelmente, seu sucessor natural hoje na GMB é o Onix Plus. Aliás, um Onix Plus GSi branquinho como o Vectra acima ficaria bem bonito.

    • Victor Freire

      com motor 1.4 turbo ficaria uma bala. mas duvido que a gmb mexa, sequer que coloque o 1.2 turbo do novo tracker.

    • Peter Bishop

      Só se for o Plus mexicano 1.2 Turbo…

  • 🅰🅽🅳🅴🆁🆂🅾🅽 – 🆂🅿® ✅

    Ele e o Calibra que usava o mesmo motor fizeram certo sucesso na época, pena que é muito difícil encontrar algum hoje em dia inteiro sem ter sido manolado.

  • Marcelo

    Bons tempos que a GM Brasil baseava seus carros na Opel. Ômega, Corsa, Calibra, Astra. Foi o auge em qualidade da GM por aqui.

    • Eduardo 1981

      Tigra.

      • Marcelo

        Tigra. Esqueci deste pequeno esportivo. Obrigado.

  • 8,5seg de 0-100 é muito bom, o toyota corolla 2.0 de 2020 faz em 9seg!

    • Peter Bishop

      Corolla faz em 10s…

  • Peter Bishop

    Vectra GSi ia de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e tinha máxima de 210 km/h. Mais esportivo que o Polo GTS de 104 mil kkkkkkk

  • Diego Berri

    Vai valer muito ainda!!

  • Alvarenga

    Esse carro era o bicho, o motor crescia que era uma beleza, como respirava!!!! Hoje em dia seu desempenho não seria nada de extraordinario mas na época era campeão. Era mais gostoso de dirigir do que o Calibra que tambem foi trazido e tinha o mesmo conjunto mecanico porem um pouco mais curto de relação.

  • Ubaldir

    Tive um Vectra GLS dessa primeira geração, que foi substituído por um GLS da segunda. Um carro fantástico, realmente.
    No interior, o acabamento não encontra paralelos nos os carros atuais. Era muito veludo e revestimento agradável ao toque, o que é impensável, mesmo nos veículos mais sofisticados de hoje.
    Em linhas gerais, era um modelo de manutenção em conta. Esse da primeira geração foi um carro mais adequado ao seu perfil (sedã médio familiar) que o da segunda, a despeito do impressionante salto em termos de design que a nova geração trouxe. Era mais confortável e parecia ter um rodar que transmitia mais robustez que o Vectra “tubarão”.
    Bem, no Vectra de segunda geração procuraram tornar o sedã mais “esportivo”, com ajuste de suspensão mais rígido e câmbio com relação mais curta, deixando o carro mais “duro” e “beberrão”.
    Tenho saudade de ambos os modelos. Foram carros que me atenderam em conjunto, por cerca de 8 anos, com muitas viagens ao litoral e muitas boas lembranças.

    • Janduir

      Concordo inteiramente. Tenho um Vectra C e já andei nos modelos A e B. Realmente em matéria de conforto, o A era tipo o Monza. Já o B piorou e C então é bem durinho…

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