
A temporada de supercarros estrangeiros em Londres virou um problema caro e difícil de cobrar, com proprietários acumulando multas de estacionamento que frequentemente ficam sem pagamento.
Segundo o Wall Street Journal, bairros nobres recebem durante o verão Ferraris, Lamborghinis, McLarens e Bentleys registrados no Catar, Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo.
O problema não está propriamente nos carros, mas na forma como alguns visitantes estacionam em áreas proibidas e depois deixam o Reino Unido sem quitar as cobranças.
Há proprietários capazes de gastar cerca de US$ 68.000 (R$ 352.900) para transportar um Ferrari de avião durante as férias, tornando uma multa de US$ 200 (R$ 1.000) relativamente pequena.
Motoristas são vistos ocupando áreas de carga, pontos de ônibus, espaços reservados a táxis e trechos marcados por linhas amarelas duplas, especialmente nas proximidades da Harrods.

Entre os exemplos citados aparecem um Land Rover Defender P400 registrado no Catar e um Ferrari Purosangue de aproximadamente US$ 400.000 (R$ 2,1 milhões).
O Ferrari já tinha uma multa recém-colocada no para-brisa quando o condutor retornou, afirmou que pagaria e saiu ainda com o aviso grudado no carro.
As cobranças costumam variar de US$ 150 (R$ 778) a US$ 215 (R$ 1.100), mas os dados de Westminster mostram que emitir e receber são etapas bem diferentes.
Entre 2018 e 2022, Westminster tentou cobrar 13.423 multas aplicadas a veículos registrados nos Emirados Árabes Unidos, porém apenas 1% delas foi efetivamente paga.
Somente no ano passado, veículos registrados no Catar receberam outras 2.570 multas em Westminster, colocando o país à frente de Alemanha e França nesse levantamento.

O dado chama atenção porque o Catar tem aproximadamente três milhões de habitantes e fica a cerca de 6.437 km de Londres, muito mais distante que os países europeus citados.
Quatro países do Golfo responderam juntos por 41% de todas as multas destinadas a veículos estrangeiros em Westminster durante o mesmo período analisado.
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A principal dificuldade é que autoridades britânicas frequentemente não conseguem obter o endereço do proprietário registrado quando o veículo vem de países situados fora da Europa.
O governo do Reino Unido confirmou em dezembro que informações sobre proprietários de veículos não podem ser compartilhadas internacionalmente para cobrança de dívidas civis.
Conselhos locais ainda podem contratar empresas internacionais de cobrança depois que os automóveis deixam o país, mas o processo se torna mais complexo e menos eficiente.

Parte desses proprietários transporta os carros de avião, pagando cerca de US$ 34.000 (R$ 176.500) por trecho, o que evidencia o enorme poder financeiro envolvido.
Westminster afirma aplicar as mesmas regras aos visitantes estrangeiros, mas reconhece as limitações práticas existentes quando o veículo e seu proprietário deixam rapidamente o território britânico.
O governo também declarou no fim do ano passado que não pretende conceder poderes mais amplos para reter veículos apenas porque estão associados a multas de estacionamento pendentes.
Uma declaração oficial feita ainda em 2009 já descrevia veículos com registro estrangeiro como praticamente imunes à cobrança relacionada a estacionamento, trânsito e taxa de congestionamento.
Mais de uma década depois, a combinação entre dificuldade de identificação, circulação internacional e proprietários extremamente ricos continua permitindo que grande parte dessas cobranças permaneça aberta.




