Crossovers Renault

Versão Dynamique 1.6, mais vendida do Duster, contém EcoSport

Versão Dynamique 1.6, mais vendida do Duster, contém EcoSport

Pode-se dizer que o Renault Duster teve uma vida relativamente fácil desde que chegou ao Brasil. Quando foi lançado, no último trimestre do ano passado, o seu único concorrente, o Ford EcoSport, estava em fim de vida e com vendas em queda. E o Duster foi tão bem que a Ford fez diversos pré-lançamentos para chamar a atenção para a nova geração de seu SUV compacto e tentar evitar a catástrofe completa.


Nada impediu, no entanto, que o modelo paranaense abocanhasse a liderança do segmento sem dificuldades. Agora a situação é outra. O novo EcoSport finalmente chegou às lojas e o Duster tem concorrente à altura. Para se defender do ataque, a Renault até lançou uma nova edição especial, com foco na tecnologia. Mas é na configuração Dynamique 1.6 que ela deposita suas reais esperanças. Afinal, quase metade dos emplacamentos são dessa versão.

Versão Dynamique 1.6, mais vendida do Duster, contém EcoSport

Por enquanto, ela tem conseguido “segurar” a pressão. Em setembro, o primeiro mês de vendas do novo modelo da Ford, o Duster ainda fechou na frente, com 3.474 unidades contra 3.036. Dessas, cerca de 1.500 são da Dynamique 1.6. No ano, já foram mais de 30 mil emplacamentos do SUV da Renault, o que dá uma média de 3.400 carros/mês. Significativamente superior aos 2.500 exemplares que a própria fabricante imaginava no lançamento, há um ano. As primeiras parciais de outubro, porém, mostram que o EcoSport começa a crescer e deve retomar a liderança do segmento.


O segredo do bom desempenho da configuração Dynamique 1.6 é bem simples. Como é a versão topo de linha, ela traz o máximo em termos de equipamento que o utilitário traz e tem um preço mais atraente em função de ter um motor 1.6 – sai por R$ 54.200 enquanto a Dynamique 2.0 fica em R$ 57.850. A diferença de R$ 3.650 tem feito o consumidor optar pelo propulsor menor.

Versão Dynamique 1.6, mais vendida do Duster, contém EcoSport

Embutido no valor está uma boa lista de equipamentos. Na parte de segurança, estão os tradicionais airbag duplo e ABS. Em nenhuma versão há airbags laterais e de cortina ou controles de estabilidade e tração. Entre os itens de conforto, o Duster Dynamique já vem equipado com volante com revestimento em couro, faróis de neblina, trio elétrico, computador de bordo, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, direção hidráulica, rodas de alumínio de 16 polegadas e rádio/CD/MP3/USB/Aux/Bluetooth com comando satélite na coluna de direção.

Sob o capô vem o já conhecido 1.6 16V que já equipa as versões automáticas de Logan e Sandero. Ele gera 110/115 cv e 15,1/15,5 kgfm com a 3.750 rpm. O câmbio é manual de cinco velocidades. Quando o mesmo Duster é equipado com o motor 2.0 de origem Nissan, a transmissão “ganha” uma marcha e a suspensão traseira passa a ser multilink, no lugar da barra de torção.

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Neste cenário, a versão do EcoSport que mais se aproxima é a SE, por R$ 56.490 – apesar de a Ford apostar a maioria de suas fichas na Freestyle e seus R$ 60 mil. Mas a disputa promete ficar mais “populosa” nos próximos anos. Chevrolet Tracker e Peugeot 2008 devem aparecer em 2013 e 2014, respectivamente. Enquanto isso, fabricantes como Fiat e Honda ainda estudam a entrada no segmento. Definitivamente, ninguém mais terá boa vida no segmento de utilitários esportivos compactos.

Ponto a ponto

Desempenho – Não há surpresas ao acelerar o Duster 1.6. O propulsor é “justo” para um carro do porte do utilitário paranaense. Os 115 cv e 15,1 kgfm de torque movem o modelo de maneira comedida, sem qualquer arroubo de esportividade. Mas não também não há sensação de falta de força. Uma das razões para isso é a relação bem curta das marchas. A primeira, por exemplo, serve praticamente apenas para tirar o carro da imobilidade. Isso faz com que o motorista sempre precise recorrer ao câmbio para obter algum desempenho do veículo. Nota 7.

Estabilidade – O Duster sofre com sua altura e alto peso. A combinação destes dois aspectos faz das saídas de frente algo comum. Principalmente em curvas mais fechadas, onde o esterçamento precisa ser mais “certeiro”, são necessárias correções no volante para manter o SUV na trajetória desejada. Nas retas, o comportamento é neutro, sem sinais de falta de estabilidade. Nota 6.

Interatividade – Tudo está no lugar esperado no interior do Duster. Todos os comandos são colocados em lugares intuitivos, o que melhora a vida a bordo. O único “porém” é o comando satélite do rádio, posicionado na coluna de direção. O próprio rádio tem funcionamento confuso. Nada, no entanto, que atrapalhe muito. A altura elevada melhora a visbilidade tanto na frente quanto atrás. Assim como o Sandero, com quem divide a platafoma, a alavanca de câmbio é um tanto imprecisa. Depois de engatada na marcha desejada, ela parece “bamba”. Nota 7.

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Consumo – O InMetro só avaliou o consumo do Renault Duster nas versões 2.0. Nesta 1.6, o computador de bordo marcou média de 8,1 km/l de gasolina em trajeto misto. Nota 6.

Conforto – O estilo quadradão da carroceria proporciona excelente espaço interno, principalmente na região de cabeça e ombros de todos os ocupantes. Atrás, há espaço suficiente para as pernas. A suspensão traseira por eixo de torção absorve menos os impactos das irregularidades, que são passados aos passageiros com menor suavidade. Os bancos são confortáveis, mas faltam apoios laterais. Nota 7.

Tecnologia – A plataforma do Duster é a conhecida B-zero, que equiparam os modelos do Grupo Renault Nissan desenvolvidos até 2010 – os novos usam a Plataforma V. Com concepção ainda moderna, a B-zero traz espaço e interno e rigidez torcional aceitáveis. Esta versão Dynamique 1.6 alia uma lista de equipamentos interessante com um motor mais em conta. Nota 7.

Habitalidade – A principal crítica no interior do utilitário vai para a distribuição dos porta-objetos. O mais espaçoso fica na parte superior do painel, lugar pouco prático. Há mais um sob a alavanca do freio de estacionamento, mas que também tem acesso complicado. Mas há uma boa área para pernas, ombros e cabeça dos passageiros e não há falta de espaço no bagageiro. Ele leva 475 litros e tem acesso muito fácil graças a abertura para cima da tampa. Nota 8.

Acabamento – O Duster faz o estilo bruto também no interior. O acabamento é “durão”, com plásticos rígidos em grande profusão. Se não passa muita ideia de requinte, ao menos dá a impressão de que o carro é resistente e robusto. Algo interessante se a estratégia é ter um SUV. Mas que não esconde a rusticidade dos materiais usados. Nota 6.

Design – A proposta da Renault ao criar um SUV foi fazer um com “cara” de utilitário. Nada de linhas modernosas ou ângulos inovadores. O Duster tem estilo quadrado, para-lamas pronunciados e suspensão elevada. O único toque de sofisticação é dado pela grande quantidade de cromados espalhados por toda a carroceria. No final, ficou um carro bem simpático e marcante, a ponto de influenciar os novos Dacia Sandero e Logan apresentados no último Salão de Paris. Nota 8.

Custo/benefício – A Ford definitivamente voltou à disputa dos utilitários compactos com o novo EcoSport. E a versão mais atrativa do jipinho bate de frente exatamente com o Duster Dynamique 1.6. O EcoSport SE traz uma lista de equipamentos bem semelhante por R$ 56.490, enquanto o Renault custa R$ 54.200 – e pode alcançar R$ 56.790 com pintura metálica e bancos de couro. O Duster ainda se defende com o comportamento dinâmico acertado e conjunto robusto. Além disso, esta configuração Dynamique é a que reúne o melhor custo/benefício da gama. Corre por fora o Hyundai Tucson 2.0, que começa na faixa dos R$ 60 mil. Nota 8.

Total – O Renault Duster Dynamique 1.6 somou 70 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Estilo próprio

Na essência, o Duster é um carro rústico. O visual reforça isso, sem dar espaço para modernismos ou toques marqueteiros, como estepe pendurado na tampa da mala. A parte de dentro segue na mesma tocada pragmática, com plásticos duros para todo lado. É difícil achar algum toque de sofisticação na cabine do utilitário.

Os itens que tentam aumentar o conforto a bordo são os bancos e o volante de couro – os assentos, por sinal, ficam devendo melhor apoio lateral. Os materiais são todos encaixados com precisão, mas não dá para negar o excesso de despojamento no acabamento. Pelo menos dá uma sensação de robustez.

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O cenário é mais favorável quando se trata de espaço no habitáculo. Nesse ponto, o Duster é muito bem pensado e consegue levar cinco adultos sem maiores problemas. Nem o do meio tem muitas dificuldades em se acomodar. graças ao teto alto e aos 2,67 metros de distância entre-eixos, que dão tanto espaço para cabeças quanto para pernas. O mesmo se aplica ao porta-malas, que carrega 475 litros, 100 litros maior que o do Ford EcoSport. E como não tem o famigerado estepe pendurado, a tampa do bagageiro abre para cima, o que também se mostra muito mais acertada que a do concorrente, que abre para o lado – pouco prático no cotidiano.

Em movimento a situação não se altera muito. O competente motor 1.6 até dá alguma agilidade ao jipinho, principalmente no uso urbano, mas nada que anime muito. Para se chegar a números de desempenho mais “convincentes”, é preciso pisar fundo – coisa que o propulsor parece “não gostar”. Ele gira asperamente em rotações elevadas, com muita vibração e barulho. Para levar os quase 1.300 kg do Duster, a Renault instalou uma caixa de câmbio com relações curtas. Isso realmente deixa o carro mais “vivo”, mas é preciso ficar trocando de marcha com alguma frequência.

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Quando o motorista tem paciência para levar o utilitário à velocidades elevadas, o modelo se mostra neutro e estável. Fruto também do alto peso que ajuda a manter as rodas no chão. Nas curvas, a grande massa joga contra e torna as saídas de frente algo quase frequente.

Demora algum tempo a acostumar a entrar em curvas com menos “ânimo” que o comum. O que é esperado em um veículo com as dimensões do Duster, que cobra dinamicamente o preço de ser um SUV.

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Ficha técnica – Renault Duster 1.6 16V

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 110 cv e 115 cv com gasolina e etanol a 5.750 rpm.

Aceleração: 0-100 km/h: 12,3 s e 11,9 segundos com gasolina e etanol.

Velocidade máxima: 165 km/h e 163 km/h com gasolina e etanol.

Torque máximo: 15,1 kgfm e 15,5 kgfm com gasolina e etanol a 3.750 rpm.

Diâmetro e curso: 79,5 mm X 80,5 mm. Taxa de compressão: 9,8:1.

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos, triângulos inferiores e molas helicoidais. Traseira semi-independente com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais. Não possui controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 215/65 R16.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS de série na versão Dynamique.

Carroceria: SUV em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,31 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,69 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal a partir da versão Expression.

Peso: 1.202 kg (1.6 16V), 1.258 (Expression e Dynamique) com 497 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 475 litros.

Tanque de combustível: 50 litros.

Produção: São José dos Pinhais, Paraná.

Lançamento mundial: 2010.

Lançamento no Brasil: 2011.

Itens de série: Volante com revestimento em couro, painel central em black piano, faróis de neblina, trio elétrico, computador de bordo, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, direção hidráulica, rodas de alumínio de 16 polegadas, barras longitudinais no teto, retrovisores exteriores cromados e rádio/CD/MP3/USB/Aux/Bluetooth com comando satélite na coluna de direção.

Preço: R$ 54.200.

Opcionais: Pintura metálica e bancos de couro.

Preço completo: R$ 56.790.

Prós:

# Espaço interno

# Custo/benefício

# Lista de equipamentos

Contras:

# Estabilidade

# Consumo

Por Auto Press

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