Volkswagen, BMW e Mercedes recuam diante das rivais chinesas, e até o prestígio premium deixa de garantir vantagem no maior mercado

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O avanço das marcas chinesas está reduzindo rapidamente um dos fluxos comerciais mais importantes para a indústria automotiva alemã.

As exportações de veículos e componentes da Alemanha para a China caíram mais de 25% nos cinco primeiros meses, diante da crescente concorrência local.

Segundo dados oficiais da Destatis, os embarques somaram € 4,7 bilhões (R$ 29 bilhões) entre janeiro e maio.

O levantamento compara sempre os cinco primeiros meses de cada ano e mostra uma retração contínua desde o recorde alcançado em 2022.

Naquele período, as exportações alemãs de automóveis e peças para o mercado chinês chegaram a € 13,6 bilhões (R$ 83,9 bilhões).

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A China permanece como o maior mercado automotivo mundial e, durante muitos anos, representou uma fonte essencial de receita para fabricantes alemãs.

Até 2024, veículos e componentes lideravam as exportações da maior economia europeia para o país asiático, mas perderam espaço para máquinas e equipamentos elétricos.

Volkswagen AG e BMW AG estão entre as empresas que mais enfrentam dificuldades para preservar participação diante de fabricantes chinesas competitivas em preço e desenho.

A Volkswagen registrou redução de 37% nas vendas chinesas durante o segundo trimestre, ampliando a pressão sobre a maior fabricante de automóveis da Europa.

O resultado levou a administração a avaliar medidas adicionais para reduzir despesas, simplificar operações e ajustar a capacidade produtiva à demanda atual.

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Oliver Blume, CEO da Volkswagen, apresentou a possibilidade de eliminar até 50.000 postos adicionais dentro da estrutura global do grupo.

Caso o plano avance integralmente, o total de reduções poderá chegar a 100.000 posições, dobrando a quantidade considerada anteriormente pela companhia.

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A empresa também avalia encerrar atividades em até quatro unidades alemãs, dentro de uma reorganização que poderá atingir diferentes marcas e regiões.

Outra proposta prevê reduzir pela metade um portfólio atualmente formado por 150 modelos distribuídos entre Volkswagen, Porsche, Audi, Skoda e outras divisões.

As dificuldades não estão limitadas aos produtos de maior volume, pois Mercedes-Benz Group AG e BMW também encontram menor procura por automóveis sofisticados.

A concorrência local e a desaceleração do setor imobiliário chinês diminuíram a disposição dos consumidores para adquirir modelos mais caros e posicionados no segmento premium.

As vendas chinesas das marcas Mercedes-Benz, BMW e Mini recuaram 30% no segundo trimestre, segundo os resultados apresentados pelas respectivas fabricantes.

A Porsche AG também informou redução de 32% nas entregas realizadas ao país asiático durante todo o primeiro semestre.

Esses números mostram que reputação internacional, acabamento refinado e tradição mecânica já não garantem vantagem diante da rápida evolução dos produtos desenvolvidos na China.

Fabricantes locais ampliaram suas linhas, aceleraram ciclos de desenvolvimento e passaram a oferecer tecnologias competitivas por valores inferiores aos praticados por rivais estrangeiras.

A mudança também altera a relação comercial entre os dois mercados, pois as marcas chinesas deixaram de concentrar seus esforços exclusivamente dentro do próprio país.

BYD Co. e Chery Automobile Co. estão fortalecendo operações na Europa, justamente onde os grupos alemães tradicionalmente mantêm suas posições mais sólidas.

EVs de preço mais acessível exercem papel importante nessa expansão, atraindo compradores interessados em tecnologia, autonomia e menor custo de aquisição.

Assim, a Alemanha perde espaço nas exportações para a China ao mesmo tempo que enfrenta uma presença chinesa cada vez maior em seu mercado regional.

A tendência coloca Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz e Porsche diante de uma dupla pressão, exigindo respostas tanto na China quanto nas concessionárias europeias.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook