
A Volkswagen avalia uma mudança que mexe diretamente com sua própria tradição industrial e pode levar projetos chineses da marca às ruas europeias.
A possibilidade envolve vender na Europa modelos desenvolvidos na China e, em uma etapa posterior, produzi-los dentro de fábricas alemãs.
Segundo pessoas ouvidas pelo Handelsblatt, o grupo já encomendou um estudo de viabilidade para medir custos, adaptações e impacto comercial.
O levantamento considera tanto importar veículos completos da China quanto montar carros ou componentes principais em instalações europeias da própria Volkswagen.
Fontes internas ressaltam que a proposta ainda está em fase exploratória e pode ser descartada caso os números não sustentem a operação.

A discussão ganhou força em maio, depois de declarações de Oliver Blume, presidente do grupo, sobre possíveis importações chinesas para a Europa.
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Naquele momento, o foco parecia estar no ID.Era 9X, desenvolvido na China em parceria com a SAIC e cogitado para lançamento europeu.
Esse modelo é maior que o Volkswagen Touareg, mas custa na China € 45.000 (R$ 267.400), uma diferença capaz de chamar atenção em Wolfsburg.
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Na Europa, um Touareg pode superar facilmente € 80.000 (R$ 475.300), o que ajuda a explicar o interesse por alternativas mais competitivas.
O Handelsblatt agora indica que a Volkswagen estaria inclinada a outro veículo, ainda não lançado no mercado chinês.

Esse futuro modelo deve ter porte próximo ao do Touareg e será baseado na China Scalable Platform, conhecida pela sigla CSP.
Um ponto importante é que a CSP pertence à Volkswagen e não compartilha tecnologia nem componentes com a SAIC.
Isso daria à marca alemã controle integral sobre software, eletrônica, arquitetura técnica e escolhas de engenharia do produto final.
Mesmo assim, o veículo precisaria ser ajustado para as regras europeias, incluindo assistentes de condução, materiais internos e calibração de software.
A barreira mais sensível está nas tarifas aplicadas pela União Europeia a EVs fabricados na China e vendidos no bloco.

O Cupra Tavascan, produzido na China e exportado para a Europa, conseguiu isenção tarifária por usar majoritariamente tecnologia europeia.
Outros modelos cogitados pela Volkswagen provavelmente não receberiam o mesmo tratamento, tornando a conta financeira bem mais delicada.
As tarifas compensatórias atuais variam conforme o fabricante, com 35% para SAIC, 17% para BYD e pouco menos de 8% para Tesla.
Esses percentuais se somam à tarifa padrão de importação da União Europeia, aumentando o peso sobre qualquer plano baseado apenas em importação.
Produzir localmente seria o caminho mais direto para contornar esse obstáculo e, ao mesmo tempo, melhorar o uso das fábricas alemãs.
Fontes sem identificação citam a unidade de Zwickau como possível destino, embora nenhuma decisão concreta tenha sido tomada até agora.
Representantes dos trabalhadores estariam dispostos a avaliar modelos adicionais desenvolvidos na China, desde que eles complementem os compromissos já assumidos na Alemanha.
A resistência interna, porém, não desapareceu, e nem todos os executivos parecem compartilhar o entusiasmo de Blume pela ideia.
Segundo uma fonte da companhia, o diretor financeiro Arno Antlitz alertou contra vender veículos de concorrentes totalmente desconectados da Volkswagen na China.
Para Antlitz, associar esses produtos à imagem de qualidade da Volkswagen pode criar riscos de posicionamento, mesmo diante da pressão por custos menores.
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