
Hamburgo se transforma em laboratório urbano para a nova aposta autônoma da Volkswagen, que começa pequena, gratuita e ainda acompanhada por operadores humanos.
A Moia abriu nesta semana um programa experimental no qual moradores previamente cadastrados podem solicitar viagens em vans elétricas Volkswagen ID. Buzz autônomas.
A fase inicial terá até cinco veículos, mas a empresa prevê ampliar gradualmente a frota para um máximo de dez unidades.
Cada van levará um profissional treinado ao volante, preparado para assumir os comandos sempre que o sistema precisar de apoio durante o trajeto.
A expectativa da Moia é retirar futuramente esse acompanhante e transferir o acompanhamento dos veículos para um centro remoto de operações.

Apesar da descrição como robotáxi, o serviço funcionará mais como transporte compartilhado, reunindo passageiros que seguem em direções semelhantes.
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Embarques e desembarques acontecerão em pontos virtuais determinados pelo aplicativo, em vez de permitir paradas exatamente diante de qualquer endereço solicitado.
A área inicial terá aproximadamente 10,4 km² dentro de Hamburgo e deverá crescer posteriormente para cerca de 36,3 km².
Segundo um porta-voz da empresa, milhares de pessoas já entraram na lista de espera depois que o cadastro foi disponibilizado aos usuários.
Todas as viagens serão gratuitas durante o programa experimental, reduzindo a barreira para que moradores conheçam o funcionamento da tecnologia.

A Moia também pretende permitir reservas pelo hvv switch, aplicativo que concentra diferentes opções de transporte público disponíveis em Hamburgo.
Sascha Meyer, CEO da Moia, classificou o início das viagens como um marco importante para a solução autônoma europeia desenvolvida pela companhia.
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Até agora, a empresa operava principalmente um serviço de viagens compartilhadas conduzidas por motoristas, utilizando veículos elétricos e plataforma própria de reservas.
Nos últimos anos, porém, a Moia passou a desenvolver um sistema completo que integra veículos, condução autônoma, gerenciamento de frota e atendimento aos passageiros.
A nova fase combina as vans da Volkswagen com a tecnologia de direção autônoma fornecida pela Mobileye, parceira central do projeto.

Mesmo assim, a companhia afirma que não pretende construir sua estratégia em torno de uma operação própria e permanente de robotáxis.
O objetivo comercial é oferecer uma plataforma pronta para empresas privadas, operadores públicos e organizações interessadas em administrar frotas autônomas.
O programa de Hamburgo integra o projeto ALIKE, iniciativa apoiada pelo governo para avaliar como veículos autônomos podem complementar o transporte coletivo.
O financiamento do ALIKE está garantido até meados de 2027, período destinado a reunir dados sobre operação, procura e integração urbana.
Uma futura oferta comercial dependerá das autoridades responsáveis pelo transporte, das estratégias locais de mobilidade e das regras aplicáveis à tecnologia.
A Moia busca aprovação europeia para operar o ID. Buzz sem profissional ao volante em 2027, etapa essencial para ampliar o serviço.
A Volkswagen entra assim numa corrida que também envolve a Hyundai, apoiadora da Motional, responsável por um programa em Las Vegas com a Uber.
A Tesla desenvolve sua própria plataforma de robotáxis, utilizando veículos e programas próprios para disputar espaço nesse mercado emergente.
Nos Estados Unidos, a Moia prepara outra operação autônoma em parceria com a Beep e também mantém planos conjuntos com a Uber.
O serviço com a Beep deve começar em Orlando ainda neste trimestre, enquanto a operação com a Uber está prevista para Los Angeles até o fim do ano.
A experiência alemã mostrará se a Volkswagen consegue transformar uma frota reduzida de vans compartilhadas numa plataforma autônoma vendável em vários mercados.






