VW Logus: versões, preços, motores, equipamentos

Volkswagen Logus
Volkswagen Logus

Conhece o VW Logus? Bem, se você tem os olhares mais atentos, provavelmente já conseguiu notar uma certa familiaridade entre alguns carros da Ford e da Volkswagen produzidos em meados da década de 1990.

Essa lista inclui os modelos:


  • Volkswagen Santana e Ford Versailles
  • Volkswagen Quantum e Ford Royale
  • Volkswagen Apollo e Ford Verona
  • Volkswagen Pointer
  • Volkswagen Logus

Dentre os modelos acima temos o que foi considerado o maior fracasso da VW, o Apollo.

Todos eles, incluindo o Logus, são frutos da Autolatina, uma joint venture formada entre a Ford e a Volkswagen na Argentina e no Brasil entre os anos de 1987 e 1996. Em 1987, esses dois mercados registraram forte queda nas vendas de automóveis.

Tal parceria entre a fabricante alemã e a norte-americana surgiu para integrar as operações e fábricas de ambas as marcas, com o Logus e outros modelos, como forma de compartilhar os custos e ainda usufruir dos pontos fortes de cada uma – como o lançamento de carros bem-sucedidos de uma determinada marca com o logotipo e alguns detalhes de outra.

De início, a Autolatina parecia ser uma estratégia bem acertada para promover o crescimento e ainda a permanência da Ford e da Volkswagen no mercado brasileiro – ambas as marcas haviam passado por uma crise de vendas nos anos de 1980. Com a associação, as duas empresas passaram a controlar 60% do mercado brasileiro – antes, a porcentagem era de 34% para a VW e 21% para a Ford.

Por outro lado, a Autolatina acabou sendo motivo de alguns conflitos e dificuldades internos e externos. Entre eles, a ausência de bons investimentos das matrizes da Ford e da Volkswagen. Fora isso, pelo fato de ser marcas que tinham (e ainda têm) alta competitividade no mercado mundial, as divisões brasileiras não conseguiram se unir para a troca de conhecimento técnico.

É possível citar ainda a tensão entre a Autolatina e o governo brasileiro, devido ao congelamento de preços, a supervalorização da moeda, entre outros, afora a competitividade entre Ford e Volkswagen no mercado nacional, já que ambas lançaram novos carros bastante semelhantes.

Devido a isso, a Autolatina foi descontinuada em 1996. A separação foi considerada até que amigável: os funcionários da joint venture puderam escolher com qual marca iria ficar, independentemente da sua origem.

Fora isso, os carros que usavam componentes das duas fabricantes foram produzidos até 1997 e, após esse período, cada empresa produziu seus modelos com recursos próprios.

Um dos destaques desta aliança foi o Volkswagen Logus, um dos frutos gerados pela Autolatina. Este modelo foi anunciado aos brasileiros em março de 1993. Porém, antes de dar os principais detalhes do carro, é interessante entender o motivo do seu lançamento em terras tupiniquins.

Volkswagen Apollo, o antecessor fracassado

Volkswagen Apollo

Nunca na história da Volkswagen um carro durou tão pouco tempo no mercado. O Volkswagen Apollo foi lançado em 1990 e durou até 1992. Até hoje ele se posiciona como o modelo da marca com a trajetória mais curta na gama.

Assim como o Logus, o Apollo surgiu através da fusão entre a Ford e a Volkswagen – o primeiro grande fruto da joint venture.

Neste caso, a base era o Ford Verona. Foi a primeira vez no Brasil em que um automóvel de uma marca passava a ocupar uma posição no catálogo de outra fabricante com as devidas mudanças pontuais.

O Apollo ostenta uma carroceria sedã de duas portas e traz algumas diferenças visuais em relação ao Verona. A grade dianteira, por exemplo, traz desenho exclusivo e exibe na parte central o logotipo da Volkswagen numa proporção bastante pequena, sendo quase imperceptível numa distância mais longa.

A lista inclui ainda lanternas traseiras com lente escurecida, aerofólio traseiro, retrovisores pintados na cor da carroceria e pintura sempre em tom metálico. O interior, por sua vez, contava com um novo volante de dois raios, painel exclusivo e bancos com espuma mais rígida.

Além disso, o Apollo recebeu um tratamento mais aprimorado em seu isolamento acústico, já que o câmbio com relação mais curtas em relação à caixa usada no Ford Verona deixava o conjunto mais ruidoso.

Porém, a baixa aceitação por parte do público (justamente por ser um carro quase que idêntico ao modelo de outra marca) fez do Apollo um fracasso no mercado, com baixo volume de vendas e vida bastante curta.

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Volkswagen Logus – detalhes

A Volkswagen e a Ford conseguiram aprender com os erros e lançaram no ano seguinte pós-morte do Apollo o inédito Logus. Na verdade, não se tratava de um modelo tão inédito assim, visto que ele usava a mesma base e conjunto mecânico da quarta geração do Ford Escort.

Todavia, ao contrário do Apollo, o Volkswagen Logus tinha uma carroceria própria, com visual alinhado com a identidade visual dos carros da marca alemã da época. Fora isso, ele foi comercializado somente na versão sedã de duas portas para não brigar “internamente” com a segunda geração do Ford Verona, este oferecido somente na configuração quatro portas.

O desenho do Volkswagen Logus foi projetado pelos estúdios da Ghia Design, em Turim, na Itália, e foi finalizado pelos designers brasileiros da marca, incluindo Luiz Alberto Veiga (responsável pela criação do Fox, por exemplo).

A intenção da Volkswagen com o Logus foi aproveitar ainda a mão de obra da Ford em sua planta de São Bernardo do Campo (SP), responsável também pela montagem dos modelos Escort, Verona, Hobby e Pampa.

A carroceria do Logus, por mais que cause estranheza para os consumidores dos dias atuais (sedã, hoje em dia, somente com quatro portas), se destacava ainda pela aerodinâmica. O Volkswagen tem coeficiente aerodinâmico de 0,32, um dos mais baixos da época.

O VW Logus mede 4,27 metros de comprimento, 1,7 m de largura e 1,37 m de altura, com distância entre-eixos de 2,52 m. O porta-malas, por sua vez, tem capacidade para bons 508 litros, um volume adequado até para os dias atuais.

Muitos tratavam o Logus como um dos carros mais refinados da época e objeto de desejo de muita gente. Essa “magia” foi alcançada pelo interior com bom acabamento e ainda a lista de equipamentos recheada em suas versões mais caras.

Entre os recursos, o Logus podia oferecer vidros elétricos com fechamento com um toque e sistema antiesmagamento, ar-condicionado, travamento central das portas, cintos de segurança dianteiros e banco do motorista com regulagem de altura, sistema de som com toca-fitas digital, equalizador e memória,

O modelo foi bem aceito pelos consumidores. Porém, colecionou uma série de críticas oriundas da imprensa especializada.

De acordo com especialistas da época, o Volkswagen herdou boa parte dos problemas do Ford Escort, como a suspensão frágil demais, que carecia de reparos constantes e que também não proporcionava uma boa estabilidade ao veículo.

Volkswagen Logus – versões

Em seu lançamento, o Logus foi comercializado nas versões de acabamento CL, GL e GLS. A versão CL era a menos equipada da linha, com para-choques, retrovisores, maçanetas, grade frontal e frisos sem pintura e ainda rodas de aço de 13 polegadas.

Acima dele havia o Volkswagen Logus GL, um modelo intermediário mais completo, com direito a para-sois com espelhos, vidros verdes, sistema de som, entre outros.

As versões mais básicas do Logus não contavam ainda com conta-giros no painel de instrumentos. No lugar dele, um relógio analógico.

Já o Volkswagen Logus GLS, que se posicionava como a versão mais equipada e cara da gama, contava com recursos como vidros e travas com acionamento elétrico, retrovisores externos ajustáveis eletricamente, volante com regulagem de altura, sistema de som com toca-fitas, amplificador e equalizador, faróis de neblina, rodas de liga-leve, entre outros.

No caso do Logus CL, o motor é um 1.6 litro a gasolina de origem Ford, com carburador, capaz de entregar até 73,4 cavalos. Já o Logus GL e o Logus GLS saíam de fábrica com um 1.8 AP-1800 da Volkswagen. Os três contam com transmissão manual de cinco velocidades.

O principal destaque da gama do Volkswagen Logus, porém, foi a versão especial “Wolfsburg Edition”, que chegou no ano de 1995. O Logus Wolfsburg Edition surgiu para homenagear a cidade-sede da Volkswagen.

Entres os diferenciais, o Volkswagen Logus Wolfsburg Edition contava com faróis escurecidos herdados do irmão hatch Volkswagen Pointer, rodas de liga-leve de 14 polegadas com seis raios, para-choques, retrovisores, frisos e maçanetas na cor da carroceria, faróis de milha incorporados ao conjunto óptico frontal, lanterna de neblina, lanternas traseiras em fumê, volante e alavanca de câmbio revestidos em couro, entre outros.

Porém, para receber todos os recursos citados acima, o Volkswagen Logus Wolfsburg Edition deixou para trás alguns equipamentos oferecidos pelas versões convencionais da gama, como o sistema de som com equalizador digital.

O motor do carro era o novo 2.0 litros com injeção eletrônica multiponto, capaz de entregar 115 cavalos de potência.

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Volkswagen Logus – preços

Está interessado em um exemplar usado do Volkswagen Logus? Saiba que é possível adquirir uma unidade de ano 2003 por algo em torno de R$ 5 mil, conforme mostra a tabela Fipe.

Confira abaixo os preços do Volkswagen Logus:

  • Volkswagen Logus CL/GL 1.6: R$ 5.023 (1993) a R$ 6.128 (1997)
  • Volkswagen Logus CL/GL 1.8: R$ 5.763 (1993) a R$ 6.985 (1997)
  • Volkswagen Logus GL/GLI 1.8: R$ 6.165 (1993) a R$ 7.676 (1997)
  • Volkswagen Logus GLS 1.8: R$ 6.272 (1993) a R$ 6.795 (1997)
  • Volkswagen Logus GLS 2.0: R$ 6.833 (1994) a R$ 7.169 (1995)
  • Volkswagen Logus Wolfsburg Edition 2.0: R$ 7.578 (1995) a R$ 8.311 (1997)

Volkswagen Logus – motores

O Logus CL, o mais básico da gama, oferecia um motor 1.6 litro de quatro cilindros a gasolina da Ford, conhecido pela sigla AE-1600, com alimentação por carburador, capaz de desenvolver 73,4 cavalos de potência, a 5.600 rpm, e 11,9 kgfm de torque, a 3.400 rpm. Junto a ele, uma transmissão manual de cinco marchas.

Este motor podia ser encontrado também na versão movida a etanol. Neste caso, eram 74,8 cavalos de potência, a 5.200 rpm, e 13 kgfm de torque, a 3.400 rpm.

No entanto, o Logus 1.6 carburado tinha desempenho para lá de sofrível. Ele era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em longos 16,5 segundos e atingir velocidade máxima de 157 km/h.

Havia ainda a opção do Logus com o motor 1.8 litro, este de origem Volkswagen, que atende também pelo código AP-1800. Este modelo, também carburado, conseguia gerar até 86 cavalos de potência, a 5.400 rpm, e 14,5 kgfm de torque, a 3.000 rpm, também atrelado a um câmbio de cinco velocidades.

O curioso é que este motor 1.8 da Volkswagen conta com um sistema de carburador eletrônico. Tal recurso elimina o uso do característico afogador e consegue ainda manter a rotação da marcha lenta sempre estável. A borboleta de aceleração e a válvula eletromagnética da marcha lenta eram controladas por um microprocessador.

Outro recurso é o câmbio manual, também conhecido pela sigla “MQ”, acionado por cabos (sendo um para seleção e outro para o engate), ao invés do tradicional varão. Esta caixa era semelhante a utilizada pelo Volkswagen Golf alemão da época.

A respeito do desempenho, o Volkswagen Logus 1.8 com carburador eletrônico ia de 0 a 100 km/h em 13,3 segundos e podia atingir velocidade máxima de 175 km/h.

A partir de 1994, a Volkswagen passou a equipar o Logus na versão GLS com o característico motor AP-2000, de 115 cv e 17 kgfm. Ele melhorou o desempenho do carro, mas, devido ao uso do tal carburador eletrônico, acabou sendo motivo de reclamação por parte dos proprietários devido a constantes problemas apresentados.

Porém, no fim do mesmo ano, o Logus GLS passou a se chamar Logus GLSi, devido a adoção do sistema de injeção eletrônica multiponto, eliminando os problemas anteriores. Ele passou a acelerar de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos, com velocidade máxima de 192 km/h.

Ainda em 1994, o Volkswagen Logus ganhou o motor 1.6 AP-1600 de origem alemã no lugar do 1.6 AE-1600 da Ford. Este motor tem injeção eletrônica monoponto e capacidade para despejar 77,5 cavalos de potência, a 5.600 rpm, e 12,3 kgfm de torque, disponível a partir de 2.600 giros.

Com ele, a aceleração de 0 a 100 km/h melhorou para 13,8 segundos, ao passo que a velocidade máxima subiu para 167 km/h.

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Volkswagen Logus – fim de linha

Com o fim da joint venture, a Volkswagen foi realizando manobras discretas para tirar de linha seus modelos baseados em carros da Ford. O Logus, por exemplo, teve seu volume de produção reduzido já no ano de 1996.

Porém, a sua morte foi decretada mesmo no início de 1997.

Dá para falar que o Logus foi até certo ponto um carro que registrou boas vendas no mercado nacional. De 1993 a 1997, ele conseguiu emplacar mais de 125 mil exemplares.

Isso levando em consideração os motores fracos demais oferecidos inicialmente pela marca, bem como o histórico de problemas mecânicos.

Volkswagen Logus – ficha técnica

Motor

1.6 AE-1600 e 1.6 AP-1600

Tipo

Dianteiro, Transversal e Gasolina

Número de cilindros

4

Cilindrada em cm3

1.555 / 1.596

Válvulas

2

Taxa de compressão

9:1 / 10:1

Injeção de combustível

Carburador / injeção monoponto

Potência Máxima

73,4 cv / 77,5 cv a 5.600 rpm

Torque Máximo

11,9 kgfm a 3.400 rpm / 12,3 kgfm a 2.600 rpm

Transmissão

Tipo

Manual de cinco marchas

Tração

Tipo

Dianteira

Freios

Tipo

Discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira)

Direção

Tipo

Não assistida / hidráulica

Suspensão

Dianteira

Independente, McPherson

Traseira

Eixo de torção

Rodas e Pneus

Rodas

Aço de 13 polegadas

Pneus

175/70 R13

Dimensões

Comprimento total (mm)

4.276

Largura (mm)

1.695

Altura (mm)

1.406

Distância entre os eixos (mm)

2.525

Capacidades

Capacidade de carga (kg)

410 / 430

Tanque (litros)

64

Peso vazio em ordem de marcha (kg)

1.025 / 1.020

Coeficiente de arrasto (Cx)

0,35

 

Motor

1.8 AP-1800

Tipo

Dianteiro, Transversal e Gasolina

Número de cilindros

4

Cilindrada em cm3

1.781

Válvulas

2

Taxa de compressão

8,5:1

Injeção de combustível

Carburador / injeção monoponto

Potência Máxima

86 cv a 5.400 rpm / 88,6 cv a 5.500 rpm

Torque Máximo

14,5 kgfm a 3.000 rpm / 14,5 kgfm a 2.500 rpm

Transmissão

Tipo

Manual de cinco marchas

Tração

Tipo

Dianteira

Freios

Tipo

Discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira)

Direção

Tipo

Hidráulica

Suspensão

Dianteira

Independente, McPherson

Traseira

Eixo de torção

Rodas e Pneus

Rodas

Aço de 13 polegadas

Pneus

175/70 R13

Dimensões

Comprimento total (mm)

4.276

Largura (mm)

1.695

Altura (mm)

1.406

Distância entre os eixos (mm)

2.525

Capacidades

Capacidade de carga (kg)

410 / 425

Tanque (litros)

64

Peso vazio em ordem de marcha (kg)

1.090 / 1.035

Coeficiente de arrasto (Cx)

0,35

 

Motor

2.0 AP-2000

Tipo

Dianteiro, Transversal e Gasolina

Número de cilindros

4

Cilindrada em cm3

1.984

Válvulas

2

Taxa de compressão

9:1 / 10:1

Injeção de combustível

Carburador / injeção monoponto

Potência Máxima

115,5 cv a 5.500 rpm

Torque Máximo

17,4 kgfm a 3.000 rpm

Transmissão

Tipo

Manual de cinco marchas

Tração

Tipo

Dianteira

Freios

Tipo

Discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira)

Direção

Tipo

Não assistida / hidráulica

Suspensão

Dianteira

Independente, McPherson

Traseira

Eixo de torção

Rodas e Pneus

Rodas

Liga-leve de 14 polegadas

Pneus

185/60 R14

Dimensões

Comprimento total (mm)

4.276

Largura (mm)

1.695

Altura (mm)

1.406

Distância entre os eixos (mm)

2.525

Capacidades

Capacidade de carga (kg)

420

Tanque (litros)

64

Peso vazio em ordem de marcha (kg)

1.110

Coeficiente de arrasto (Cx)

0,35

Autor: Leonardo Andrade

Leonardo atua no segmento automotivo há quase nove anos. Tem experiência/formação em administração de empresas, marketing digital e inbound marketing. Já foi colaborador em mais de sete portais do Brasil. Fissurado por carros, em especial pelo mercado e por essa transformação que o mundo automotivo está vivendo.