Volkswagen vai ser obrigada a reduzir drasticamente a sua linha de modelos e também cortar capacidade produtiva

volkswagen taos 2027 avaliação NA (18)
volkswagen taos 2027 avaliação NA (18)

A conta do gigantismo chegou à mesa da Volkswagen, e a resposta desenhada pela montadora passa por encolher produtos, fábricas e ambições.

A maior fabricante de automóveis da Europa planeja reduzir drasticamente sua linha de modelos e cortar ainda mais a capacidade produtiva.

Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a revisão pode atingir cerca de 100 mil postos de trabalho, em escala sem paralelo no grupo.

A empresa enfrenta custos elevados, excesso de capacidade na Alemanha, concorrência chinesa crescente, regulação mais dura e tarifas de importação dos EUA.

Entre 2021 e 2025, esses fatores reduziram pela metade as margens de lucro que sustentaram a Volkswagen por décadas.

Após reunião do conselho de supervisão na quinta-feira, a companhia disse que seu portfólio será reduzido gradualmente em até metade.

A prioridade passa a ser concentrar recursos nos segmentos mais atraentes, deixando para trás parte da variedade que marcou sua estratégia recente.

A capacidade anual de produção cairá dos atuais 10 milhões de veículos para 9 milhões, segundo a comunicação feita após o encontro.

Oliver Blume, CEO da Volkswagen, afirmou que a situação global continuou piorando nos últimos doze meses e que a empresa age agora.

Nos bastidores, Blume avalia fechar quatro unidades alemãs: Hanover, Emden, Zwickau e a fábrica da Audi em Neckarsulm.

As fontes dizem que o corte de até 100 mil empregos seria aproximadamente o dobro do plano atualmente previsto.

A Volkswagen não detalhou as informações sobre demissões e fechamentos, tema que levou trabalhadores a grandes manifestações em unidades da empresa na quinta-feira.

Enquete

Volkswagen deve reduzir a linha e a produção na Alemanha; qual impacto para o consumidor

Vote e veja o resultado em tempo real.

21 votos

A chance de cortes profundos numa companhia fundada há 89 anos expõe a dificuldade da economia alemã diante de crescimento fraco.

Também pesam os altos custos de mão de obra e energia, que afetam especialmente grupos industriais com grande presença no país.

A chamada complexidade da oferta, incluindo o número de opções de equipamentos, será reduzida em até 75%.

Na sede de Wolfsburg, Blume ficou diante de representantes trabalhistas influentes, contrários a uma rodada mais dura de ajustes no grupo.

A estrutura inclui marcas como Audi e Porsche, além da pressão das famílias Porsche e Piech, donas de participações centrais.

Esses investimentos perderam dezenas de bilhões de euros em valor de mercado nos últimos anos, enquanto as ações da Volkswagen recuaram mais de metade em três anos.

Em Wolfsburg, trabalhadores usaram apitos, bandeiras vermelhas sindicais e caminharam atrás de uma faixa com a frase alemã “gemeinsam stark”, ou “fortes juntos”.

O sindicato IG Metall disse que cerca de 400 pessoas participavam da manifestação na cidade, enquanto Thorsten Groeger alertou para um grande embate.

Daniela Cavallo, chefe do conselho de trabalhadores da Volkswagen, disse que os empregados não são culpados pela crise do setor.

Ela também afirmou que medo intenso e profunda incerteza se espalham pelas fábricas e escritórios da companhia.

O conselho de trabalhadores cobrou que Blume responda até sexta-feira sobre cortes e fechamentos, sob risco de novas reuniões extraordinárias com equipes.

Ferdinand Dudenhoeffer, analista alemão da indústria automotiva, resumiu que não houve palavra sobre produção nem sobre emprego.

Para ele, a incerteza permanece, algo ruim para clientes, empregados e investidores.

A Volkswagen enfrentou paralisações em massa em dezembro de 2024, mas hoje há acordo para evitar novas ações enquanto contratos vigentes continuarem.

O conselho de supervisão reúne representantes das famílias controladoras, sindicatos e governo da Baixa Saxônia, combinação que costuma tornar decisões mais lentas.

No último acordo de reestruturação de Blume, os sindicatos obtiveram promessa de evitar fechamentos de fábricas alemãs.

Desde então, a Volkswagen busca usos alternativos para unidades subutilizadas, incluindo uma parceria de defesa para Osnabrueck.

Outra possibilidade avaliada é produzir na Alemanha modelos projetados para o mercado chinês.

Dados da Mobility Global vistos pela Reuters estimam que as fábricas alemãs do grupo operarão a 81% da capacidade padrão em 2026.

A previsão cai para 73% até o fim da década, mesmo após a retirada esperada de Osnabrueck da rede.

Entre as quatro unidades ameaçadas, Zwickau tem a maior ocupação prevista para 2026, com 88%, mas pode cair para 42% em 2030.

Friedrich Merz, chanceler conservador que aparece atrás da AfD nas pesquisas, promete reformas para tornar a Alemanha mais competitiva.

A Alternativa para a Alemanha, de extrema direita, pode chegar ao comando de um estado alemão pela primeira vez nas eleições de setembro.

A sigla transformou os problemas da Volkswagen em linha de ataque contra o governo, ampliando o peso empresarial e partidário da crise.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4 / 5. Número de votos: 4


⭐ Siga o Notícias Automotivas no GoogleAcompanhe nosso conteúdo direto no Google e fique por dentro das últimas notícias automotivas.Seguir no Google
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias

Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook