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Volvo S40: tudo sobre o sedã médio vendido no Brasil em 2 gerações

Volvo S40: tudo sobre o sedã médio vendido no Brasil em 2 gerações

O Volvo S40 foi um sedã médio com porte de acesso para o portfólio da marca sueca, tendo sucedido as séries 440 e 460 dos anos 80 e 90. Foi vendido no Brasil em suas duas gerações e é um dos modelos da marca, mais baratos como usados.


O S40 marcou a virada de estilo da Volvo, que passou a considerar linhas mais suaves e aerodinâmicas, ganhando em fluidez visual e em atratividade para buscar clientes mais jovens e menos entusiastas.

O sedã nórdico não teve sucessão, sendo sua tarefa assumida pelo Volvo V40, um hatch médio que assumiu a designação anterior da perua derivada do S40, o que ainda causa confusão em muita gente.

Apesar de seu tamanho, o Volvo S40 teve motores grandes, como cinco cilindros em linha, além de versões turbinadas a gasolina e diesel. Também foi disponibilizado com tração nas quatro rodas e gerou alguns derivados.

Volvo S40

Volvo S40: tudo sobre o sedã médio vendido no Brasil em 2 gerações

Até meados dos anos 90, a Volvo dividia seus carros em séries, como as 400, 800 e 900, por exemplo. Buscando se aproximar de novos clientes, a marca nórdica começou a mudar seu estilo de linhas quadradonas com o Volvo S40.

Suave, fluido e atraente aos olhos de novos clientes, o S40 não nasceu 100% sueco. Aliás, ele nem era fabricado no país escandinavo, tendo sua produção sido feita pela NedCar na Holanda.

Na segunda geração, passou a ser feito na Bélgica, pelo mesmo motivo que o fez ser holandês inicialmente, a plataforma. O primeiro Volvo S40 era baseado no Mitsubishi Carisma, que originou ainda o malaio Proton Waja.

Já o seguinte era derivado do Ford Focus de segunda geração, o que fez ser fabricado no país vizinho, onde a montadora americana produzia modelos como o Ford Mondeo, por exemplo.

Volvo S40 – Estilo

Volvo S40: tudo sobre o sedã médio vendido no Brasil em 2 gerações

Adotando a nomenclatura S40 para se diferenciar do Audi A4 e seu esportivo S4, o Volvo S40 era um rival destes e teve motores para bater de frente com os alemães. Em seu visual, porém, ele ainda bebia de uma fonte igualmente recente.

Diferente dos quadradões 440 e 460, o S40 mesclava bem os faróis levemente arredondados com uma grade retangular, presa a um capô que ainda remetia ao estilo anterior da marca.

A cabine tinha um formato mais fluido, tendo ainda colunas C destacadas e vigias laterais vem verticais. Havia uma linha de cintura que reforçava a robustez esperada de um Volvo.

Com maçanetas embutidas para reduzir o arrasto aerodinâmico, o Volvo S40 trazia um porta-malas bem destacado e lanternas compactas, suavizadas. A tampa do bagageiro era ampla.

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Os para-choques eram bem envolventes, sendo que o S40 ainda reunia muitos protetores envolventes na carroceria. Além disso, podia vir com vários spoilers e faróis dotados de limpadores automáticos.

Por dentro, o S40 tinha um ambiente sóbrio e alinhado com os produtos mais antigos, mas com alguns toques modernos. Tinha difusores de ar pequenos e cluster analógico amplo, com três conjuntos de mostradores.

O painel vinha com controles pequenos para o ar condicionado, que ficavam em um espaço muito grande, enquanto o sistema de áudio integrado era bem compactado, logo abaixo.

Boa parte das versões dispunha de acabamento em madeira, incluindo até o volante em couro, assim como portas e painel. Com espaço interno de carro médio dos anos 90, o Volvo S40 não era tão amplo, porém, compensava no luxo.

Atualização

Volvo S40: tudo sobre o sedã médio vendido no Brasil em 2 gerações

Bancos em couro, teto solar elétrico, porta-copos duplo com cobertura retrátil, encostos envolventes com apoios de cabeça avançados, ajustes elétricos para quase todas as funções básicas e muito conforto, marcavam o Volvo S40.

Lançado em 1995, o Volvo S40 foi atualizado em 2000, mas ganhou mais alterações mecânicas que estéticas, sendo estas resumidamente concentradas nos para-choques mais aerodinâmicos, assim como em piscas maiores.

As lanternas traseiras com lentes divididas em 3 partes é o que mais chama atenção nesse facelift, justamente por serem mais fáceis de identificar. Por dentro, as mudanças se concentraram no acabamento.

Ainda assim, dois anos após o facelift de meia vida, o Volvo S40 ganhou um novo cluster, com dois mostradores principais e dois menores, sendo estes nível de combustível e temperatura da água, além de velocímetro e conta-giros.

Volvo S40 – Mecânica

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O Volvo S40 foi um carro que se aproveitou bem da engenharia da marca setentrional, mesmo que ainda sua plataforma fosse compartilhada com o Mitsubishi Carisma, só utilizou um 1.8 de quatro cilindros japonês como parte do acordo.

Todos os motores do S40 eram da família Modular da Volvo, exceto um diesel 1.9 herdado do 460 e usado inicialmente. Ainda na primeira geração, o sedã europeu só usou propulsores de quatro cilindros.

O 1.6 era o mais fraco das opções, tendo apenas 105 cavalos, seguido do 1.8 com 115 cavalos. Outra opção do S40 foi o último 1.8 com 125 cavalos, retirado de linha em 2001 e sendo o último Mitsubishi do modelo. Ele foi vendido no Brasil.

A Volvo ainda usou um 1.9 Turbo com 200 cavalos, que durou apenas pouco mais de um ano, ainda na década de 90. Na linha superior, o Volvo S40 tinha o Modular 2.0 de 140 cavalos, mas com uma versão turbinada de 160 cavalos.

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Estas duas opções foram oferecidas no Brasil, mas apenas a segunda, a 2.0 Turbo, era equipada apenas com câmbio automático. Esse motor chegou a ser atualizado para 163 cavalos e 24,5 kgfm, algo a mais que os 23,4 kgfm anteriores.

Quando surgiram as versões T4 e T5, o S40 passou a ter o Modular 2.0 T com 172 e 200 cavalos, respectivamente. Este último fez o sedã retornar a faixa de potência maior, perdida em 1999 e reconquistada em 2003.

Com diesel, o Volvo S40 teve quatro opções de potência em dois motores diferentes, ainda na primeira geração. Contudo, nenhuma tinha desempenho elevado, sendo que as duas únicas até o facelift eram 1.9 turbo diesel de 90 ou 95 cavalos.

Após a atualização visual, o S40 passou a dispor desse 1.9 com 102 ou 116 cavalos. O sedã tinha transmissão manual de cinco marchas ou automática, que podia ter quatro ou cinco velocidades, esta última depois do facelift.

Volvo S40: tudo sobre o sedã médio vendido no Brasil em 2 gerações

Medindo originalmente 4,470 m de comprimento, 1,720 m de largura, 1,410 m de altura e 2,550 m de entre eixos, o Volvo S40 foi um carro bem seguro em sua estreia, tendo airbag duplo e estrutural mais deformável.

Foi o primeiro carro a ganhar 4 estrelas no Euro NCAP. Na atualização de meia vida, o primeiro S40 adotou seis airbags e sistema de proteção da coluna cervical, usando para isso apoios de cabeça ativos, a fim de evitar o efeito “chicote”.

Em seus primeiros anos, o Volvo S40 ainda viu sua perua V40 adotar um conjunto híbrido conceito anos-luz de distância da atual tendência do mercado, bem como uma versão diesel com GNV, vendida com o sedã em alguns países da Europa.

Teve diversas versões e foi fabricado, além da Holanda, na Malásia, Tailândia e África do Sul. Aqui, o primeiro S40 foi vendido com motores 1.8, 2.0 e 2.0 Turbo, sendo que apenas os dois primeiros tiveram opção manual.

Segunda geração

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Em 1999, a Ford compra a Volvo – sua divisão de automóveis – e com a isso, os planos para a segunda geração do Volvo S40 envolvia sinergia com produtos da marca americana, em especial o próximo Ford Focus.

A Ford emprestou para a Volvo a plataforma C1 deste último, que foi extensamente modificada pelo fabricante nórdico, apesar da produção ter sido feita dentro na mesma linha do Focus, em Ghent, Bélgica.

Batizada de P1, essa plataforma foi adotada pela Volvo em outros produtos, como o hatch médio C30, a perua V50 – que substituiu a V40 anterior – e o conversível C70.

Mais consistente, o novo carro tinha opção de tração nas quatro rodas e podia sustentar motores maiores, diferente da primeira geração. Bem desenhado, o Volvo S40 foi eleito várias vezes o carro do ano de 2005.

Mudança

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Depois de exatos 1.000.034 exemplares, o Volvo S40 chega à segunda geração em 2005, adotando um estilo que a marca sueca adotaria até o fim do hatch médio V40 em 2019.

Mantendo a linha de cintura larga, o S40 adotou uma frente mais jovial com faróis duplos recuados e grade retangular proeminente. Se tivesse permanecido em produção após 2012, certamente teria o mesmo visual do último V40.

O segundo S40 teve duas atualizações visuais, que impuseram três sutis no estilo do sedã, que passou de 4,468 m de comprimento para 4,483 m em alguns anos, mantendo sempre o entre-eixos de 2,640 m, padrão do Focus.

Tendo teto mais curvado e boa área envidraçada, o Volvo S40 tinha colunas C mais largas e fluidas, unindo-se suavemente ao porta-malas, agora encurtado externamente. As vigias laterais ficaram maiores também.

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Este era pronunciado verticalmente por conta das laterais largas do S40, que reduziam tudo acima da linha de cintura. Assim, as lanternas traseiras tinham contornos acentuados nessa altura, uma marca dos demais produtos da época.

A perua V50 ficou ainda mais elegante e com porte maior, elevando o nível da série 40, que ainda teve os estilosos C30 e C70, este último tendo sido evoluído da geração anterior, que utilizou o primeiro S40 como base.

Por dentro, o Volvo S40 dessa época adiantou o console “flutuante” no painel, que possuía elemento vazado atrás deste, além de comandos de climatização e áudio em quatro botões. Teclado para telefonia e ventilação chama atenção.

Havia um display digital retrátil eletricamente logo acima, em 1din, mas com espaço adicional para objetos. Sobre o painel, as versões mais caras tinham um pequeno display ajustável para navegação GPS e entretenimento futuro.

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O console em cor metalizada, era bem atraente e se fundia com a base da transmissão. Entre os bancos, o porta-copos era horizontal e sempre com cobertura retrátil. O freio de estacionamento ainda era manual.

A chave era eletrônica e podia ser inserida em um slot no painel, que era bem amplo e limpo, sem muitos detalhes. O cluster analógico tinha apenas dois mostradores com os quatro principais instrumentos concentrados.

O volante em couro tinha comandos multifuncionais, mas seu aspecto era pouco atraente, mesmo na versão R-Design, que era mais emocional esteticamente. Já os bancos podiam ser em couro ou tecido, inclusive com dois tons.

Aquecimento e ajustes elétricos nos dianteiros eram opções dos bancos do Volvo S40. Dependendo da versão, o console tinha acabamento inspirado em madeira ou mogno, que também era reproduzido nas portas e entre os bancos dianteiros.

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Outras opções tiveram ainda acabamento em preto brilhante e até em visual anodizado, elevando bastante a percepção de luxo e sofisticação do S40. O sedã era oferecido nas versões D2, D3, D4 e D5, além de T4 e T5, bem como R-Design.

Com exceção da última, as demais refletiam as motorização usada, sendo D para diesel e T para gasolina, com turbo. O Volvo S40 chegou a ter versão com Start&Stop (DRIVe) e flexível, sendo abastecido com E85 (85% de etanol).

Usando motores de quatro ou cinco cilindros, o S40 teve propulsores de origem Ford e Volvo, sendo que os aspirados 1.6 e 2.0 eram de origem Ford (Sigma e Duratec) com 100 e 145 cavalos, respectivamente. Este último foi usada no S40 Flex.

A Ford ainda forneceu um EcoBoost 1.6 de 150 cavalos para o S40 T4. Já de origem Volvo, o sedã recebeu um 2.4 de cinco cilindros em linha com 170 cavalos. No T5, o propulsor era um 2.5 de mesma arquitetura, mas com 230 cavalos.

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Com diesel, o Volvo S40 tinha as versões D2 e D2 DRIVe com 1.6 litro de 109 e 115 cavalos, respectivamente. As versões D3 e D4 eram equipadas com um cinco em linha 2.0 de 150 e 177 cavalos, respectivamente.

Embora o Volvo S40 T4 1.6 Turbo fosse menos potente, com câmbio manual de seis marchas, ele era mais rápido que o T5 2.5 Turbo automático, fazendo assim de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos contra 7,5 segundos do cinco em linha.

O S40 teve duas opções de câmbio manual, sendo que a primeira tinha cinco marchas. No automático, porém, houve mais opções, sendo Aisin de cinco ou seis velocidades, bem como a Getrag de dupla embreagem (Powershift) e seis marchas.

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O S40 teve também uma versão 1.8 de origem Mazda, lançada em alguns países, bem como inicialmente seu propulsor diesel inicialmente era o DW10 2.0 de quatro cilindros da PSA. Já a tração nas quatro rodas era da Haldex.

O Volvo S40 de segunda geração foi vendido no Brasil com motores de cinco cilindros 2.4 e 2.5 Turbo na versão T5, esta com duas saídas de escape cromadas, mas ambas com transmissão automática. O sedã saiu de linha em 2012.

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Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

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