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VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

O VW Bora foi um sedã médio que antecedeu o Jetta no mercado brasileiro, tendo sido lançado entre 2000 e 2011, tendo uma geração importada do México.


O sedã médio da Volkswagen foi uma introdução importante no mercado nacional, visto que o Logus havia saído de linha em 1997. Desde então, havia uma lacuna abaixo do VW Santana e acima do Polo Classic, que sucedeu o Voyage nos anos 90.

Então, com a chegada do Bora, VW criou o cenário para a chegada de sua geração posterior, que no Brasil foi chamado de Jetta e que continua até agora, três gerações depois.

Com estilo bem resolvido, o o VW Bora foi um carro bem apreciado pelo consumidor e um produto que ganhou muito espaço no mercado chinês, onde evoluiu até a geração atual, que inclusive porta a plataforma modular MQB.

VW Bora

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

O VW Bora surgiu em 1999 e com produção tanto em Puebla, México, quanto na sede da montadora, em Wolfsburg, Alemanha. O sedã médio era a quarta geração do Jetta, que era conhecido como Vento em mercados latinos.

Compartilhando a plataforma e muitos componentes com o Golf, o Bora não era exatamente um derivado do hatch médio da mesma época, que também estava em sua quarta geração, na ocasião.

Esse irmão sedã do Golf, tinha design próprio e, assim como o hatch da mesma geração, teve sua vida comercial estendida no México até 2015, até depois do médio brasileiro ter saído de cena. Na Alemanha, ele durou até 2005.

Nessa altura, o Bora funcionava como uma opção de baixo custo em relação ao Jetta de quinta geração, mantendo motorização adequada e preço menor. Nos EUA, ele chegou a ter a perua Variant, que nada mais era que a Golf Variant.

VW Bora – Estilo

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Tendo formas bem definidas, funcionais e eficientes, o VW Bora assumiu sua posição com visual único. O modelo chamava atenção pela boa área envidraçada e porta-malas curto. Ele era derivado do conceito CJ, que tinha duas portas.

Longe de ser um sedã de “tiozão”, o Bora se apresentava como um carro jovem e sem apelar para exageros estéticos. Outra característica que o fazia ir nessa direção era o entre-eixos curto, que dava a sensação de um carro menor.

Tendo originado diretamente o Skoda Octavia, o VW Bora tinha capô reto e rebaixado, projetado sobre uma grade pronunciada, que contava com quatro frisos horizontais e logotipo da marca centralizado.

Pouco recuados, os faróis eram retangulares, mas levemente curvados em duas das quatro extremidades. O para-choque era integrado à grade com batentes pintados na cor do carro ou pretos, enquanto a parte inferior tinha três grades.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

A parte inferior do mesmo era envolvente, dando um ar mais encorpado ao conjunto. Nos EUA, o Bora tinha refletores nas laterais do para-choque, além de repetidores de direção nos para-lamas dianteiros.

Os retrovisores do VW Bora eram pequenos, mas as janelas eram grandes. As traseiras eram bem cortadas pelas saias de rodas devido ao entre-eixos curto. Os quebra-ventos falsos também chamam atenção.

Com colunas C robustas e bem inclinadas, o Bora tinha porta-malas pouco proeminente, com tampa sem muitos vincos e suporte de placa dentro de um espaço esculpido. As lanternas eram verticais e levemente envolventes.

O para-choque era envolvente e ainda com batentes destacados. Dependendo do mercado, o VW Bora podia ter para-barros nas saias de rodas. Estas, por sinal, eram bem pronunciadas, o que deixava o sedã mais largo e chamativo.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Nas laterais, os frisos protetores podiam ser pretos ou na cor do carro, sendo estes maiores. Ele era oferecido com rodas de aço com calotas ou liga leve, que eram de aro 15 polegadas, geralmente com pneus 195/65 R15.

Uma reprodução da Audi, o interior do VW Bora era realmente muito bem acabado. Embora tivesse opção de dois tons ou preto, este último é o mais popular.

O painel seguia a mesma linha da Audi e trazia difusores de ar que podiam ser completamente fechados (aletas). Havia um botão circular no lado esquerdo para os faróis, além de console central com sistema de áudio 1din ou integrado 2din.

Este vinha ainda com CD player, enquanto abaixo ficava o ar condicionado, que podia ser manual ou automático. Dependendo do mercado oferecido, o interior parecia realmente de um carro de luxo, chegando a ter apliques em madeira.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

O mesmo se aplicava às portas, o que dava mais destaque ao Bora. As portas também tinham um bom acabamento, incluindo ainda comando dos retrovisores na maçaneta do motorista, além de vidros com acionados nos apoios.

O cluster era compacto com dois mostradores grandes (velocímetro e conta-giros) e dois pequenos (nível de combustível e temperatura da água).

Com direção hidráulica e ajustável, o volante podia ter três ou quatro raios, sendo que o primeiro tipo era uma reprodução fiel do volante esportivo da Audi, podendo ter até aplique imitando madeira. O outro tinha comandos de mídia e telefonia.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

O espaço interno era bom para quem ia na frente e apertado atrás, visto que o entre-eixos era pequeno. Seu porta-malas, no entanto, tinha um bom espaço com 455 litros.

O VW Bora media 4,380 m de comprimento, 1,730 m de largura, 1,446 m de altura e 2,510 m de entre eixos. Seu porte era suficiente para uma família média em seu dia a dia ou viagem.

Atualização

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Após seis anos do lançamento do VW Bora na China, o visual deste chegou ao modelo mexicano, que acabou sendo vendido no Canadá como City Jetta, assim como nosso Golf IV era o Citi Golf.

A mudança trazia faróis duplos bem grandes, grade ampliada, logo da VW entrando no capô, para-choques mais volumosos, assim como lanternas traseiras duplas com projetores circulares, sendo parte delas na tampa do porta-malas.

Bem equipado, chegou a ter teto solar elétrico e bancos em couro, além de ar condicionado automático e outros itens de conforto e segurança, como airbag duplo e teto solar. As rodas de liga leve eram aro 16 polegadas com pneus 205/55 R16.

VW Bora – Motor

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

O motor do VW Bora no mercado brasileiro foi o EA113 2.0 com cabeçote de oito válvulas. O propulsor com câmara de fluxo cruzado estreou no Golf de terceira geração, importado do México, e durou até a segunda geração do Jetta aqui.

Forte e confiável, o propulsor é uma evolução do antigo EA827, que estreou no Audi 100 em 1972 e que equipou todos os VW refrigerados à água no Brasil. Diferente do AP, outra modificação do citado acima, ele tinha fluxo cruzado na câmara.

Assim, o coletor de admissão fica na frente do motor e passava por cima do cabeçote de duas válvulas por cilindro, sendo feito de plástico, tendo a injeção eletrônica posicionada atrás do propulsor. Logo abaixo, ficava o coletor de escape.

Com bom torque em baixa, o 2.0 8V do sedã mexicano tinha 1.984 cm3 e taxa de compressão de 10:1, entregando assim 116 cavalos a 5.200 rpm e 17,3 kgfm a 2.400 rpm, movido por gasolina.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Tendo injeção eletrônica de combustível multiponto com sistema de sequenciamento, o VW Bora fazia 8,9 km/l na cidade e 16,4 km/l na estrada, equipado com transmissão manual de cinco velocidades.

O Bora tinha ainda opção do câmbio automático de quatro marchas inicialmente, porém, alguns anos depois, passou a dispor do câmbio automático Tiptronic de seis marchas, que permite trocas manuais na alavanca.

Nesse caso, o VW Bora Tiptronic fazia 8,0 km/l na cidade e 16 km/l na estrada. Na atualização visual, seu motor passou a ser flex, o que fez com que o consumo fosse alterado.

Ele ficou mais econômico na gasolina, passando a fazer 11,2 km/l na cidade e 16,7 km/l na rodovia. Já com etanol, o consumo urbano ficava em 7,5 km/l e o rodoviário em 11,1 km/l. Isso tudo com câmbio manual.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

No Tiptronic, o Bora atualizado fazia 10,4 km/l na cidade e 15,6 km/l na estrada, um rendimento muito bom com o derivado do petróleo. No vegetal, o sedã mexicano entregava 6,9 km/l e 10,4 km/l, respectivamente.

O motor EA113 2.0 8V recebeu a tecnologia Total Flex na renovação visual, passando a ter taxa de compressão de 11,5:1, mantendo os 116 cavalos na gasolina e passando a dispor de 120 cavalos no etanol, ambos a 5.250 rpm.

Já o torque baixou de rotação, sendo entregues 17,7 kgfm na gasolina e 18,3 kgfm no etanol, ambos a 2.250 rpm, o que deu mais força ao propulsor. As modificações no EA113 foram benéficas em desempenho e consumo.

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Antes, o VW Bora ia de 0 a 100 km/h em 11 segundos e tinha máxima de 195 km/h no câmbio manual. No automático, faiz ao mesmo com 11,2 segundos e com final de 192 km/h.

Com tecnologia Flex, o longevo propulsor permitia ao Bora manual ir até 100 km/h em 9,7/9,9 segundos e com máximas de 201/199 km/h, respectivamente com álcool e gasolina.

No Bora Tiptronic Flex, a aceleração era feita em 10,5/10,9 segundos e com finais de 196/194 km/h, respectivamente com etanol e gasolina.

Outros motores

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Fora do Brasil, o VW Bora teve uma gama diversificada de motores, entre eles um 1.4 de 75 cavalos (semelhar ao da última Kombi) e 1.6 16V com 100 cavalos (como dos A3 e Golf nacionais).

Além disso, teve ainda 1.8 Turbo de 150 cavalos, VR5 2.3 de 170 cavalos, VR6 2.8 de 193 cavalos e VR6 2.8 24V com 203 cavalos. Com diesel, o 1.9 SDI tinha 75 cavalos, enquanto 1.9 TDI entregava 90 cavalos.

Dependendo da motorização, o VW Bora teve ainda câmbio manual de seis marchas e automático com cinco velocidades. Também ganhou versões com tração nas quatro rodas.

Mecanicamente, o VW Bora – por ter sido produzido também na Europa – foi ricamente equipado com uma gama interessante de motores, mas a oferta continuou com as gerações que vieram posteriormente na China.

China

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

Em 2001, a Volkswagen fecha com a sócia FAW para produção do VW Bora (Classic posteriormente) na China. Diferente do México e da Alemanha, o modelo asiático tinha visual exclusivo, que viria a ser adotado posteriormente por aqui.

Além do visual, similar ao facelift do Bora mexicano, o chinês foi equipado com motores EA113, sendo um 1.6 8V de 100 cavalos, seguido de um 1.8 20V de 125 cavalos do Audi A4 e sua versão turbinada, que tinha 150 cavalos.

O câmbio era manual de cinco marchas ou automático com quatro. Somente tração dianteira foi oferecida na China. Em 2007, o Bora chinês ganhou uma nova geração, mas mantendo a plataforma PQ34.

Este modelo tinha faróis grandes e amendoados, seguidos de um facelift com lentes retangulares. Passou a ter motor EA111 1.6 16V de 110 cavalos e EA211 1.4 TSI de 150 cavalos. O entre eixos era maior e tinha opção de câmbio DSG.

Mais duas gerações

VW Bora: os detalhes do sedã antecessor do Jetta

O VW Bora na China evoluiu rápido para uma terceira geração em 2016. Esta tinha linhas mais elegantes e um perfil que resgatava alguns traços da VW/Audi dos anos 70.

A plataforma ainda era a PQ34, mas com estreia de um novo motor EA211 1.5 16V com 116 cavalos, que substituiu um 1.6 16V de 110 cavalos. O 1.4 TSI de 150 cavalos continua na oferta, já que ele ainda se mantém em produção.

Contudo, apenas dois anos depois, a FAW-VW lança uma quarta geração do Bora chinês, desta vez com a plataforma modular MQB e com dimensões semelhantes às do Jetta ocidental.

Mais sofisticado, o New Bora apareceu em 2018 com motores 1.5 16V de 116 cavalos ou 1.4 TSI com 150 cavalos. Ele tem câmbio manual de cinco ou seis marchas, mais dupla embreagem DSG de sete marchas.

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Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

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