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VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

O Scirocco foi um cupê de linhas esportivas que sucedeu o Volkswagen Karmann-Ghia na Alemanha, tendo ganhado reputação para viver em três gerações, com uma intermediária.


Vento mediterrânico, Scirocco significou esportividade com estilo em uma época de transformação. Na Europa, a VW abandonava a relação de produto com a Karmann-Ghia e respirava novos ares, refrigerados a água.

Pensado como sucessor deste último, o Scirocco foi um cupê que evoluiu por duas gerações, até ser substituído por outro cupê que seguiu sua linhagem, embora não seja considerada sua terceira geração.

Esta, contudo, apareceu apenas em 2008 numa releitura que ganhou fãs pelo mundo e que durou quase uma década na mesma geração. O último Scirocco saiu de linha em 2017, mas hoje já se fala em um sucessor, porém, 100% elétrico.

Scirocco

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

A terceira do Scirocco surgiu em 2008 sobre a plataforma PQ35 do Golf V, mantendo assim sua relação com os modelos Golf e VW Jetta desde os anos 70.

Fabricado em Palmela, Portugal, o cupê alemão tinha uma proposta de mais exclusividade em comparação com o Golf e seu portfólio era menos rico em opções de motor, mas não em termos de versões de performance.

Apenas com duas portas, o Scirocco era pouca coisa maior que o Golf V, mas acabou sendo ultrapassado em tamanho pelas gerações seguintes do hatch médio germânico.

O Volkswagen Scirocco sempre fora considerado um dos carros clássicos da marca na atualidade, mas perdeu espaço recentemente, como o Beetle (Fusca).

Scirocco – Estilo

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

 

Com visual musculoso, o Scirocco não era um cupê de linhas clássicas, mas fiel ao seu layout compacto, que o diferenciava de modelos maiores. Era para ser um esportivo jovem e de custo menor.

Assim, o cupê da VW seguiu sua linha original até o último modelo, que tinha uma frente expressiva e forte. Dotado de faróis duplos numa máscara negra, o conjunto ótico podia ter xênon e dava um aspecto exclusivo ao produto.

Com um capô longo e uma grade retilínea de apenas uma abertura em acabamento preto brilhante, a frente tinha ainda para-choque bem proeminente com molduras laterais dotadas de faróis de neblina, piscas e luzes de curva.

A grade inferior era bem ampla e compartilhava o acabamento preto com as molduras. O Scirocco chamava atenção pelo arco do teto bem espesso, que reduzia o tamanho da área envidraçada, dando um ar mais esportivo e robusto.

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As portas eram grandes e não tinham batentes nos vidros, sendo que as vigias traseiras não eram basculantes. Já as colunas C eram bem largas e estilizadas, reforçando o visual do Scirocco.

Na traseira, a carroceria tinha um corte abrupto, com vigia bem larga, mas baixa. Além disso, trazia lanternas amendoadas levemente e tampa do bagageiro bem curta.

O para-choque era bem envolvendo e geralmente vinha com escape duplo cromado, assim como as laterais ainda dispunham de molduras laterais pretas. As rodas aro 18 polegadas em estilo turbina eram bem populares.

Por dentro, o ambiente era para quatro pessoas, sendo que o painel tinha um visual muito próximo do Golf V, mas destacando-se pelo desenho dos difusores de ar.

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O cluster analógico seguia o padrão da VW, tendo mostrados grandes para velocímetro e conta-giros, assim como menores para nível de combustível e temperatura da água.

A multimídia tinha tela que variava de 5 a 65, polegadas, tendo navegador GPS nativo, CD/DVD, USB, Bluetooth e câmera de ré, entre outras funcionalidades. O volante esportivo tinha três raios e era o mesmo do Jetta da época no Brasil.

Vinha ainda com comandos para controle de cruzeiro, mídia e telefonia, além de computador de bordo. Tinha acabamento em couro e fundo chato, bem como ajustes de altura e profundidade.

No console central, o ar condicionado era automático, mas mais adiante, receberia um sistema dual zone. Dependendo da versão, o Scirocco vinha com bancos em tecido, couro ou mesmo Alcantara.

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Os bancos esportivos eram uma marca das versões mais potentes, sendo que na GTS tinha costuras vermelhas, por exemplo. Podia dispor de banco do motorista com ajustes elétricos e dois assentos individuais traseiros.

Para acessar, os assentos dianteiros tinham encostos com efeito memória. Podendo ter câmbio manual ou DSG, a manopla sempre tinha um acabamento especial nas versões mais esportivas. Havia também pedais esportivos e teto solar.

Aliás, o Scirocco não precisava ter um motor grande para ter um visual realmente radical, já que algumas opções e séries foram equipadas com motor 1.4 TSI. Uma delas é a BlueMotion Technology Sport, que ostentava esse motor.

Atualização

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Em 2014, o VW Scirocco ganhou um facelift de meia vida. Por fora, o capô mantinha o logotipo da VW, enquanto a grade inferior em preto, deixava de ter a moldura inferior, o que ampliava-a com grelha em estilo colmeia.

Os faróis preservaram o formato das lentes, mas estas ganharam molduras prateadas e dois projetores tipo canhão no interior. Já o para-choque ficou mais esportivo com uma moldura em “U” na cor do carro, que destacava as laterais.

Estas vinham com dois frisos pretas que cortavam as lentes dos repetidores de direção, luzes de curva e faróis de neblina, no melhor estilo do Golf VII. A grade inferior era também equipada com elementos hexagonais.

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Se os faróis permaneceram quase iguais, as lanternas mudaram muito, ganhando iluminação em feixes de LED com lentes maiores, que se estendiam mais pelas laterais.

A diminuta tampa do bagageiro ficou mais pronunciada, enquanto o para-choque ganhou fundo preto e difusor de ar. Novas rodas de liga leve foram introduzidas. O interior recebeu ajustes na padronagem e emprego de materiais nobres.

Scirocco – Motor

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O Scirocco empregou quatro motores ao longo de quase uma década na última geração. Foram eles EA211, EA113, EA888 e o diesel EA189. Respectivamente eles eram os 1.4 TSI, 2.0 TSI e 2.0 TDI.

O 1.4 TSI tinha 122 cavalos e 20,4 kgfm, sendo o mesmo empregado pela Audi nos A3 e A3 Sedan posteriormente no Brasil. Existiu ainda uma versão com turbo e supercharger, que entregou 163 cavalos e 24,5 kgfm.

Disponível ainda na versão BlueMotion, o 1.4 TSI durou toda a vida do Scirocco de terceira geração. Logo acima, ficava o EA888 2.0 TSI com 211 cavalos e 28,5 kgfm inicialmente (mesmo do Jetta Highline) e 220 cavalos com 35,7 kgfm depois.

Este último foi usado apenas a partir de 2015, mas ainda havia o mais antigo EA113, que era uma geração anterior ao EA888. Nesse caso, ele foi empregado apenas no Scirocco R, tendo 265 cavalos e 35,7 kgfm. Ele teve problemas de NOx.

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O Scirocco R acabou contribuindo para acelerar o fim do modelo, uma vez que entrava na lista de esportivos que tinham de ser revisados para poluírem menos.

Além desses motores a gasolina, o cupê alemão teve ainda o polêmico EA189 2.0 TDI, que foi protagonista do escândalo do Dieselgate. Ele entregava duas opções, sendo uma com 143 cavalos e 32,5 kgfm e a outra com 170 cavalos e 35,5 kgfm.

O câmbio usado podia ser manual de seis marchas ou automatizado de dupla embreagem DSG com sete ou seis marchas (2.0 TSI). Tecnologias como Start&Stop e frenagem regenerativa faziam parte da versão BlueMotion.

Embora tivesse uma versão R, o Scirocco podia ofuscar o Golf R num embate direto e a VW não queria. Assim, além de evitar uma equilíbrio de potências, não vendeu o cupê para os EUA. Ainda assim, chegou a ter 280 cavalos brevemente.

Origem

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

Diferente do Brasil, o Volkswagen Karmann-Ghia teve uma segunda geração na Alemanha, menos elegante e já estava defasado no começo dos anos 70. Então, a empresa iniciou o desenvolvimento de um sucessor, o Scirocco.

Em 1973, seis meses antes do nascimento do Golf, o Scirocco surgia com a mesma plataforma, mas com modificações para torna-lo mais cupê, fazendo com que suas linhas ficassem mais próximos do Passat.

Como era um projeto executado para ser feito na Karmann, ele foi inteiramente fabricado em Osnabrück. Embora não parecesse, seu motor era transversal, mas com frente longa para ficar maior que o Golf.

A versão L tinha motor 1.1 de 50 cavalos, enquanto a S empregava um 1.3 tinha 70 cavalos. Foram usados os motores 1.5 (inclusive com injeção mecânica) no GTE e 1.6, este no GTi, que nascera antes do Golf GTi e tinha 110 cavalos.

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

Nos EUA, o Scirocco chegou a ter um 1.7 litro, com 1.5 e 1.6 ostentando até 78 cavalos. Com câmbio manual de quatro marchas e opção automática de três velocidades (a partir de 1975), o cupê tinha um visual cativante.

Desenhado por Giorgio Giugiaro, o Scirocco tinha faróis retangulares na frente, mas nas versões GT, GTi e GTE, eram empregados quatro faróis circulares, padrão que foi usado nos EUA.

Com 3,88 m de comprimento e 2,40 m de entre eixos, o cupê tinha lanternas horizontais e tampa curta, além de colunas C bem inclinadas. Por dentro, o painel tinha um conjunto elevado para o cluster analógico duplo com conta-giros.

O rádio toca-fitas ficava bem ao lado, próximo do volante e das mãos. A ventilação ou ar condicionado, ficava abaixo do rádio. Nos GTi e GTE, havia um console com voltímetro e manômetro de óleo.

Segunda geração

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

Designado Typ 53 em relação ao Typ 34 da Karmann-Ghia, o Scirocco teve sua segunda geração em 1981, identificada como Typ 53B, já que utilizava a mesma plataforma da geração anterior, mas com carroceria maior.

O modelo surgiu com um porte maior, medindo 4,21 m de comprimento, mas mantendo os 2,40 m de antes. Ficou 2 cm mais largo (1,64 m) e preservou o estilo, mas linhas mais retilíneas e área envidraçada maior.

A frente era quadrada e tinha faróis retangulares com neblina ao centro, no melhor estilo Santana GLS, mas com piscas nas extremidades. Esse era o aspecto da versão GLi, enquanto a GTi tinha quatro faróis de igual tamanho.

O padrão do GTi foi usado nos EUA. Além disso, o Scirocco colecionou uma série de versões esportivas, sendo elas GT, GTS, GTI, GLI, GTX e GTL. A frente, então, podia ter um longo spoiler, enquanto as saias de rodas e laterais, abauladas.

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

Com linha de cintura reta, as janelas traseiras ficaram bem maiores e reduziram a espessura das colunas C, deixando o modelo sem a traseira mais “levantada”. As lanternas ficaram mais altas e reduziram a abertura da tampa.

O painel era parecido com aquele que seria empregado no Passat brasileiro de 1985, mas era mais suave na forma, tendo ainda o mesmo cluster deste, mas com difusores de ar verticais.

Já o porta-luvas abria para cima, deixando livre um vão mais abaixo para pequenos objetos. O volante a partir da GLI era igual ao da Santana GLS, o “quatro bolas” com o nome Scirocco.

VW Scirocco surgiu como sucessor do Karmann-Ghia e teve três gerações

O console era quadrado e projetado à frente, tendo rádio toca-fitas e controles de climatização. Visualmente, o Scirocco 16V parecia muito com o Gol GTS de 1987 por causa das rodas, que eram iguais.

Já o Scirocco GTX era quase idêntico em estilo ao Gol GT 1984. O cupê teve motores de 1.3 a 1.8, sendo que este último teve versão 16V com 129 ou 139 cavalos.

Embora o VW Corrado, seu sucessor, tenha aparecido no radar em 1988, o Scirocco só saiu de linha em 1992, convivendo assim com o substituto por quatro anos. Saiu de cena em 1992, 11 anos depois do lançamento.

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • Dod.

    A última geração é linda demais, pena que a VW nunca trouxe o Scirocco pro Brasil. Ele poderia ter vendido bem na época em que os hatches médios ainda tinham apelo e o Golf vendido aqui ainda era o defasado 4,5, como uma opção acima dele.

  • André Luis Versiani

    Fico impressionado com o quão bonito este carro sempre foi, claro que com olhar de cada época, que carro massa!

  • Gabriel Parachen

    Nos bons tempos de Forza Motorsport 3 criei um vinil para a geração 2 deste carro escrito “Isto não é um Gol” para jogar online. Lógico que pintei exatamente nas cores do Gol GTi quadrado (lataria vermelha com para-choques prateados e frisos pretos).

  • Luiz Felipe S. Silva

    A última geração continua linda e instigante até hoje, envelheceu muito bem.
    Saudades da Volkswagen com desenhos emocionais: Scirocco, Golf V, Passat CC….

    • th!nk.t4nk

      Não precisa ter saudades. O posto de carro “emocional” da VW atual é o Arteon. Ele absorveu grande parte das vendas do Scirocco, porque o consumidor migrou pra segmentos superiores na última década.

  • zekinha71

    Olhei a primeira foto e pensei que Gol lindo, isso mostra como o Gol foi uma criação brasileira, pegaram a linha VW europeia, trouxeram pra cá, arrancaram tudo que podia, deixando só uma casca mais barata de fazer e assim surgiu a família BX.

    • Diego Germán de Paco

      Primeira geração me lembra mais o primeiro Passat. O segundo é uma “transa” de Gol GTi com Delorean. O último já vi várias vezes na Argentina, lá foi vendido de forma oficial. Belíssimo carro

      • zekinha71

        O último eu sempre via um perto de casa e também tinha um Eos que sempre passava aberto, lindos.

  • Victor

    Um dos mais belos VWs de todos os tempos. Lançado a mais de 10 anos, continua mais bonito que boa parte dos carros de segmentos parecidos.

  • Guilherme Melo

    um dos VW mais bonitos dos últimos anos, tinha personalidade, não a mesma cara da linha da VW, pena não ter vindo, mas também não sei se venderia, vide o “sucesso” do EOS

  • RicardoVW

    Scirocco e Corrado, dois carros lindos da VW, essa última geração do Scirocco é um dos carros mais lindos de todos da história. Sonho ainda um dia ir para o Chile ou Argentina e voltar com um Scirocco.

  • Wallison Dos Santos Lemos

    Scirocco 1 era um Passat, o 2 era um golzin xunado e o 3 era um Golf cupê. Não é de hoje que falta criatividade aos designers da VW.

  • Edgar

    Sou apaixonado por dois carros da VW. Teria um Scirocco pra trabalhar e um Touareg pra viajar com amigos e familiares… Se esse Scirocco tivesse vindo pro Brasil, e tivesse um preço coerente ao europeu, com certeza seria líder do segmento, na época que ainda vendia bem…

  • Lorenzo Frigerio

    Nada como um carro de DUAS portas…

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