A conta não fecha na Stellantis: prejuízo bilionário, bônus para assalariados e zero participação nos lucros para quem monta os carros

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Quando uma montadora termina o ano com um rombo gigantesco, o mínimo esperado é que o aperto seja igual para todos, mas não foi isso que ocorreu na Stellantis.

A empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 26,3 bilhões (R$ 138 bilhões) no ano passado, e o impacto interno nos Estados Unidos virou motivo de briga aberta.

Trabalhadores representados pela UAW ficaram sem qualquer cheque de participação nos lucros, o que deixou parte do chão de fábrica se sentindo ignorada.

Ao mesmo tempo, alguns funcionários assalariados e não sindicalizados ainda podem receber bônus de desempenho, uma decisão que rapidamente atraiu críticas.

A informação foi detalhada em uma apuração do The Detroit Free Press, que descreveu como esses bônus podem ser concedidos por metas da empresa, de divisões ou individuais.

Segundo o jornal, não haverá bônus em nível corporativo ligado ao desempenho do ano passado, mas alguns pagamentos por divisão e por metas pessoais estão previstos.

Esses bônus devem ser pagos no fim de março, criando um contraste direto com a frustração de quem esperava algum retorno financeiro via participação nos lucros.

A Stellantis não informou valores ou faixas de pagamento, limitando-se a dizer que os bônus dependem de “metas financeiras e não financeiras” e objetivos pessoais.

A companhia também afirmou que o dinheiro “permanece diretamente condicionado aos resultados alcançados”, ou seja, bateu meta, recebe, não bateu, não recebe.

A UAW enxerga outra lógica do outro lado, porque o cheque de profit-sharing para sindicalizados é calculado apenas a partir do lucro operacional ajustado.

O vice-presidente da UAW, Rich Boyer, reagiu com dureza, dizendo estar “enojado” ao saber que gestores receberão bônus enquanto membros da UAW não receberam participação.

Boyer afirmou que os trabalhadores ajudam a impulsionar o sucesso da empresa ano após ano e que deveriam compartilhar esse sucesso quando ele existe.

Ele também atribuiu o fraco desempenho de 2025 ao ex-CEO Carlos Tavares, alegando que seu plano era “enfraquecer a UAW” dentro da estratégia da companhia.

Na mesma linha, Boyer disse que Tavares teria achado que cedeu demais nas negociações nacionais e voltaria para buscar sua “libra de carne”.

O presidente da UAW, Shaun Fain, também criticou a decisão, dizendo que não foram os trabalhadores que tomaram decisões ruins que jogaram os lucros no buraco.

Fain resumiu a indignação ao afirmar que houve “gestão péssima do CEO para baixo”, e que, como sempre, executivos acabam recompensados enquanto trabalhadores ficam com o prejuízo.

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