Yamaha XJ6: história, motor, concorrentes, vale a pena?

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A Yamaha XJ6 foi uma motocicleta naked de quatro cilindros vendida no Brasil durante nove anos, sendo substituída pela MT-07.


A esportiva da marca japonesa foi um dos modelos mais emblemáticos de sua época e uma das opções mais desejáveis, ainda que estivesse numa categoria diferente da famosa Honda CB 600 Hornet.

Mais da classe da BMW F 800 ou da Ducati Monster 796, a XJ6 era um produto nacional e isso permitiu que tivesse volume para vender bem durante sua estada no Brasil. Com seu potente motor quadricilíndrico de 4 tempos, sua posição de pilotagem esportiva e visual agressivo, a bólida da Yamaha fez sucesso por aqui.

Ao longo de seu período no Brasil, foram vendidas 21 mil unidades, mas continuou a ser produzida aqui quando já havia saído de linha na Europa.

A Yamaha justificou que ainda havia uma boa demanda no mercado interno, por isso, a XJ6 manteve sua presença por mais tempo que o previsto inicialmente.

Bem diferente da popular Hornet, a XJ6 era de uma categoria de 600 cilindradas de baixa potência, na casa dos 80 cavalos, onde havia ainda modelos como a Kawasaki Ninja 650 e Suzuki GSX 650F, por exemplo.

O motivo era que a Honda não tinha sua CB 650 F por aqui e o “Hornetão” era a naked da CBR 600 RR. Então, podia dispor de 102 cavalos contra 77 cavalos da Yamaha.

Ainda assim, a Yamaha foi resistente em manter a XJ6 em vez de partir para algo mais radical, como uma naked baseada na Yamaha YZF R6, que poderia medir forças com a Hornet. Contudo, com bom custo-benefício, a XJ6 manteve sua posição e a marca não quis comprar briga.

Como a história mostra, o dia final chegou também para a idolatrada naked da Honda…

Yamaha XJ6 – história

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Numa categoria muito disputada, a Yamaha XJ6 mostrou seu valor com bom desempenho, tendo saído do mercado com a missão cumprida. Seu motor entregava 77,5 cavalos e 6,08 kgfm, suficientes para catapultá-la de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos e com velocidade final de 192 km/h.

Outro ponto que agradava na XJ6 era que seu visual tinha linhas mais esportivas que a da Hornet, mesmo após a atualização. Contudo, a CB 650 F tinha um visual superior e isso impactou a moto da Yamaha, além da rival chegar com 10 cavalos a mais.

Ainda que mantivesse a popular, nos quatro anos seguintes, a Yamaha viu sua bela naked envelhecer diante da concorrência, mas não enxergou para onde correr. A resposta à Honda veio no mesmo ano em que chegou a CB 650F, com a ousada MT-07, mas esta é de outra categoria, com motor bicilíndrico, apesar dos 74 cavalos.

A marca apimentou o segmento de esportivas naked com a MT-07 ao mesmo tempo em que vendeu a XJ6N como uma opção acima, porém, em 2019, a pressão das vendas fez a moto, que ousou peitar a Hornet, sair de linha. Ficou a MT-07 e, para quem busca mais, a MT-09. Esta sim, que poderia vaporizar a Hornet com seus 115 cavalos num tricilíndrico insano…

Infelizmente, a Yamaha abandonou o segmento de 600/650 no Brasil (confira aqui réplica interessante: Yamaha Red Dragonfly) e a XJ6 verdadeiramente fechou um ciclo da marca por aqui. Ainda assim, rumores dizem que a YZF R6 pode voltar inspirada na MT-07. Se isso ocorrer, a CB 650F terá uma rival à altura.

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A história da Yamaha XJ6 começa em 2009, mas bem antes disso, seu DNA foi traçado pela antiga XJ600 de 1984, que foi substituída pela linha Diversion nos anos 90. É dessa série que deriva o modelo vendido aqui, sendo este da última geração XJ da marca japonesa, a chamada XJ6 Diversion.

Ela apareceu no mercado internacional em três versões, sendo elas XJ6 Diversion, XJ6 Diversion N e XJ6 Diversion F. A primeira tinha meia carenagem, com painel e farol fixos, mas sem a parte que cobria motor e a parte inferior da moto. A XJ6 N era a naked (nua) e a XJ6 F era a totalmente carenada. Estas duas vieram ao Brasil, mas a F saiu de linha bem cedo.

É importante destacar que a XJ6 teve ainda versão com potência limitada em certos mercados, para se enquadrar na categoria de motos para jovens motociclistas, ficando assim com apenas 34 cavalos. Aqui, ela chegou e saiu de cena com a mesma motorização, sem nunca ter sido atualizada nem para buscar a Honda CB 650 F.

Veio no modelo 2010 e destacando a XJ6 F com visual todo preto, passando bastante agressividade, dado não haver faixas decorativas ou desenhos radicais, apenas o nome XJ6F e Yamaha, este no spoiler sob o motor.

Já a XJ6N em pintura branca com partes em preto e faixa decorativa com a identificação do modelo, assim como quadro em cor caqui, como a carcaça do motor.

Embora fossem a mesma moto, elas eram visualmente muito distintas e só a XJ6N exibia os belos escapes anodizados, mas ambas destacavam o escape único “de lado”, que ficava entre o motor e a roda traseira.

Isso deixava o visual mais limpo, embora nem todos se agradassem de não ver um escape com silencioso enorme ou curto, porém, exposto naturalmente.

Yamaha XJ6 – detalhes

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A Yamaha XJ6 tem um visual bem esportivo e encorpado, com dois estilos de carenagem. A XJ6N tinha farol com formato diamantado e lanternas internas, além de carenagem envolvente. Os piscas eram laranjas e o painel era apoiado sobre o conjunto ótico frontal. O guidão tubular cromado tinha comandos de farol, piscas, buzina, corte de corrente, partida, entre outros.

Os manetes eram de alumínio e as manoplas emborrachadas, tendo ainda retrovisores aerodinâmicos manuais.

Já o cluster da XJ6N conta com conta-giros analógico preto à direita e display digital de cor laranja à esquerda, com velocímetro, nível de combustível, temperatura da água, relógio digital e hodômetros. A chave de ignição tem trava de proteção.

O tanque da XJ6N era volumoso, bem largo e com capacidade para 17,3 litros, que lhe conferia uma autonomia suficiente. A tampa do bocal era esportiva e tinha acabamento metálico. Já o banco era largo e tinha dois níveis, com o passageiro tendo ainda alças laterais de liga leve.

Com carenagem nas laterais da traseira, a lanterna apresenta um formato pentagonal.

Sob a rabeta havia uma extensão com suporte para placa e iluminação da mesma, tendo esta ainda refletor e piscas de cor laranja.  Nas laterais do tanque, havia extensões em “Z” com acabamento na cor da moto ou pretas, em forma de aletas com saídas de ar quente, saídas do radiador. O quadro tubular de berço duplo era pintado de cor caqui e dava um destaque a mais para a XJ6N.

A carcaça do motor e câmbio também eram pintadas nessa cor, mas o restante era preto fosco.

Entre as aletas, um radiador de grande volume com tubulação e mangueiras exteriores, tendo sob a grelha do resfriador quatro canos de escape anodizados, que se conectam com um silencioso volumoso e com escape bem curto de saída lateral para a direita da moto com ponteira cromada.

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A balança monoamortecida era preta e tinha freio a disco ventilado de 245 mm com pinça de um pistão com sistema ABS, bem como coroa e corrente com protetor plástico. A roda era de liga leve em cor preta com aro 17 polegadas e pneu 160/60 ZR 17.

No quadro havia ainda suportes de liga leve aerodinâmicos para os pedais retráteis de alumínio do passageiro. Os pedais do piloto também eram retráteis. Com berço do quadro bem aparente junto ao garfo dianteiro, a XJ6N tem bengalas cromadas aparentes com a base em cinza.

O para-lama era rente à roda dianteira de aro 17 polegadas com pneu 120/70 ZR17 de alta performance, bem como dois discos ventilados de 298 mm com pinças de duplo pistão com sistema de freios ABS.

A roda também era de liga leve e tinha pintura em preto fosco, como a traseira.

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Na Yamaha XJ6 em sua versão F, a carenada, o diferencial era a frente fluida com farol simples de forma diamante com lanternas integradas. A carenagem de linhas fluidas tinha duas entradas de ar superiores nos lados do farol, bem como para-brisa de acrílico com parafusos aparentes. Junto deles, ficam os retrovisores ajustáveis em bases fixas e aerodinâmicas.

O cluster era o mesmo da XJ6N, porém, apoiado sobre o suporte e revestimento plástico interno da carenagem na XJ6F.

Nas laterais, a carenagem volumosa tinha saídas de ar do motor junto ao tanque, com spoiler inferior em “V” com moldura plástica preta, além do acabamento na cor da moto. Na base deste, ficava o nome Yamaha bem discreto em cinza.

A carcaça do motor e câmbio, bem como o quadro tubular de berço duplo eram pintados de preto. O guidão tubular de cor cinza era mais fechado e baixo em relação à XJ6N. As bengalas dianteiras também eram de pretas.

Na XJ6F, originalmente, a pintura era toda preta, enquanto a XJ6N conta com pintura branca com faixa preta no tanque e detalhes em caqui.

Yamaha XJ6 – versões

  • Yamaha XJ6 N
  • Yamaha XJ6 F

Yamaha XJ6 – motor

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A Yamaha XJ6 tinha um motor de quatro cilindros em linha com duplo comando de válvulas (DOHC) no cabeçote de alumínio, com quatro válvulas por cilindro ou 16V. Dotado de injeção eletrônica e com refrigeração líquida.

Com 599 cm³, o propulsor quadricilíndrico de 4 tempos com taxa de compressão de 12,2:1 conta com uma boa potência para sua proposta.

Derivado do motor da Yamaha XJ6 era derivado da FZ6 e da mais conhecida Fazer 8 ou 800.

Com calibração mais mansa que os 106 cavalos a 12.000 rpm da FZ6, a naked tinha 77,5 cavalos a 10.000 rpm e 6,08 kgfm a 8.500 rpm, tendo câmbio ciclíco de seis marchas sincronizadas com embreagem multidisco em banho de óleo.

A XJ6 tem um dispostivo para evitar o travamento de roda em redução de marcha, evitando assim a queda do piloto e garupa. A embreagem é de acionamento mecânico, mas não havia controle de tração ou modo de pista, ou qualquer coisa assim.

Yamaha XJ6 – atualizações

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Em 2013, a Yamaha XJ6 N recebeu mudanças estéticas que a fizeram parecer com a nova FZ6, adotando aletas laterais ao tanque maiores e carenagem do farol revista, tendo piscas de cor transparente, bem como duas alças de liga leve para o garupa no lugar da peça única que existia.

O cluster ganhou display digital em LED para melhorar a visibilidade e o banco ganhou novo revestimento, mais aderente ao corpo de piloto e passageiro.

Na mecânica, a Yamaha XJ6 ganhou cabeçote retrabalhado, virabrequim reforçado e dutos de admissão modificados, de modo o motor trabalhar de forma mais mansa para reduzir as emissões e melhorar o consumo.

Posteriormente, a Yamaha XJ6 apenas teve suas cores e grafismos alterados, mantendo a configuração mecânica, bem como a ciclística.

Sem mudanças de grande monta no decorrer de sua vida comercial no Brasil, a motocicleta da marca japonesa saiu de cena em 2019.

Yamaha XJ6 – concorrentes

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A Yamaha XJ6 enfrentou até a naked explosiva Honda CB 600 F Hornet, bem como a Honda CB 650F, Kawasaki Ninja 650, Kawasaki ER-6N e Suzuki GSX 650F. Havia outras de categorias diferentes, como a primeira Ducati Monster 696 e a seguinte 796, bem como a BMW F 800, mas eram mais potentes.

A Honda CB 600 F Hornet era a mais expressiva e popular das nakeds vendidas no Brasil, com seu visual original bem simples, mas com motor de quatro cilindros de 102 cavalos, que lhe permitia um sprint realmente impressionante.

Contudo, em relação à XJ6, a Hornet era derivada da CBR 600R e RR, sendo assim de uma categoria que na Yamaha seria a FZ6.

No lugar da Hornet, a Honda colocou a CB 650F para brigar com a XJ6, porque o foguetinho da fabricante nipônica saiu de linha e havia a necessidade de substituí-la. Nesse caso, a nova moto era mais indicada para rivalizar com a Yamaha.

Seu motor de quatro cilindros tinha 87 cavalos e 6,4 kgfm, sendo mais potente que a XJ6.

A aposta da Honda, contudo, era o visual mais agressivo com rodas aro 17 polegadas douradas, escape anodizado e farol diamante, com cluster digital e quadro de duplo berço com seções retangulares.

Ela chegou também com a CBR 650 F, que tinha carenagem envolvente para pegar a XJ6 F.

A Kawasaki Ninja 650 e a Kawasaki ER-6N, a naked, tinha quatro cilindros também e 72 cavalos, impondo assim rivalidade diante XJ6. Por fim, a Suzuki GSX 650F tinha 85 cavalos e era a segunda mais potente da categoria.

Yamaha XJ6 – fotos

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.