
Em tempos de mercado travado e incerteza global bagunçando decisões de compra, o setor automotivo tenta sobreviver, mas alguns números parecem piada pronta.
A Stellantis, apesar do cenário, registrou um primeiro trimestre melhor do que o do ano passado, só que a história mais ruidosa veio de uma de suas marcas italianas.
Nos EUA, a Fiat praticamente virou sinônimo de um único produto em 2026, porque sua linha tem apenas o pequeno 500e, um EV que precisa convencer no uso real.
O problema é que o 500e entrega 240 km de autonomia segundo a EPA, e isso limita o apelo para quem quer um carro principal, não um segundo veículo.
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Por isso, o choque do trimestre foi ver um modelo descontinuado há três anos roubar a cena, como se o calendário tivesse travado nos concessionários.
Entre janeiro e março, a Fiat vendeu 71 unidades do 500X, contra 68 emplacamentos do 500e, um placar apertado e ao mesmo tempo constrangedor.
O detalhe que pesa é que o 500X é um crossover de quatro portas, mais prático no dia a dia, e acabou virando a alternativa “racional” para alguns compradores.

Quando um carro fora de linha ainda aparece em relatório oficial, a explicação costuma ser simples: sobrou estoque nos pátios, aguardando o cliente certo.
O que espanta, aqui, é o tamanho da “sobrevida”, já que 71 unidades ainda estavam disponíveis e vendáveis em 2026, muito depois do fim do modelo.
A própria Fiat comemorou que as vendas do 1º trimestre cresceram 85% em relação ao último trimestre de 2025, mas o salto parte de uma base minúscula.
Para dimensionar o contraste dentro do grupo, a Alfa Romeo, outra marca italiana mais “mainstream” da Stellantis, superou a Fiat com folga até no seu menos querido.
A Alfa Romeo vendeu 238 unidades do Tonale no ano até agora, número que, sozinho, já ultrapassa com sobras o total combinado dos dois Fiat no trimestre.
E o caso não para na Fiat, porque a Stellantis também viu modelos “encerrados” reaparecerem no caixa, sugerindo que a limpeza de estoque está lenta.
O 500X divide plataforma com o Jeep Renegade, outro veículo descontinuado que ainda assim somou 23 unidades vendidas no primeiro trimestre, mesmo após sair de linha em 2023.
A Dodge, por sua vez, conseguiu emplacar 45 unidades do Challenger no último trimestre, mais um nome encerrado em 2023 que insiste em rondar os relatórios.
No fim, a mensagem que fica é que alguns carros da Stellantis parecem morar tempo demais nas lojas, e isso diz tanto sobre produto quanto sobre estratégia.
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