A Fórmula 1 não liga mais para a história: Marca quer ser mais Netflix do que corrida

mclaren f1 2025 (3)
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A Fórmula 1 está se reinventando — e nem todos vão gostar do novo caminho que a categoria está tomando.

Durante uma entrevista reveladora ao podcast italiano The BSM, o CEO da F1, Stefano Domenicali, deixou claro que tradição já não é mais suficiente para garantir espaço no calendário.

Circuitos como Imola, repletos de história e emoção, estão sendo deixados de lado para dar lugar a eventos com apelo midiático e infraestrutura moderna.

Domenicali explicou que o retorno de Imola ao calendário foi uma medida emergencial durante a pandemia, quando restrições de viagem forçaram a F1 a buscar soluções rápidas e locais com estrutura mínima.

Agora, com a categoria atingindo um novo patamar de alcance global, ele afirma que pequenos circuitos já não fazem sentido do ponto de vista de negócios e visibilidade internacional.

Mais do que apenas uma competição automobilística, a F1 se posiciona hoje como uma plataforma de entretenimento.

Segundo o CEO, a disputa pela atenção do público não é mais apenas contra outras categorias esportivas, mas também contra plataformas como Netflix, eventos musicais e podcasts.

Para conquistar as novas gerações, a F1 precisa oferecer mais do que velocidade: precisa ser desejável, digital, compartilhável.

Domenicali foi direto ao afirmar que, para o público mais jovem, correr em Monte Carlo ou em Las Vegas é praticamente a mesma coisa.

O apego histórico que os fãs mais antigos têm por circuitos clássicos não ressoa com quem acabou de chegar. Esses novos espectadores buscam emoção instantânea e experiências grandiosas, pouco se importando com quem venceu a corrida no ano anterior.

A saída de Imola do calendário de 2026 é só o começo dessa transformação.

Mesmo circuitos como Monza e Spa-Francorchamps já não têm lugar garantido.

O recado é claro: tradição é um bônus, mas não um argumento. Para permanecer, os circuitos precisam se modernizar e agregar valor ao “produto F1” como um todo.

Com 24 corridas previstas para a próxima temporada, a categoria quer manter os fãs fiéis, mas também ampliar sua base.

Domenicali destacou que o público feminino tem crescido, assim como o engajamento de jovens que antes não se interessavam por corridas. Isso, segundo ele, é fruto de uma estratégia clara: transformar o fim de semana de corrida em um grande evento social e cultural.

No fundo, o chefão da F1 admite que o esporte vive um novo momento. O foco agora é tornar cada corrida uma experiência inesquecível, mesmo que isso signifique abrir mão de alguns dos circuitos mais lendários da história do automobilismo.

Para Domenicali, o futuro da Fórmula 1 depende de sua capacidade de se manter relevante num mundo em que a atenção do público muda de direção a cada clique.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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