A GM está se transformando aos poucos em uma empresa de serviços por assinatura

cadillac vistiq (5)
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A General Motors está dando uma guinada estratégica que vem chamando a atenção de analistas e investidores: transformar seus carros em plataformas de serviços recorrentes, baseados em software.

Nos últimos nove meses, a empresa arrecadou cerca de R$ 10 bilhões com assinaturas e serviços digitais embarcados nos veículos.

Além disso, já garantiu outros R$ 25 bilhões em contratos futuros com clientes que aderiram a pacotes que vão muito além da simples direção.

O destaque fica por conta do OnStar, sistema de segurança, conectividade e navegação da GM , que já conta com 11 milhões de assinantes — um crescimento de 34% em apenas um ano.

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Outro produto em expansão, segundo o site Business Insider, é o Super Cruise, sistema de direção sem as mãos e com supervisão ocular ativa, que já é pago por meio milhão de motoristas.

Apesar de esses valores ainda representarem uma fatia pequena do faturamento total da empresa — que foi de R$ 235 bilhões no último trimestre —, a rentabilidade é onde está o ouro.

Segundo a própria GM, os serviços digitais garantem uma margem de 70 centavos por cada real faturado, algo quase inalcançável no mercado automotivo tradicional.

Para comparação, a venda de veículos costuma render entre 4 e 10 centavos por real faturado, dependendo do modelo e do mercado.

Mary Barra, CEO da montadora, reforçou aos investidores que o objetivo é aumentar ainda mais essa fonte de receita nos próximos anos.

“Acreditamos que há uma enorme oportunidade de crescimento com margens muito atrativas”, afirmou durante a conferência de resultados.

A ideia da GM é clara: oferecer cada vez mais recursos por assinatura, com atualizações via software e serviços que acompanham o carro durante toda sua vida útil.

Em vez de vender novas peças ou upgrades de hardware, a empresa aposta em atualizações digitais, empurradas por novas necessidades ou conveniências.

E para atrair os consumidores, a montadora vem adotando uma abordagem gradual.

Modelos a partir de 2025 saem de fábrica com o pacote básico do OnStar gratuito por até oito anos, incluindo funções como segurança, mapas e aplicativos de áudio.

Depois disso, os serviços pagos entram em cena: R$ 100 mensais para conexão à internet (Connect Plus) e R$ 200 por mês para manter o Super Cruise ativo.

A direção assistida, no entanto, é gratuita por três anos para quem compra o carro novo.

O movimento da GM acompanha uma tendência maior no setor automotivo.

Ford, Mercedes-Benz, BMW e Tesla também estão investindo em modelos de assinatura digital.

A Tesla, por exemplo, vai encerrar a opção de compra definitiva do sistema Full Self-Driving — atualmente vendido por US$ 8.000 — e migrar totalmente para a assinatura mensal de US$ 99.

Já a Ford cobra R$ 250 mensais pelo BlueCruise, seu assistente de direção em rodovias, com opções anuais e vitalícias.

A estratégia da GM tem empolgado o mercado financeiro.

Após a divulgação do balanço, as ações da montadora subiram 8,8%, impulsionadas pela expectativa de lucros mais previsíveis e margens superiores.

Analistas acreditam que a empresa finalmente está concretizando a promessa feita em 2021: tornar-se uma empresa de tecnologia sobre rodas.

Para especialistas como David Whiston, da Morningstar, a GM pode até ir além dos serviços embarcados, oferecendo dados sobre trânsito e segurança para governos, por exemplo.

O que antes era uma montadora, hoje parece cada vez mais uma plataforma.

E nesse novo jogo, vender o carro pode ser apenas o começo da relação com o cliente — e da geração de receita.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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