A Rolls-Royce desistiu do discurso fácil do EV: quando o cheque é de R$ 2 milhões ou mais, quem manda é o cliente

rolls royce phantom dentelle (1)
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A Rolls-Royce vende silêncio há décadas, mas descobriu que existe um tipo de silêncio que seus clientes não querem abrir mão: o que vem de um V12 macio trabalhando longe, sob um capô interminável.

A marca britânica recuou discretamente do plano de virar 100% elétrica até 2030 e agora admite que continuará fabricando carros a gasolina pela próxima década.

O motivo é simples e incômodo para quem apostava numa virada rápida: parte relevante do público ultrarrico ainda pede motor a combustão, e a Rolls tende a obedecer.

Quando o comprador está disposto a gastar US$ 400.000 [R$ 2,11 milhões] ou mais, o fabricante não força uma agenda; ele adapta a agenda ao desejo.

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Chris Brownridge, CEO da Rolls-Royce, resumiu a questão dizendo que a demanda por EVs não é universal dentro da clientela da marca.

Segundo ele, “para cada cliente que ama um veículo elétrico existe um que não ama”, e a empresa reconhece que alguns preferem um V12 por tradição.

Brownridge também reforçou que o V12 não é apenas um conjunto mecânico, mas um pedaço da história da Rolls-Royce, algo que carrega significado para o dono.

Esse apego tem menos a ver com números frios de desempenho e mais com a sensação de facilidade absoluta, presença e a famosa “waftability” que um grande motor entrega.

Ainda assim, fica a provocação: muita gente pode gostar mais da ideia de ter um V12 à frente do que de realmente “sentir” o motor em uso cotidiano.

A própria Spectre, lançada em 2022, mostra como um trem de força elétrico suave, silencioso e imediato parece combinar com cupês e sedãs ultraluxuosos.

O recuo, porém, não nasce apenas do gosto do cliente, porque o ambiente regulatório também mudou e deu mais espaço para marcas desse porte.

Metas governamentais de EV mais brandas em mercados-chave aliviaram a pressão, e o fato de a Rolls operar com baixo volume a coloca fora de parte das exigências aplicadas a marcas de massa.

Essa flexibilidade é crucial num negócio de carros feitos sob encomenda, onde a produção pode ser ajustada ao que o cliente pede sem correr atrás de metas arbitrárias.

O resultado é uma estratégia de convivência, com elétricos e modelos a gasolina compartilhando a prateleira, em vez de uma troca brusca e total.

E a Rolls-Royce não está isolada nessa freada: Bentley, Aston Martin e Lamborghini também suavizaram cronogramas de eletrificação à medida que ambição e realidade se encontraram.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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