
Até pouco tempo, a Geely era aquele gigante discreto que quase ninguém via no Reino Unido, apesar de controlar nomes que todo mundo reconhece nas ruas.
Volvo, Polestar, Lotus e LEVC estão no portfólio do grupo, mas na China a Geely é protagonista desde 1998 e opera com escala difícil de imaginar.
A estreia oficial da Geely Auto no Reino Unido aconteceu no fim de 2025, mirando o grande público com uma combinação de EVs a bateria e híbridos plug-in.
Enquanto a operação britânica ainda se estrutura, a sede em Hangzhou emprega 6.000 pessoas e funciona como um formigueiro permanente de engenharia e decisões.
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Essa multiplicidade de marcas e frentes dá ao grupo bases em países como Suécia, Itália, Alemanha e Reino Unido, usadas para design, desenvolvimento e fabricação.
Na China, porém, a sensação é de outra liga, com fábricas gigantescas e repetição industrial em massa que redefine o que “grande” significa no setor.

Uma visita à unidade de Linhai mostra isso com clareza: a planta tem capacidade anual de 300.000 carros, com espaço para crescer, dedicada apenas ao Starray EM-i.
O que mais impressiona não é só a produção, mas o clima quase inquietante de automação, em que máquinas fazem o trabalho pesado e humanos parecem coadjuvantes.
A ideia de que a presença humana pode encolher ainda mais não soa exagerada quando se observa a cadência e o controle do processo na linha.
Para dimensionar a força comercial, a Geely vende mais de 50.000 EX2 por mês na China, onde o modelo é conhecido localmente como Xingyuan.
O contraste fica ainda mais gritante com a Mini, que vendeu 162.789 unidades do Cooper no mundo inteiro em 2025, somando três portas, cinco portas e conversível.

No Reino Unido, a Geely diz mirar 100.000 carros por ano até 2030, e nem todos seriam EX2s, enquanto o grupo fechou o último ano com 4,1 milhões globalmente.
Michael Yang, chefe da Geely Auto UK, sugere que, se demanda e finanças ajudarem, a marca pode usar uma base de produção no país para fabricar localmente.
O grupo já ventilou fabricar carros na fábrica da Volvo nos EUA para driblar tarifas de importação, o que coloca essa possibilidade em um terreno bem realista.
Para desenvolver carros no ritmo que ambiciona, a Geely ergueu um novo centro de segurança e um complexo de túneis de vento por mais de £200 million (R$ 1,2 bilhão).
No mesmo prédio há três túneis, incluindo um para rajadas de 155 mph com temperatura de -40°C a +60°C e simulação de sol e chuva, além de salas climáticas extremas.
Outro túnel trabalha com rajadas de 124 mph e simula altitude acima de 5.200 metros, e o terceiro fica como reserva para ampliar a disponibilidade do complexo.
A infraestrutura inclui ambientes para testar sensores de ADAS e uma sala de cibersegurança que parece saída de um filme, combinando espetáculo com método.
Ash Sutcliffe, chefe global de relações públicas da Geely Holding, afirma que nada é desperdiçado, cita 97% de reciclabilidade e diz que o carro volta ao sistema no fim da vida.
No fim, a mensagem que fica é simples e incômoda para o Ocidente: a Geely está chegando com velocidade, recursos e confiança — e não parece disposta a falhar.
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