A Toyota encontrou um jeito de transformar rodas velhas em motores novos e isso pode virar o mapa definitivo da “economia circular” nas montadoras

toyota uso rodas velhas
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Fazer um carro hoje consome uma quantidade enorme de energia e materiais virgens, e é por isso que as montadoras estão obcecadas com a ideia de “fechar o ciclo” da produção.

A corrida agora é por um modelo de negócios circular, no qual toda sobra de fábrica vira insumo, outros resíduos entram na cadeia e a fabricação tenta chegar à neutralidade de carbono.

Nesse pacote, aparecem empilhadeiras movidas a hidrogênio, uso de biogás e eletricidade renovável, como energia eólica e solar, além de soluções locais que reduzem dependência de fontes tradicionais.

Um exemplo é a planta da BMW na Carolina do Sul, que usa metano canalizado de um aterro próximo para suprir mais de 20% de sua demanda energética.

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As metas vêm com datas bem marcadas, e a Volvo quer atingir circularidade até 2040 ao eliminar desperdício e poluição, aumentar materiais reciclados e remanufaturar ou reutilizar peças.

Já a Ford estabeleceu 2035 como objetivo para reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa de instalações nos Estados Unidos com mais energia renovável e material reciclado.

Nesse esforço, até alumínio reciclado passou a aparecer em aplicações de grande volume, como caçambas da picape Ford F-150, mostrando como a reciclagem saiu do discurso para o produto.

Agora, a Toyota detalhou como está reciclando rodas de liga de alumínio usadas para transformá-las em blocos de motor de novos Corolla produzidos no Reino Unido.

Isso acontece na primeira Toyota Circular Factory, em Burnaston, no nordeste de Birmingham, onde carros em fim de vida chegam para um desmonte meticuloso.

No processo, equipes drenam fluidos, removem airbags e eletrônicos, separam pneus das rodas, resgatam todo o conjunto motriz e retiram plásticos internos para reciclagem.

Depois, a carroceria segue para o triturador, enquanto as rodas de liga de alumínio são processadas, preparadas para reuso e enviadas à fábrica de motores da Toyota em Deeside, no norte do País de Gales.

Lá, o alumínio reaparece em fundições de blocos e outros componentes de sistemas híbridos, e esses conjuntos retornam a Burnaston para equipar novos Corolla.

Segundo a Toyota, isso fecha o loop de “roda antiga para motor novo”, e o primeiro Corolla beneficiado pelo ciclo saiu da linha em 19 de março.

A empresa ainda conecta a iniciativa aos princípios do Toyota Production System para ajustar design e manufatura, elevando o potencial de circularidade nos próximos projetos.

A estratégia também se encaixa no Toyota Environmental Challenge 2050, lançado há 10 anos, que mira neutralidade de carbono em produtos e operações, com meta mais ambiciosa na Europa até 2040.

Burnaston foi escolhido porque o Reino Unido é um dos maiores mercados europeus de veículos em fim de vida, e, por ser um país de mão inglesa, muitos carros permanecem no território até o descarte.

A fábrica de montagem abriu em 1992 e foi a primeira na Europa a produzir híbridos, e desde então já entregou mais de cinco milhões de carros.

Ainda em 2025, a Toyota planeja abrir uma segunda Circular Factory em Wałbrzych, na Polônia, como parte de uma rede regional capaz de contribuir para um ecossistema de fabricação mais amplo.

Questionada sobre uma unidade semelhante na América do Norte, a empresa disse que não tem uma fábrica desse tipo por lá, mas que está consultando a matriz sobre o tema.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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