
As ações de montadoras chinesas de veículos elétricos dispararam nesta terça-feira após a União Europeia sinalizar uma possível mudança estratégica que favorece diretamente as exportações da China.
O motivo foi o anúncio da Comissão Europeia de que está considerando substituir as tarifas impostas em 2024 por um sistema de preços mínimos para EVs importados da China.
A proposta animou o mercado financeiro: a BYD teve alta de até 4,8% em Hong Kong, enquanto a Xpeng subiu 5,3% e a SAIC avançou até 3,6% na bolsa de Xangai.
O plano da UE envolve a apresentação, por parte das montadoras chinesas, de propostas com preços mínimos de importação, limites anuais de volume e intenções de investimento local.
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Caso seja adotado, o novo regime substituiria tarifas que chegam a 35% e abriria espaço para margens de lucro maiores, além de facilitar o crescimento das vendas chinesas no bloco europeu.
Especialistas enxergam a medida como uma tentativa de reaproximação entre Europa e China, em um momento em que as relações com os Estados Unidos se deterioram, especialmente após declarações polêmicas do ex-presidente Donald Trump sobre o controle da Groenlândia.
A proposta pode ainda beneficiar fabricantes europeus que produzem seus modelos na China, como a Volkswagen, permitindo que usem o país asiático como um polo de exportação para o continente europeu.
Segundo Eugene Hsiao, estrategista-chefe de ações chinesas da Macquarie Capital, o acordo pode reduzir tensões e criar um ambiente mais favorável para parcerias entre montadoras dos dois lados.
Apesar do otimismo, o novo modelo poderá trazer desafios para as marcas chinesas que já investem em fábricas próprias na Europa como forma de escapar das tarifas.
A medida deve incluir variações de preço mínimo conforme o tipo de carro e categoria, o que exigirá uma calibragem cuidadosa por parte da Comissão Europeia.
Analistas do Morgan Stanley avaliaram a proposta como positiva para o crescimento das vendas chinesas no continente, destacando empresas como BYD, SAIC e Geely entre as mais beneficiadas.
Em 2025, entre janeiro e novembro, a China exportou 579 mil veículos elétricos a bateria para a Europa, com participação entre 10% e 15% para cada uma das três gigantes.
O preço médio dos EVs chineses vendidos na Europa foi de aproximadamente €25 mil, abaixo da média geral de €30 mil para importados da mesma categoria, segundo estimativas do banco.
Esse diferencial de preço torna os modelos chineses altamente competitivos, o que tem gerado forte resistência de fabricantes locais e levou à imposição original das tarifas.
No entanto, com as tensões escalando e represálias da China contra produtos europeus como carne suína, laticínios e bebidas alcoólicas, as autoridades de Bruxelas parecem dispostas a buscar um caminho de equilíbrio.
A mudança pode representar um novo capítulo nas relações comerciais entre Europa e China, com impactos diretos na liderança do mercado global de veículos elétricos.
Enquanto isso, os Estados Unidos continuam pressionando por uma postura mais dura contra Pequim, mas a reação da Europa indica uma estratégia mais pragmática e comercialmente orientada.
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