
Em uma ofensiva bilionária que agitou o mercado japonês, a Toyota Motor elevou sua proposta para assumir o controle total da Toyota Industries, oferecendo 18.800 ienes por ação — o equivalente a mais de R$ 175 bilhões pelo grupo.
A oferta representa um aumento de mais de 15% em relação à proposta original feita em 2023, mas analistas consideram que o valor ainda está abaixo do ideal.
Mesmo com a melhora nos termos, as ações da Toyota Industries subiram 6,3% nesta quarta-feira e ultrapassaram o valor proposto, fechando a 19.160 ienes — um sinal claro de que o mercado espera uma nova rodada de negociações ou a intervenção de investidores ativistas.
A Toyota Industries, responsável por fundar a própria Toyota Motor no início do século passado, fabrica desde empilhadeiras até componentes eletrônicos e motores industriais.
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A proposta atualizada inclui uma injeção pessoal de 1 bilhão de ienes do presidente do conselho da Toyota, Akio Toyoda, e participação de 700 bilhões de ienes em ações preferenciais sem direito a voto.
O grupo Toyota, considerado o maior conglomerado corporativo do Japão, é conhecido por sua complexa estrutura acionária entrelaçada, o que torna qualquer tentativa de reorganização especialmente delicada.
Em dezembro, a Toyota Industries já havia pressionado por um valor maior, alegando que a proposta original comprometia as chances de sucesso do negócio.
Para alguns analistas, a nova oferta ainda não atinge o patamar justo.
Arun George, especialista da SmartKarma, afirmou que o valor proposto está abaixo da média da faixa de avaliação feita por consultores independentes, indicando que a empresa segue subvalorizada.
Travis Lundy, analista independente, foi mais direto: “Esse é o caso de aquisição mais mal precificado do Japão em muito tempo. Esperem ação de investidores ativistas.”
Ele acredita que acionistas vão pressionar por um preço maior ou até tentar barrar a operação.
O movimento acontece em um momento sensível para a Toyota Motor, que viu sua produção global cair 5,5% em novembro, com 821.723 unidades fabricadas — o primeiro recuo anual em seis meses.
As vendas também caíram 2,2% no mesmo período, impactadas principalmente pela retração na China após o fim de subsídios locais para compra de veículos.
Nos Estados Unidos, a montadora estima que sofrerá um impacto de mais de R$ 44 bilhões devido a tarifas comerciais, o que agrava ainda mais a pressão financeira.
Apesar disso, a empresa mantém seu plano de investir cerca de R$ 50 bilhões nos EUA até 2030, incluindo R$ 4,5 bilhões já anunciados para ampliar fábricas em cinco estados do sul do país.
Com esse contexto de desafios globais e reorganização interna, a tentativa de consolidação com a Toyota Industries pode ser vista como parte de uma estratégia para fortalecer o controle do grupo — ainda que investidores não estejam convencidos de que o preço reflita o verdadeiro valor da operação.
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